No sábado passado (13 de junho), o Centro de Eventos da Igreja Pompeia, na capital gaúcha Porto Alegre, recebeu uma celebração marcada pela memória, pela resistência e pelo reconhecimento do protagonismo das mulheres negras no Rio Grande do Sul. A deputada estadual Laura Sito realizou a entrega da Medalha Preta Roza a 393 mulheres, vindas de 72 municípios gaúchos, em uma cerimônia que reafirmou a importância de valorizar lideranças que atuam na linha de frente da transformação social em seus territórios.
Torres esteve representada entre as homenageadas por Maria da Silva do Nascimento, Nilza Teresinha Farias da Hora, Silvia Bueno, Ana Lúcia Alves de Farias e Victoria Stefani da Silva Garcia. As cinco mulheres receberam a honraria em reconhecimento às suas trajetórias, simbolizando a força, a presença e a contribuição das mulheres negras torrenses na construção de uma comunidade mais justa, solidária e comprometida com a igualdade.
A Medalha Preta Roza foi criada para dar visibilidade a mulheres que se destacam em áreas como política, educação, cultura, saúde, segurança pública, academia, assistência social e movimentos comunitários. Mais do que uma homenagem individual, a honraria representa um gesto de justiça histórica e de valorização coletiva das mulheres negras que, muitas vezes de forma silenciosa, sustentam redes de cuidado, resistência e transformação social.
Durante a cerimônia, a deputada Laura Sito destacou a importância de celebrar não apenas a luta, mas também o direito à felicidade e ao bem-viver. “Falar sobre felicidade para nós é um grande privilégio. A realidade, que é tão dura para cada uma de nós, nos impede diariamente de poder brindar as nossas pequenas vitórias. Este é um momento para falarmos sobre os momentos de felicidade, onde nós podemos brindar o nosso bem-viver”, afirmou a deputada.
Cultura africana em analogia
Laura também lembrou a simbologia de Sankofa, conceito africano que remete à ideia de retornar ao passado para ressignificar o presente e construir o futuro. A mensagem dialogou diretamente com o propósito da medalha, que leva o nome de Preta Roza, líder quilombola e combatente armada do Quilombo de Manoel Padeiro, na década de 1830. Sua história representa a insurgência negra no sul do Brasil e resgata o papel fundamental das mulheres negras na resistência ao sistema escravocrata.
A cerimônia também contou com a leitura do manifesto “Por Mulheres Vivas”, documento que chama atenção para a necessidade de enfrentar as desigualdades de gênero, raça e classe, defendendo políticas públicas nas áreas de saúde, educação, moradia, trabalho digno, combate à violência e ampliação da participação política das mulheres negras.
O gabinete do vereador Moisés Trisch esteve representado no evento por sua assessora Melissa Fraga, reforçando o reconhecimento à importância da pauta e o compromisso com a valorização das mulheres negras de Torres e de todo o estado.
A homenagem às torrenses Silvia Bueno, Maria da Silva do Nascimento, Nilza Teresinha Farias da Hora, Ana Lúcia Alves de Farias e Victoria Stefani da Silva Garcia reafirma que a construção de uma sociedade mais justa passa pelo reconhecimento das mulheres que fazem a diferença em suas comunidades. Ao receberem a Medalha Preta Roza, elas integram uma rede estadual de lideranças femininas negras que carregam, em suas histórias, a força da memória, da resistência e da transformação social.
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