ANOREXIA

1 de abril de 2012

 

Por Antoniela Vieira

 

Anorexia nervosa é uma desordem caracterizada por uma imagem distorcida do próprio corpo e um medo mórbido de engordar, o que leva í  recusa por manter um peso minimamente normal. Anorexia significa "falta de apetite", mas, na realidade, ocorre uma negação consciente para se alimentar e com o transcorrer do tempo, a falta de apetite se concretiza. Os anoréxicos fazem de tudo para anular seu apetite e conseqí¼entemente emagrecerem, e quanto mais emagrecem, mais se sentem gordos, desenvolvendo um ciclo vicioso que pode ser fatal. As pessoas que sofrem de anorexia nervosa na verdade têm muita fome e são preocupadas com comida.

O sintoma mais importante é na esfera alimentar. As pacientes se recusam a ingerir alimentos, principalmente os ricos em carboidratos e gorduras (inicialmente carboidratos e posteriormente as gorduras). Normalmente apresentam apetite "caprichoso" de poucos ou até de um único alimento.

Embora ingiram pouca quantidade de comida, nunca o fazem em lugares públicos e o tempo que se utilizam para completarem uma refeição é fantástico, chegam a levar horas a fio para terminarem um simples almoço, sendo que os alimentos levados í  boca ficam sem serem mastigados por vários minutos.

A pele seca, amarelada, os cabelos finos e quebradiços e uma leve alopecia (queda de cabelos) conferem a essas pacientes uma aparência bastante envelhecida, apesar de muito jovens. Podem ter também a presença de pilosidade pela pele (lanugo). Ocorre a interrupção do ciclo menstrual, que para estudiosos se daria mesmo sem perda significativa de peso, surgindo como primeiro sintoma.

Em sua grande maioria as pacientes apresentam como caracterí­stica um tremendo cuidado com organização (todos os seus objetos de uso pessoal são muito bem guardados, limpos e de certa maneira conferindo até um certo ritual obsessivo) e um senso de responsabilidade muito apurado. As anoréxicas demonstram ainda um interesse especial pelo valor nutritivo de cada alimento, lêem e estudam muito a esse respeito. Por vezes, são exí­mias cozinheiras e passam grande parte do tempo tentando melhorar as condiçíµes nutricionais de seus familiares, confeccionando pratos sofisticados e exigindo que ingiram grandes quantidades, enquanto elas nada comem.

Na maioria das vezes a preocupação excessiva com seu próprio corpo poderá se confundir com vaidade. Não raramente, as ví­timas da anorexia passam horas mirando-se nos espelhos, submetem-se a exercí­cios fí­sicos exaustivos (mesmo quando sentadas ou em repouso, movimentam incessantemente seus membros com o objetivo de queimar calorias e conseqí¼ente perda de peso) e as horas de sono são extremamente diminuí­das. São alunas dedicadas, estudam exageradamente.

As causas da anorexia nervosa são desconhecidas, mas diversos fatores parecem contribuir para a desordem, como aspectos sociais, familiares, ambientais e genéticos.

As anoréxicas, com sua luta diuturna em perder peso, acabam não apresentando os caracteres sexuais secundários, conferindo-lhes uma identidade infantil, o que pode ser uma manifestação do desejo í­ntimo de ser uma eterna criança. Comprovando este fato, no Serviço de Psiquiatria da Infância e da Adolescência do Hospital das Clí­nicas, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, foi constatado que 10 pacientes anoréxicas submetidas a tratamento psicoterápico manifestavam desejo de terem idades entre sete e dez anos.

Em 1983, Gershon realizou o primeiro estudo genético com 99 parentes em primeiro grau de 24 anoréxicas e 265 parentes em primeiro grau de um grupo controle normal. Nessa amostragem, concluiu-se que 2% das parentes do primeiro grupo apresentavam sintomas de anorexia, contra 0 % do grupo controle Outros estudos mostraram resultados semelhantes. Isso nos leva a pensar em uma etiologia genética para a Anorexia, apesar de ser muito prematura essa afirmação face aos poucos dados estatí­sticos.

A Anorexia Nervosa acomete basicamente o sexo feminino, na razão de 8-10 vezes mais em comparação ao masculino. Sua incidência tem aumentado muito nos últimos anos. Nos Estados Unidos e Europa observou-se um crescimento de cerca de 10 vezes em 30 anos. Especialistas afirmam que a Anorexia é muito rara na ísia, Paí­ses írabes e ífrica. As mulheres brancas ocidentais de classes sócio-econí´micas média-alta e alta têm maior incidência de Anorexia que as demais.

Os autores de estudos, de um modo geral, chamam a atenção para a grande incidência nas escolas de dança (ballet) e entre manequins, sendo a mesma de 1-4 %. Outras constataçíµes verificadas pelos pesquisadores: é maior a incidência em escolas particulares do que em escolas públicas e as anoréxicas, de um modo geral, possuem um ní­vel de inteligência acima da média. A incidência na América do Norte e Europa (ano 2000) e de 3,6%, para faixa etária compreendida entre 10-30 anos de idade.

O surgimento da anorexia normalmente ocorre no iní­cio da adolescência. O iní­cio dos primeiros sintomas se dá de forma bimodal, entre 13-14 e 16-17 anos, tendo dois picos de maior incidência aos 14 e 16 anos de idade.

Segundo alguns especialistas, as famí­lias de anoréxicas apresentam como traço marcante a falta de limites entre membros da mesma, não se respeitando suas individualidades. Na grande maioria das vezes são lares de excelentes condiçíµes econí´micas, com caracterí­sticas peculiares de tendências perfeccionistas, preocupaçíµes estéticas e de padríµes alimentares. A mãe normalmente é ligada a atividades profissionais de livre iniciativa e possui grande capacidade laborativa. Dentro de casa tem presença marcante, procura ter controle total de tudo e todos e dirige suas preocupaçíµes í  aparência fí­sica que a confere dessa forma um papel castrador, inibindo sua filha de formar sua própria personalidade. O pai é, geralmente, bem sucedido profissionalmente. Tem participação afetiva discreta ou mesmo ausente no âmbito familiar. Em muitos casos participa de aventuras extraconjugais, o que frustra a mãe, levando-a a buscar na filha uma aliada contra o marido.

Estatí­sticas mais otimistas de pacientes anoréxicos tratados reportam 4% de óbitos e as mais catastróficas em 30%.

Os pais devem ficar atentos ao comportamento dos seus filhos uma vez que o anoréxico possui uma excepcional capacidade de persuasão, e assim fazem-lhes acreditar que eles não apresentam nenhuma alteração fí­sica ou psicológica.


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