Por Guilherme Rocha
O Ministério Público Federal realizará um estudo para analisar o impacto de edificaçíµes construídas junto as dunas na orla marítima, em áreas de preservação permanente (APP). Assim, os quiosques da Praia Grande estão ameaçados mais uma vez com a possibilidade de demolição. A medida vale para todo o litoral gaúcho, desde Torres até Pinhal. Já as edificaçíµes localizadas nas margens do rio Mampituba não serão notificadas.
MP analisará áreas irregulares em todo o litoral
Mais uma vez em pauta a polêmica possibilidade de demolição dos quiosques localizados na Praia Grande. Município, FEPAN e quiosqueiros são réus de ação proposta pelo Ministério Público Federal e pela União, que pede pela retirada de todos as construçíµes, sejam residenciais ou comerciais, estabelecidas em íreas de Preservação Permanente (APP) junto as dunas. Já as edificaçíµes localizadas nas margens do Rio Mampituba não foram autuadas.
Segundo o procurador de Torres, Marcello Salvador, foi decidido em reunião na quarta-feira (21), realizada na comarca de Capão da Canoa, que será formada uma equipe técnica, composta por profissionais representando o Ministério Público a União e os municípios, para estudar, caso a caso, todas as áreas do litoral gaúcho que encontram-se em situação irregular. O estudo dos casos deve ser breve, podendo estar já pronto dentro de um mês, e a partir desta analise será definido o futuro destas edificaçíµes. Durante este período, todos os processos estarão suspensos. Não trata-se de uma medida isolada contra os quiosques de Torres, mas sim uma ação de cunho federal e que vale para todo o litoral, desde Torres até Pinhal conclui o procurador
Em dezembro do ano passado, a FEPAM, pressionada pelo Ministério Público Federal, entregou uma notificação aos quiosqueiros da Praia Grande, determinando a demolição de todas as construçíµes fundadas junto as dunas da Beira-Mar num prazo de 30 dias. Isto ocorreu pois estes prédios estariam indo contra a lei ao invadir uma área ambientalmente protegida. A lei ambiental, porém, é muito mais recente que os estabelecimentos í beira mar, que já são uma base turística tradicional em nossa cidade, oferecendo serviços e um ponto de encontro tanto ao turistas quanto ao morador. Os proprietários dos quiosques, por sua vez, mobilizaram-se, e formaram uma assessoria jurídica para defender,administrativa e ambientalmente, os seus estabelecimentos. A briga jurídica esfriou durante o veraneio, mas agora o MP decidiu retomar a questão.
Preocupação dos quiosqueiros
Ainda que nada esteja definido quanto a demolição dos quiosques, o assunto causa preocupação aos que estão diretamente envolvidos. Rafael Brito Didu é o responsável pelo quiosque Foundue Sedução, e foi pego de surpresa ao saber da nova possibilidade de demolição. Com certeza quem está tomando esta decisão não pensa no futuro das dezenas de famílias que dependem do trabalho nos quiosques durante o verão para sobreviver. A população e os turistas também ficam sem voz. A verdade é que ainda dependemos majoritariamente do turismo por aqui, e demolir os quiosques seria voltar um grande passo atrás no turismo. Didu ainda questiona: Primeiro a prefeitura faz uma bela reforma no calçadão, melhora a infraestrutura na beira-mar, e agora querem demolir tudo? Não faz sentido.
Outra quiosqueira, que preferiu não se identificar, diz: Se me tirarem aqui do quiosque eu acho que eu morro. Faz muitos anos que trabalho aqui, é o que sei fazer e dou o sangue pelo meu trabalho inverno e verão. Não tenho educação e vou ficar na miséria se me tirarem do meu quiosque. Nós não somos contra a natureza, queremos uma praia limpa e bonita também, se tivermos que regularizar nossa situação para continuar aqui é o que vamos fazer. Agora, demolir aquilo que foi fruto de anos de trabalho para muita gente, um espaço que já é tradicional em Torres, isso seria muita falta de respeito.
Opiniíµes divididas entre moradores e turistas
Entre os moradores e turistas de Torres, a questão divide opiniíµes. Turistas de Gravataí, o casal Greice e Juliano da Rosa não vê razão para demolição dos quiosques. Não sei o que está por traz desta lei, mas acho que os quiosques são uma ótima opção para quem quer ficar na beira da praia e ter a mordomia dos restaurantes, crepes e sorvetes a disposição. O estudante Lucas Brocca, 21 anos, também é contra a demolição, e argumenta: Torres no verão já não tem muitas opçíµes para quem quer se divertir, e se tirarem os quiosques essa cidade vai virar mais monótona ainda.
Já a aposentada Marlene França pensa que a melhor solução seria encontrar um meio termo. Particularmente eu sou contra os quiosques, pois acho que eles atraem um público duvidoso para Torres. Eu mesma deixei de ir na Praia Grande por causa da zueira que se tornou a praia por lá, lotada de gente mal educada jogando lixo para todos os lados. Mas penso também nas pessoas que trabalham lá e vão perder seus empregos, por isso acho que a melhor opção seria mudar os quiosques de lugar, acabando com a confusão e deixando a cidade mais bonita, finaliza.


