OPINIÃO – OS DESAFIOS DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

"O ritmo de avanço tecnológico em IA - e sua aplicação na sociedade - prossegue aceleradamente, inclusive pressionado pelo crescente competitividade entre o Ocidente e a China, à qual concorrem outras potências emergentes como Índia e Coreia do Sul, deixando-nos à mercê de um futuro cada vez mais incerto"

Imagem via Wikimedia Commons
7 de agosto de 2026

A Inteligência Artificial veio para ficar, apesar das críticas, dos problemas provocados e dos desafios. Todos, desde grandes capitalistas de risco , profissionais dos mais diversos campos, celebridades que  desejam se destacar no mercado, estão aprendendo a utilizá-la para não ficarem para trás. Muitos acreditam que ela desembocará numa ruptura tecnológica radical na humanidade, capaz, inclusive de lhe atropelar. Mês passado, tocou o sinal de alarme. Uma máquina tomou decisões inesperadas, não programadas.  Aliás, há algum tempo, em 2023, uma CARTA ABERTA de empresários, especialistas e cientistas já pedia uma espécie de moratória no desenvolvimento das experiências com Inteligência Artificial. Naquele mesmo ano, a Itália proibiu o  ChatGPT e iniciou investigação sobre questões de privacidade. Vale lembrar alguns pontos daquela Carta:

“Um grupo de políticos, especialistas, acadêmicos e empresários do setor tecnológico, incluindo Elon Musk, pede a suspensão por seis meses dos experimentos com inteligência artificial (IA) mais potentes que o ChatGPT 4, modelo de OpenAI lançado neste mês, alertando para “grandes riscos para a humanidade”.

“A sociedade já apertou o botão de pausa em outras tecnologias com efeitos potencialmente catastróficos para ela. Podemos fazer o mesmo aqui. Vamos desfrutar um longo verão da IA, não nos precipitar despreparados num outono”, diz a carta aberta publicada pela organização sem fins lucrativos Future of Life Institute.

A petição pede uma moratória até que sejam estabelecidos sistemas de segurança com novas autoridades reguladoras, vigilância de sistemas de IA, técnicas que ajudem a distinguir entre o real e o artificial e instituições capazes de fazer face da “dramática perturbação econômica e política (especialmente para a democracia) que a IA causará”.

O documento leva mais de mil assinaturas. Além do bilionário Elon Musk, dono do Twitter e fundador da SpaceX e da Tesla, também apoiam o apelo o historiador Yuval Noah Hariri, o cofundador da Apple Steve Wozniak, membros do laboratório de IA DeepMind da Google, o diretor da Stability AI, Emad Mostaque, assim como especialistas e acadêmicos americanos de IA e engenheiros executivos da Microsoft, empresa aliada da OpenAI.”

Apesar dessas advertências, porém, o ritmo de avanço tecnológico em IA – e sua aplicação na sociedade – prossegue aceleradamente, inclusive pressionado pelo crescente competitividade entre o Ocidente e a China, à qual concorrem outras potências emergentes como Índia e Coreia do Sul, deixando-nos à mercê de um futuro cada vez mais incerto para a humanidade. Uma romancista residente na Turquia chega a nos dizer que, no rodar da carruagem, até 2070, teremos não apenas desempregados, mas mais de um bilhão de moradores em situação de rua no mundo.

Daí a conclusão de outro especialista, Cláudio Carraly, Advogado, Ex-Secretário Executivo de Direitos Humanos de Pernambuco em artigo “O Futuro das Inteligências Artificiais”:

“A chegada das tecnologias como Transformadores Pré-Treinados Generativos (GPT), BERT (Representações Bidirecionais de Codificadores de Transformadores) e T5 (Transformador de Transferência Texto-Para-Texto) revolucionou o campo da inteligência artificial, desenvolvidas por empresas como OpenAI e Google, essas inovações utilizam técnicas de aprendizado profundo para gerar textos semelhantes aos humanos, possibilitando uma ampla gama de aplicações, desde simples conversação até criação de conteúdo. À medida que olhamos para o futuro, o potencial dessas ferramentas parece ilimitado, mas também levanta questões significativas sobre o uso ético e o impacto social desses avanços tecnológicos.”

Não obstante, ainda é tempo de abrir os olhos e exigir dos Governos que avaliem com mais cuidado a evolução do uso da IA, de forma a preservar não apenas valores éticos e sociais implícitos neste processo, antes que a tempestade incontrolável da inovação desabe sobre nossas cabeças.

 

*** A opinião dos colunistas de A FOLHA Torres é independente e não necessariamente representa o posicionamento do veículo de comunicação***




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