A DOENí‡A DA PRESSA

20 de fevereiro de 2012

 

Por Paula Borowsky

 

Quem não conhece alguém que vem se sentindo fissurada no relógio, altamente produtiva, que atende a todas as exigências e obrigaçíµes do ambiente a sua volta, seja no trabalho, no social, pessoal? longos perí­odos de correria condicionaram a sociedade a viver dessa forma, mesmo quando não precisam. Será uma atitude normal, ou doentia? A distinção é sutil.

Para começar, casos assim não podem ser classificados como doença, mas como um comportamento obsessivo, caracterizado por um sentimento de pressa sem motivo. Crí´nico, surge mesmo nas férias ou em situaçíµes em que não há razão para alguém ficar ansioso ou apressado. O principal sinal de que o sentimento de urgência fugiu do controle  pode ser diagnosticado quando, por exemplo,  algo simples e aparentemente inofensivo causa irritação e até mesmo raiva intensa em uma pessoa. Quem ficar nervoso com um sinal fechado ou  com um elevador parado em um andar é uma possí­vel ví­tima da pressa crí´nica.

 í‰ provável   que pessoas tomadas pelo sentimento de urgência constante ou de irritabilidade estejam mais sujeitas a problemas cardí­acos.  Fazem diversas atividades ao mesmo tempo, vivem com a sensação de urgência, imediatismo e se irritam quando sentem que estão perdendo tempo. Elas sentem pressa de forma crí´nica e injustificada. Muitas vezes estas pessoas não conseguem enxergar quando seu comportamento é exagerado em relação í  realidade. Contribui para isso a imagem de eficiente que o apressado tem na sociedade. Mesmo quando alguém reconhece que está com um problema, acha que seu ritmo de vida requer essa postura.

As pessoas procuram tratamento psicoterápico quando as consequências desse comportamento chegam í  extremos, como um enfarto, por exemplo. Geralemnte são encaminhadas pelos médico, havendo pouca motivação e autocrí­tica. í‰ comum  o quadro de depressão associado í  ansiedade, insí´nia, taquicardia. í‰ frequente também que a pessoa procure o médico pelos sintomas variados fí­sicos; taquicardia, dores musculares, dores de cabeça, sem perceberem que   camuflam por traz um quadro ansioso-depressivo. Então, o médico acaba encaminhando o paciente para o psicólogo, pois não encontra nenhuma causa orgânica dos sintomas fí­sicos, ou seja:  a causa tem a ver com o perfil psicológico da pessoa, na maioria dos casos.

Em se tratando de perfil, seriam pessoas com traços de personalidade competitiva, exigentes, intolerantes, dentre outras caracterí­sticas onipotentes (só elas podem e sabem melhor que ninguém realizar uma tarefa, e por isso se colocam na vida em relação aos outros como insubstituí­veis, imprescindí­veis, até porque é só desta maneira que elas conseguem se sentir importantes, especiais para o outro)    


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