O Pórtico

25 de março de 2012

 

Torres sempre viveu de promessas. Depois do verão será feito isso. Na próxima temporada será feito aquilo. Não deu para ser feito este ano, mas no ano que vem… A promessa mais antiga que eu conheço é a do Pórtico.

Sempre se falou como seria importante para Torres ter um Pórtico vistoso em sua entrada. Tanto se falou que eu fazia coro com todos que o pediam. Lembro que vários prefeitos prometeram a construção do tal Pórtico, mas os prefeitos se sucederam e nada. E com o passar dos anos ninguém mais falou em construir o tão almejado Pórtico. Alguns anos atrás foi feita a casa do Turista que aparentemente serviu de substituta para o desejado Pórtico. A casa do Turista ficou velha e desgastada e nada de Pórtico. No atual governo municipal a casa do Turista foi reconstruí­da, mas nem se cogitou a construção do famigerado Pórtico. Acho que foi esquecido no passado.

Portíµes ou pórticos valem por dois aspectos: como identificação urbana e como sinal de acolhimento. […] Servem para individualizar a cidade, distingui-la das demais.

Será que Torres não merece se destacar das demais tendo um Pórtico que faça sentido. Não como os de Capão da Canoa e Capão novo que não dizem nada e tampouco oferecem a acolhida adequada ao visitante. Mas como os de Gramado, Bento Gonçalves e Blumenau, destacados por Ruschel.

Um Pórtico tem que estar ligado diretamente a identidade da cidade ou região e passar esta impressão a quem chega. Além disso, ele não pode ser somente a arquitetura e o paisagismo, ele tem que ter a emoção, a acolhida, o lado humano. E para isso é necessário ter pessoas preparadas para receber, informar e acolher os visitantes.

Ruschel em um artigo há 24 anos, sugeriu como deveria ser este Pórtico.

Torres é a única cidade brasileira que merece um pórtico desse gênero, porque é a única que se chama ˜Torres™ e tem por brasão as três torres de uma muralha. […] seria um pórtico (dupla via) com três torres de castelo, lembrando o brasão da cidade construí­do ou revestido de arenito (pedra laje)na base, de basalto (pedra ferro) em cima para lembrar a própria formação geológica das 3 torres naturais que apelidaram a cidade.

Ele vai mais longe sugerindo até o seu funcionamento com uma grande riqueza de detalhes. Quem tiver a curiosidade de saber procure o livro na biblioteca municipal e leia na página 695.

Alguns dirão: Para que um pórtico se já temos um ponto de informaçíµes turí­sticas chamado Casa do Turista? Simples, porque as Casa do Turista funciona como uma conciergerie, ou seja, serve para atender quem já está na cidade e não para quem está chegando. Basta observar o lugar onde está localizada e em que lado da rua está.

Uma boa recepção e um adequado acolhimento pode fazer com que o turista entre e fique na cidade. Talvez permaneça até mais tempo do que o programado.

Mais uma vez, a resposta que hoje procuramos pode estar no passado.

Roni Dalpiaz

Site: www.ronidalpiaz.com.br                                       e-mail: ronidalpiaz@gmail.com

Referências

RUSCHEL, Ruy Ruben. Torres tem história. Porto Alegre: EST, 2004.

 


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