A descoberta de mais um corrupto em Brasília gerou comentário de teóricos sobre o assunto. O mais recente caso no Brasil, a descoberta de possíveis atos de corrupção ativa e passiva do senador Demóstenes Torres, trouxe í tona mais uma vez os burocratas da teoria da possibilidade de haver algum político imune na nação. Mas não há. A expressão decoro parlamentar acaba sendo utilizada por estes teóricos da ficção chamada pureza na política do Brasil como uma das premissas a serem seguidas por políticos que querem entrar na turma dos homens ou mulheres sérios da nação. Mas estes teóricos de analises políticas projetando conceitos utópicos, que se dizem cientistas políticos ou analistas de política de jornais de redes de comunicação poderosos não se dão conta que eles próprios estão sendo sustentados (e muito bem) por dinheiro que é de origem justamente desta falta de decoro.
Em Zero Hora desta segunda-feira (2/4) um cientista político da UNB diz que o problema maior enfrentado pelo político da vez pego em supostos atos de corrupção, Demóstenes Torres, seria a relação dele com Carlinhos Cachoeira, acusado se ser um dos chefes do jogo do bicho no Brasil. Para o cientista na UNB, um político sério não pode mostrar sequer relaçíµes de amizade com contraventores. Para ele se trata de falta de decoro. O senador Pedro Simon comenta o assunto como uma forma inaceitável do rapaz (como chama o senador gaúcho na mesma matéria de ZH o senador Demóstenes) se comportar, afirmando que o mesmo é um com o microfone na mão e dentro das paredes do Senado e outro na vida real.
Ora. Em um país onde o jogo do bicho é considerado normal e um os maiores financiadores do Carnaval do Rio de Janeiro, como se deduz, pois todos os bicheiros flagrados estão de certa forma ligados a uma escola de samba; país este onde o Carnaval é o maior evento midiático especial, transmitido para todo o mundo e vendido pelas TVs a preço de ouro, não se pode admitir que a mesma TV em seu editorial ou através de seus comentaristas diga que ser amigo de bicheiro é falta de decoro. Falta de decoro e dissimulação é ganhar todo este dinheiro vindo da ilegalidade e acusar alguém, justamente financiador destas fontes, de ser causador de falta de decoro para quem é visto com ele.
Um senador que é do PMDB, um dos partidos com maior participação na dispendiosa e poderosa mídia de TV nacional, que paga milhíµes e milhíµes por suas campanhas espalhadas por toda a nação, não tem moral para um senador de seu quadro principal, que é um dos ícones desta mesma exposição midiática, dizer que um membro de outro partido deve abandonar a política por se relacionar com o mesmo bicheiro. O senador Simon e seu partido sabem que o caixa dois é normal nos partidos grandes da nação, ou não? Sem caixa dois, como os partidos conseguiriam pagar estas exposiçíµes na mídia? Com o Fundo partidário? Claro que não.
O DEM, partido do senador pego em atos duvidosos, também se ridiculariza perante a opinião pública ao querer expulsar o senador Demóstenes. As investigaçíµes indicam que teriam sido desviados R$ 50 milhíµes através do esquema. Será que foi só para a campanha de Demóstenes Torres? Claro que não, assim como outros líderes também expulsos não angariavam fundos obscuros somente para suas campanhas. O sistema de arrecadação é este, se não, não haveria dinheiro para bancar as campanhas de TVs, que enriquecem emissoras que também sequer coram ao falar de falta de decoro.
O Sistema de poder público no Brasil está formatado, há muitos anos, como uma fácil portas de entradas para operaçíµes de quadrilhas. O dinheiro tem comprado pessoas dos três poderes para manter o esquema. Os poderes executivos, legislativos e judiciários centrais, lá em Brasília, sustentam este sistema e tratam de abortar qualquer movimento de mudança, utilizando métodos nada éticos para falarem de decoro. A mídia de TV ataca, mas ataca exercitando o que se chama na gíria de pregar moral de cuecas. As TVs nacionais dependem em seus orçamentos de dinheiro vindo da própria política através das campanhas milionárias anuais e de atividades pouco louváveis como Carnaval, por exemplo.
Portanto a maior falta de decoro destas instituiçíµes é falar em falta de decoro. Do jeito que está, seria melhor que esta palavra fosse retirada de nosso vocabulário.


