Privatização e medo de partidos

20 de fevereiro de 2012

 

Na metade do ano o Congresso Nacional   discutiu a tirada ou não de pauta a questão da modernização e terceirização de algumas operaçíµes da EPTC. Petistas que defendem a modernização foram acusados pela oposição de quererem privatizar os Correios, quando defendiam a estatização no passado. Já a oposição diz que não admite sequer terceirização, a mesmo oposição liderada pelo PSDB que liderou a era das privatizaçíµes na década de 1990 passada.  Uma piada e várias máscaras de ambos os lados. E nesta semana passada a presidente Dilma bateru o Martelo e privatizou três aeroportos do Brasil.

No fundo me parece que todos os partidos já estão convencidos que privatizar é o melhor caminho. Olha-se a questão das comunicaçíµes. O que seria do Brasil se as Teles fosse ainda públicas? Mas os polí­ticos têm medo de se posicionar assim o que deixa o eleitor confuso, com razão.

A questão da chamada "Coisa Pública" na era da comunicação e da sedimentação da democracia em todo  o mundo fica cada vez mais dinâmica e apresenta novos paradigmas. Antigamente, sem os atuais recursos da comunicação e troca de experiências, a questão da "soberania nacional" sempre era um tema profundo e de compreensão difí­cil. O povo eleitor, ao se defrontar com tal questionamento, ficava com medo e, naturalmente, defendia toda e qualquer posse nacional em troca de autonomia e liberdade de nação. Foi aí­ que se criou em todo o mundo o conceito de Empresa Pública. Elas surgiram para garantir estabilidade e tranqí¼ilidade para as naçíµes. Empresas de petróleo para garantir combustí­vel a preços justos; bancos para garantir juros baixos e atendimento; mineradoras para garantir matéria prima para bens essenciais; empresas de í´nibus para garantir passagens baratas; hospitais para garantir atendimento foram e são exemplos clássicos que, com o tempo, se expandiram para outros vários tipos de atividades: hoje se vê no Brasil até empresa pública de loterias. Tudo em nome da "tal de soberania…".

Com os escândalos que se repetem na administração pública, ano após ano; com o "conceito de mercado" aplicado pelas empresas públicas ao justificarem seus preços altos; com a visí­vel diferença negativa de qualidade de serviços prestados por elas e, principalmente, com a hilária incongruência entre seus patrimí´nios, remuneração de seus funcionários, polí­ticas de benefí­cios sociais e etc., relacionada com o poder aquisitivo do povo brasileiro, perguntas tornam-se necessárias de serem respondidas:

Para que queremos ser donos de uma empresa publica? Que soberania é essa que somente empobrece e desgosta o povo com taxas, juros e preços oligopolizados, escravizando-o a consumir sem alternativa? Será que o Brasil ficaria vulnerável se vendesse a Petrobrás, por exemplo? Será que o mundo não nos venderia petróleo? E o álcool que é "nossa invenção"? Será que, se não tivéssemos os bancos que temos e que sempre estão envolvidos em falcatruas, os outros bancos não iriam querer nos prestar serviços? Será que, se deixássemos empresas privadas explorarem nossos minérios, ficarí­amos sem eles, por elas não quererem nos vender? Ora, claro que não, não e não! A empresa pública, portanto só tem fundamento se efetivamente prestar benefí­cios práticos para a população, como na Venezuela, por exemplo, onde a gasolina é praticamente gratuita para o consumo. E é o cãs dos Correios? Por que mantermos um serviço desta complexidade público e monopolizado, quando se trata do setor que exige maior modernidade no mercado atual, o de logí­stica?

Portanto, esse discurso ideológico de "soberania nacional" tem que começar a ser questionado, principalmente pela imprensa, que hoje já é competente a ponto de não precisar de "favores de Estatais". Deixar a atividade empresarial para empresários que sempre obedecerá obrigatoriamente a lei mais saudável e natural que existe para a atividade empreendedora: a lei da oferta X procura deveria, sim, começar a ser discutida como um tema atual e progressista.  

Urge que ao menos um partido polí­tico assuma decididamente que a privatização em princí­pio é o caminho para as empresas públicas. Somente a necessidade de programar um novo setor empresarial deficiente em uma nação,   setor este que exija Capital Intensivo   justificaria uma Estatização ou a continuidade das empresas públicas. A sociedade deveria ao menos enxergar os dois lados da moeda, diferente de hoje, onde partidos que sabem que a privatização é saudável, nos microfones a abominam, tudo em nome da tal de soberania Nacional e í  busca de voto de forma hipócrita.


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