EDITORIAL – Falta de decoro… Faça-me um favor!

8 de abril de 2012

 

A descoberta de mais um corrupto em Brasí­lia gerou comentário de teóricos sobre o assunto. O mais recente caso no Brasil, a descoberta de possí­veis atos de corrupção ativa e passiva do senador Demóstenes Torres,  trouxe í  tona mais uma vez os burocratas da teoria da possibilidade de haver algum polí­tico imune na nação. Mas não há. A expressão decoro parlamentar acaba sendo utilizada por estes teóricos da ficção chamada pureza na polí­tica do Brasil como uma das premissas a serem seguidas por polí­ticos que querem entrar na turma dos homens ou mulheres sérios da nação.   Mas estes teóricos de analises polí­ticas projetando conceitos utópicos, que se dizem cientistas polí­ticos ou analistas de polí­tica de jornais de redes de comunicação poderosos  não se dão conta que eles próprios estão sendo sustentados (e muito bem) por dinheiro que é de origem justamente desta falta de decoro.

Em Zero Hora desta segunda-feira (2/4) um cientista polí­tico da UNB diz que o problema maior enfrentado pelo polí­tico da vez pego em supostos atos de corrupção, Demóstenes Torres, seria a relação dele com Carlinhos Cachoeira, acusado se ser um dos chefes do jogo do bicho no Brasil. Para o cientista na UNB, um polí­tico sério não pode mostrar sequer relaçíµes de amizade com contraventores. Para ele se trata de falta de decoro.   O senador Pedro Simon comenta o assunto como uma forma inaceitável do rapaz (como chama o senador gaúcho na mesma matéria de ZH o senador Demóstenes) se comportar, afirmando que o mesmo é um com o microfone na mão e dentro das paredes do Senado e outro na vida real.

Ora. Em um paí­s onde o jogo do bicho é considerado normal e um os maiores financiadores do Carnaval do Rio de Janeiro, como se deduz, pois todos os bicheiros flagrados estão de certa forma ligados a uma escola de samba;  paí­s este onde o Carnaval é o maior evento midiático especial, transmitido para todo o mundo e vendido pelas TVs a preço de ouro, não se pode admitir que a mesma TV em seu editorial ou através de seus comentaristas diga que ser amigo de bicheiro é falta de decoro. Falta de decoro e dissimulação é ganhar todo este dinheiro vindo da ilegalidade e acusar alguém, justamente financiador destas fontes, de ser causador de falta de decoro para quem é visto com ele.

Um senador que é do PMDB, um dos partidos com maior participação na dispendiosa e poderosa mí­dia de TV nacional, que paga milhíµes e milhíµes por suas campanhas espalhadas por toda a nação, não tem moral para um senador de seu quadro principal, que é um dos í­cones desta mesma exposição midiática, dizer que um membro de outro partido deve abandonar a polí­tica por se relacionar com o mesmo bicheiro. O senador Simon e seu partido sabem que o caixa dois é normal nos partidos grandes da nação, ou não? Sem caixa dois, como os partidos conseguiriam pagar estas exposiçíµes na mí­dia? Com o Fundo partidário? Claro que não.

O DEM, partido do senador pego em atos duvidosos, também se ridiculariza perante a opinião pública ao querer expulsar o senador Demóstenes. As investigaçíµes indicam que teriam sido desviados R$ 50 milhíµes através do esquema. Será que foi só para a campanha de Demóstenes Torres?   Claro que não, assim como outros lí­deres também expulsos não angariavam fundos obscuros somente para suas campanhas. O sistema de arrecadação é este, se não, não haveria dinheiro para bancar as campanhas de TVs, que enriquecem emissoras que também sequer coram ao falar de falta de decoro.

O Sistema de poder público no Brasil está formatado, há muitos anos, como uma fácil portas de entradas para operaçíµes de quadrilhas. O dinheiro tem comprado pessoas dos três poderes para manter o esquema. Os poderes executivos, legislativos e judiciários centrais, lá em Brasí­lia, sustentam este sistema e tratam de abortar qualquer movimento de mudança, utilizando métodos nada éticos para falarem de decoro. A mí­dia de TV ataca, mas ataca exercitando o que se chama na gí­ria de pregar moral de cuecas.  As TVs nacionais dependem em seus orçamentos de dinheiro vindo da própria polí­tica através das campanhas milionárias anuais e de atividades pouco louváveis como Carnaval, por exemplo.  

Portanto a maior falta de decoro destas instituiçíµes é falar em falta de decoro. Do jeito que está, seria melhor que esta palavra fosse retirada de nosso vocabulário.  


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