Coluna de Roni Dalpiaz – Nomes de Ruas e Praças

21 de fevereiro de 2012

 

Rua de Cima e Rua de Baixo, simples e fácil assimilar, principalmente quando só existem as duas. Com o tempo Torres foi agregando outras ruas perpendiculares í s duas iniciais. E, claro, alterando seus nomes em homenagens a diversas figuras públicas, felizmente muitas eram nativas da cidade.

A centenária ˜rua de cima™ talvez fosse a segunda via pública a formar-se em São Domingos das Torres. Seu designativo já diz que é a mais elevada do lugar, pois está situada no extremo norte da torre do Norte. Presentemente, o histórico nome está perdido, pois a rua se modernizou para ser chamada ˜Rua José A. Picoral. A rua de baixo, este seria o primeiro caminho (depois rua) de Torres e ligava o incipiente presí­dio í  praia, em direção í  Itapeva, margeando antes a lagoa do violão. Hoje, desgraçadamente, chama-se ela ˜rua Júlio de Castilhos.

Este texto retirado do livro de Guido Muri, Remembranças de Torres, destaca a aversão do autor a nomes de ruas e de cidades alterados do original para homenagear figuríµes que nada tenham com a comunidade. E como bem lembra Muri …pretende resgatar um pouco da vivência da comunidade de São Domingos das Torres, ou pelo menos provocar a ira de muitos e o aplauso silencioso de poucos, silencioso apenas, porque no Brasil a cultura tem escasso veí­culos de expressão.

A praça dos cavalos é uma das antigas, mas ainda lembrada pelos habitantes com mais de 35 anos, hoje conhecida como As quatro praças ou Praça João Neves da Fontoura. Muri também lembra o famoso nome.

A ˜Praça dos cavalos™, de nome tão sugestivo, situa-se na lateral da rua Joaquim Nabuco, prendendo-se a origem do seu designativo í  presença, ali, de cavalos encilhados, prontos para montar e passear desajeitadamente, na tentativa de imitar os antigos gaúchos: era a grande aventura do veranista, até muitas vezes perpetuada em foto, como um centauro guasca no seu ginete. Pois o sugestivo nome foi surripiado pela incultura; e o logradouro se chama ingloriamente Praça João Neves da Fontoura.

Felizmente ao ler os diversos livros sobre Torres e sua história identifico, de forma inversa, nomes de ruas que passo diariamente, hoje sabendo quem estas pessoas foram e o que fizeram pela cidade. O que não posso dizer de muitas outras ruas e praças da cidade, que embora conhecendo os figuríµes sei que nada significaram para a cidade ou região.

As ruas Alferes Manuel Ferreira Porto, Coronel Pacheco, Elcio Lima, Moysés Camilo de Farias, Padre Lomí´naco (não Lamí´naco como está na placa), José Picoral, Sirilo Sartori, Alfiero Zanardi, entre outras, divergindo um pouco de Muri, considero que foram belas homenagens a cidadãos torrenses e pioneiros em seus ofí­cios.

E a história se repetirá?

 

Roni Dalpiaz

Site: www.ronidalpiaz.com.br                                 e-mail: ronidalpiaz@gmail.com

Referências

MURI, Guido. Remembranças: As vivências de uma comunidade. Porto Alegre: Pallotti, 1996.


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