Conhecida por ser um dos mais belos cartões-postais de Torres, a Lagoa do Violão é também o palco diário de uma tragédia ambiental recorrente. Conforme destaca o grupo Guardiões da Natureza de Torres, a falta de barreiras físicas e de áreas adequadas para a reprodução da fauna silvestre tem transformado o entorno da lagoa em uma rota de perigo mortal para tartarugas e cágados, que acabam vítimas recorrentes de atropelamentos nas vias do município.
O caso mais recente, registrado no último dia 27 de julho: uma fêmea adulta de tartaruga foi violentamente atingida por um veículo enquanto tentava atravessar a Avenida José Bonifácio. O animal foi encontrado por moradores no meio de uma poça d’água na pista, com o casco quebrado e sangrando intensamente.
Resgatada com o apoio da Patrulha Ambiental (PATRAM), a tartaruga precisou ser encaminhada às pressas para o Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (CECLIMAR), localizado no município de Imbé. O trajeto de emergência entre Torres e a unidade de tratamento dura cerca de 1 hora e 22 minutos (88 km) — um deslocamento longo e desgastante, no qual o animal permanece agonizando em estado grave até receber o primeiro atendimento veterinário especializado.
A presença de tartarugas feridas ou mutiladas na Lagoa do Violão não é fato isolado. Espécimes sem patas, com cascos deformados ou perfurados são reflexos de acidentes passados dos quais conseguiram, com sequelas, retornar à água. Segundo defensores da causa animal, a causa principal do problema reside na busca instintiva dos animais por terra seca para a postura de ovos. Fêmeas e filhotes recém-nascidos — estes últimos com apenas um dia de vida — precisam realizar a travessia entre a Lagoa e os terrenos onde buscam por terra para fazer seus ninhos.
Busca por novas soluções
O Grupo Guardiões da Natureza de Torres afirma que as medidas atuais – como campanhas educativas, tachões para a demarcação da ciclovia e redutores de velocidade – não tem tido a eficácia esperada, apesar das boas intenções. “A cor escura do casco dos animais aliada à cor do asfalto torna a visualização por parte dos motoristas quase impossível, especialmente no período noturno ou em dias de chuva, quando o reflexo da água nas poças oculta totalmente estes animais silvestres na pista”.
A solução sugerida seria o Cercamento da Lagoa do Violão – com áreas de desova seguras para as tartarugas e cágados: “Diante da urgência do cenário, faz-se necessário a instalação de um cercamento com tela baixa ao longo de toda a margem verde da Lagoa do Violão, criando uma barreira física que impeça o acesso dos animais ao leito carroçável. A medida deve vir acompanhada da estruturação de áreas internas de desova que pode ser na forma de prainhas na própria faixa de terra que margeia a lagoa, permitindo que o ciclo reprodutivo ocorra de forma segura, sem que mães e filhotes precisem se expor a atropelamentos no trânsito”, sugere a comunicação do grupo Guardiões da Natureza, concluindo. (FONTE – Por Guardiões da Natureza de Torres)
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