Na metade do ano o Congresso Nacional discutiu a tirada ou não de pauta a questão da modernização e terceirização de algumas operaçíµes da EPTC. Petistas que defendem a modernização foram acusados pela oposição de quererem privatizar os Correios, quando defendiam a estatização no passado. Já a oposição diz que não admite sequer terceirização, a mesmo oposição liderada pelo PSDB que liderou a era das privatizaçíµes na década de 1990 passada. Uma piada e várias máscaras de ambos os lados. E nesta semana passada a presidente Dilma bateru o Martelo e privatizou três aeroportos do Brasil.
No fundo me parece que todos os partidos já estão convencidos que privatizar é o melhor caminho. Olha-se a questão das comunicaçíµes. O que seria do Brasil se as Teles fosse ainda públicas? Mas os políticos têm medo de se posicionar assim o que deixa o eleitor confuso, com razão.
A questão da chamada "Coisa Pública" na era da comunicação e da sedimentação da democracia em todo o mundo fica cada vez mais dinâmica e apresenta novos paradigmas. Antigamente, sem os atuais recursos da comunicação e troca de experiências, a questão da "soberania nacional" sempre era um tema profundo e de compreensão difícil. O povo eleitor, ao se defrontar com tal questionamento, ficava com medo e, naturalmente, defendia toda e qualquer posse nacional em troca de autonomia e liberdade de nação. Foi aí que se criou em todo o mundo o conceito de Empresa Pública. Elas surgiram para garantir estabilidade e tranqí¼ilidade para as naçíµes. Empresas de petróleo para garantir combustível a preços justos; bancos para garantir juros baixos e atendimento; mineradoras para garantir matéria prima para bens essenciais; empresas de í´nibus para garantir passagens baratas; hospitais para garantir atendimento foram e são exemplos clássicos que, com o tempo, se expandiram para outros vários tipos de atividades: hoje se vê no Brasil até empresa pública de loterias. Tudo em nome da "tal de soberania…".
Com os escândalos que se repetem na administração pública, ano após ano; com o "conceito de mercado" aplicado pelas empresas públicas ao justificarem seus preços altos; com a visível diferença negativa de qualidade de serviços prestados por elas e, principalmente, com a hilária incongruência entre seus patrimí´nios, remuneração de seus funcionários, políticas de benefícios sociais e etc., relacionada com o poder aquisitivo do povo brasileiro, perguntas tornam-se necessárias de serem respondidas:
Para que queremos ser donos de uma empresa publica? Que soberania é essa que somente empobrece e desgosta o povo com taxas, juros e preços oligopolizados, escravizando-o a consumir sem alternativa? Será que o Brasil ficaria vulnerável se vendesse a Petrobrás, por exemplo? Será que o mundo não nos venderia petróleo? E o álcool que é "nossa invenção"? Será que, se não tivéssemos os bancos que temos e que sempre estão envolvidos em falcatruas, os outros bancos não iriam querer nos prestar serviços? Será que, se deixássemos empresas privadas explorarem nossos minérios, ficaríamos sem eles, por elas não quererem nos vender? Ora, claro que não, não e não! A empresa pública, portanto só tem fundamento se efetivamente prestar benefícios práticos para a população, como na Venezuela, por exemplo, onde a gasolina é praticamente gratuita para o consumo. E é o cãs dos Correios? Por que mantermos um serviço desta complexidade público e monopolizado, quando se trata do setor que exige maior modernidade no mercado atual, o de logística?
Portanto, esse discurso ideológico de "soberania nacional" tem que começar a ser questionado, principalmente pela imprensa, que hoje já é competente a ponto de não precisar de "favores de Estatais". Deixar a atividade empresarial para empresários que sempre obedecerá obrigatoriamente a lei mais saudável e natural que existe para a atividade empreendedora: a lei da oferta X procura deveria, sim, começar a ser discutida como um tema atual e progressista.
Urge que ao menos um partido político assuma decididamente que a privatização em princípio é o caminho para as empresas públicas. Somente a necessidade de programar um novo setor empresarial deficiente em uma nação, setor este que exija Capital Intensivo justificaria uma Estatização ou a continuidade das empresas públicas. A sociedade deveria ao menos enxergar os dois lados da moeda, diferente de hoje, onde partidos que sabem que a privatização é saudável, nos microfones a abominam, tudo em nome da tal de soberania Nacional e í busca de voto de forma hipócrita.


