OPINIÃO – DEBATE SOBRE UM ESTADO QUEBRADO FICA DIFÍCIL

A Saúde é tripartite e dependente de repasses federais, mas acontece nos hospitais e nos laboratórios estaduais, que consequentemente não conseguem entregar tudo aquilo que a nação e a constituição se propõem

11 de agosto de 2026
Coluna semanal de Fausto Jr. - A FOLHA - Torres - RS

Penso que fica complicado, principalmente para quem já está no “sistema político atual” e quer se manter dentro do corporativismo estatal brasileiro, debater sobre motivações e propostas para governar o Rio Grande do Sul. E o vazio de propostas coerentes acabou sendo o que se notou no debate entre candidatos ao governo gaúcho proporcionado de forma competente pela Rádio Gaúcha – em plataforma de rádio e de vídeo (via Youtube) – na quinta-feira, dia 6 de agosto.

Em minha opinião, a Constituição brasileira tem requintes claros socialista, mas que sobrevive sobre a realidade capitalista: obriga os governos a “sustentarem os cidadãos”, mas depende da produção e do consumismo capitalista, que geram os impostos para esse desafio praticamente distópico.

A Saúde é tripartite e dependente de repasses federais, mas acontece nos hospitais e nos laboratórios estaduais, que consequentemente não conseguem entregar tudo aquilo que a nação e a constituição se propõem: Saúde gratuita para todos e em tudo. Está um caos!

Na Educação é o mesmo.  O MEC define até as regras da educação privada que têm que ser obedecidas pelos estados e municípios. Mais uma vez o cidadão cobra dos prefeitos e governadores o resultado, mas estes não tem recursos suficientes, o que consequentemente coloca o Brasil nas últimas prateleiras do ensino no mundo, praticamente um rodapé no ranking.

Na Segurança Pública, a Constituição progressista brasileira (utópica – para mim) dá muitos direitos e poucos deveres ao cidadão. Mas obriga os estados federativos e operar o sistema que acaba sendo um prende & solta protagonizado nos municípios, através das policias militares, nas delegacias de polícia civil e nas comarcas espalhadas pelos estados como o nosso RS. Outro caos, que (em minha opinião) transformou presídios em algo como ‘hotel de vagabundo’.

O pacto federativo está colapsado, e o Rio Grande do Sul, por ter tido administrações corporativistas estatais desde a Constituição de 1988, faliu  – de fato e de direito… Só não ‘entrega as contas’ para o governo Federal porque esse não quer, justamente por estar administrando sobre o mesmo paradigma utópico (corporativismo estatal).

Penso eu que a mudança radical de modelo e dos caminhos das prioridades e da gestão – saindo de corporativismo estatal para ativismo de resultado –  é a única forma de se reverter isso. E remédios amargos terão de ser dados para a sociedade para que o sistema volte a ser produtivo e progressistas no RS,  indo para a frente ao invés de progredir para trás.




Veja Também





Links Patrocinados