Secretário do RS palestra em Torres e mostra a triste realidade da Segurança Pública

1 de abril de 2012

 

 Esteve palestrando em Torres na última quarta-feira, o secretário de Segurança do Estado do RS Airton Micheles. Ele participou da abertura de mais uma edição do encontro anual da União dos Vereadores do Rio Grande do Sul (UVERGS), que aconteceu na Câmara Municipal de Torres durante a quarta, quinta e sexta feiras.

Micheles fez um balanço da Segurança Pública no RS e de certa forma no Brasil. Ele divulgou dados oficiais preocupantes: Por exemplo: para cada 10 homicí­dios no Brasil, em menos de dois casos são identificados os autores. Isto quer dizer que os assassinatos na nação estão praticamente imunes por falta de capacidade investigatória. No RS a situação e melhor, mas também gera a mesma preocupação. A cada 10 assassinatos, somente dois ou três são identificados, consequentemente levados í  justiça. Um dado que explica a verdadeira prisão   que se encontram os  cidadãos do RS, principalmente nas cidades grandes, onde as famí­lias cercam suas casas como se presos estivesses e acabam gastando mais dinheiro em segurança pessoal do que deveriam, no caso das classes mais abastadas financeiramente. Já as classes mais baixas se obrigam a rezar, é o que resta.

 

Querem que prendam mas não querem presí­dios…

 

O secretário de segurança também reclamou da falta de solidariedade pública de muitas comunidades no RS. As pessoas querem que prendamos os criminosos, mas não querem nem saber de presí­dios em suas cidades, reclamou Micheles. Ele lembrou que a população carcerária no Brasil já passa de 500 mil pessoas; que a participação das mulheres neste contingente vem crescendo, passando de menos de 2% há duas décadas para em torno de 10% atualmente;  e afirmou que o maior problema de segurança pública do Rio Grande do Sul atualmente se chama Presí­dio Central. í‰ que a principal casa prisional do Estado tem capacidade para 1.800 presos, mas abriga atualmente mais de 5.000.   O Presí­dio Central do RS é o presí­dio com a maior superlotação da América Latina e é uma bomba que pode explodir a qualquer momento, disse.

Mas o secretário divulgou algumas boas notí­cias, se se pode chamá-las de boas… Ele mostrou que o Estado do RS, de 2008 para cá teve uma diminuição de 10%  em seus í­ndices de  criminalidade. O que assusta agora é que estes í­ndices não vêm sendo constantes, ou seja, congelou e não vem tendo avanços percentuais.   Micheles disse que a única forma de haver resultado nesta luta diária é com a participação dos municí­pios no processo, embora não tenha fugido da admissão que a responsabilidade maior pela segurança pública é, sim, do Estado federativo, que coordena a Polí­cia Civil, a Brigada Militar e a SUSEPE (Sistema Penitenciário).   Tí­nhamos 20% de pessoas nas áreas urbanas na metade do século passado, hoje a situação se inverteu. Temos 20% de pessoas somente nos campos, o que gerou uma aglomeração muito grande nas cidades, o principal fato gerador da insegurança, lembrou o secretário de Estado.

 

Polí­ticas Públicas

 

O lí­der do sistema de segurança do RS listou algumas polí­ticas públicas atuais que podem ser implementadas nas cidades. Uma delas serviu, inclusive, como uma das idéias que podem ser implantadas aqui em Torres. Trata-se do projeto Território da Paz, onde um soldado da BM é ajudado financeiramente pela prefeitura para passar a viver em um bairro em situação crí­tica de segurança. A polí­tica pública acredita que o conví­vio com a comunidade por policiais pode ajudar, tanto na segurança e medidas preventivas em si, como com uma melhor contextualização oferecida pelo policial í  seus superiores, para que, com estas ferramentas, introduzam outras estratégias de ação no local.

 

Respostas para a Vila São João

 

Após a palestra o secretário Airton Micheles foi pessoalmente í  vila São João. Lá empresários lí­deres do movimento que demanda mais segurança no bairro torrense o esperavam para um encontro pontual. A ex-vereadora Ní­lvia, atual candidata virtual pelo PT para a prefeitura na eleição de outubro próximo,  acompanhou o secretário, também do PT. Ela lembrou que a visita de um secretário de Segurança na Vila São João é histórica, pois até então este fato não havia ocorrido.

No encontro,  várias idéias foram colocadas. O vereador José Ivan Pereira contextualizou muito bem a situação da Vila. Lembrou que se trata de um lugar que demanda inclusive a independência polí­tica, pois possui mais de oito mil moradores. O vereador Rogerinho sugeriu que houvesse uma ajuda do efetivo da BM que trabalha no Posto Fiscal, há 100 metros do bairro. Já o prefeito em exercí­cio,   Pardal, sugeriu que militares aposentados passassem a trabalhar em bairros como a Vila em uma parceria entre o governo do Estado e prefeitura, e colocou a administração í  disposição para tratativas futuras.

Micheles se comprometeu a trabalhar em um projeto de melhorias para o bairro publicamente. Pediu, inclusive, que a comunidade o cobrasse pessoalmente sobre isto. Uma das idéias seria a de colocar a Vila São João em uma posição mais bem servida na distribuição de Câmeras de seguranças, já adquiridas pela secretaria de segurança, em implantação no Litoral Norte. Outra possibilidade que foi sugerida pelo secretário seria um projeto de melhorias na iluminação local, atualmente com problemas justamente aí­, em um embate com o DNIT sobre quem deve pagar a conta das luminárias instaladas na BR 101, ainda apagadas.

A questão da implantação do Território da Paz no bairro acabou ficando quase que certa. Basta agora que o trabalho se concretize através das parcerias entre comunidade, BM, Prefeitura e Governo do Estado.

 

 

Na Vila, com autoridades e empresários locais, secretário comprometeu-se  

e pediu para que cobrem dele daqui a 30 dias    


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