Estamos mais uma vez no meio de várias tempestades reivindicatórias vindas de todos os lados, reinvidicaçíµes estas basicamente vindas de partes da sociedade que não são protagonistas das decisíµes que envolvem o Coletivo em nosso dia-a-dia. São professores estaduais em greve de três dias; são servidores públicos da cidade em estado de greve, reivindicando aumento salarial; são comerciantes da Vila São João pedindo mais segurança em seu bairro; são munícipes pedindo a implantação de esgotamento sanitário em suas ruas, enfim. A sociedade ativa, aquela que faz acontecer no dia-a-dia pede desesperadamente para que os tomadores de decisíµes públicas resolvam ou pelo menos minimizem seus problemas. Não vamos entrar aqui no caos do sistema de Saúde Pública, tão mal acreditado, que os donos de planos privados engordam suas contas a cada dia, sustentados pela classe média, pois basta ter uma sobra orçamentária que a existe a migração do SUS para o sistema pago.
E o Estado como um todo? Não tem recursos. Mesmo não o tendo, o Brasil aumentou consideravelmente as despesas fixas nos últimos anos. O Estado do RS também. O governo Tarso tratou de contratar 500 CCs caros para engordar o peso na tesouraria de pagamento de funcionários de confiança. Nos municípios o aumento de custos fixos é menor, mas mesmo assim assistimos acomodaçíµes de pessoas indicadas de vários partidos na Folha de Pagamento.
Mas o maior problema é a injustiça tributária. As cidades não chegam a ficar com 10% de todo os impostos recolhidos na nação, incluindo neste bolo os impostos municipais. Os Estados não ficam com mais de 20%. E o governo federal acaba engolindo 70%, a maior parte do bolo, bolo este sustentado e fermentado pelos altos impostos cobrados do trabalhador brasileiro em seu dia-a-dia de consumo e de produção no caso da classe média e alta. Trabalha-se cinco meses ao ano somente para pagar imposto, este é o cálculo.
Tudo isto que está sendo cobrado da população, a maioria das vezes com razão, acontece nas cidades. A pressão se realiza nas prefeituras, nas câmaras municiais. E as mazelas das greves são sentidas nos municípios, mesmo que elas sejam estaduais, como o caso dos professores aqui em Torres. í‰ claro que uma mazela de um município representa uma mazela para o Estado federativo e uma mazela para a nação. Mas a pressão real acontece aqui, na nossa rua, nas nossas escolas, na nossa segurança, na nossa sociedade. Não há, portanto, coerência desta pirâmide de recolhimentos tributária imperialista. Isto funcionaria se nós não tivéssemos direito de reclamar, de exigir, de cobrar de nossos políticos resultados. Mas aí não haveria necessidade de ter Câmaras, prefeituras plurais, Assembléias Legislativas com salários gordos e departamentalizada para supostamente atender o contribuinte. E ai não estaríamos reclamando, provavelmente não faltaria dinheiro. Mas não é assim. Escolhemos o sistema democrático de direito e estamos com ele totalmente implantado em todo o Brasil. Pagamos altos custos para isto e não vemos resultados.
Há de se inverter a pirâmide. As cidades deveriam receber a maioria dos tributos recolhidos compulsoriamente de nossos bolsos quando comemos, nos vestimos, moramos e fazemos nosso lazer. Os Estados deveriam ficar na mesma média; e a nação com a menor parte. Não há porque termos servidores nacionais fazendo a mesma coisa que estaduais e municipais e ganhando mais que seus pares; não há por que termos Câmara Federal e Senado gordos centralizados quando nossas Câmaras são limitadas e nossos executivos municipais ficam restritos í pouco, a menos que resolvam pedir esmola em Brasília para o governo ou para os agora poderosos deputados, que já sofreram como municipalistas e ao irem para Brasília parece que se vingam com a fartura do Planalto Central.
A única forma de mudarmos isto é exigirmos de nossos deputados federais que se unam e mudem esta realidade. Todos nós votamos em um deputado e em um senador. Se eles foram eleitos, cabe ao cidadão responsável que exija deles que iniciem uma mudança nesta verdadeira pirâmide invertida.


