Quem acompanha a política brasileira percebe que 2026 promete ser mais uma eleição de nervos à flor da pele. De um lado, o campo político liderado pelo presidente Lula. Do outro, a direita, ainda fortemente influenciada pelo bolsonarismo. No meio dessa disputa, existe um personagem que muitas vezes é esquecido: o cidadão.
Aqui em Torres, como em tantas cidades do Litoral Norte, a política nacional parece distante até o momento em que suas decisões batem à nossa porta.
Quando aumenta o custo de vida, quando o trabalhador enfrenta dificuldades, quando o empresário calcula se vale a pena contratar, quando o produtor precisa lidar com impostos e burocracia ou quando o município depende de recursos de Brasília, a política deixa de ser assunto de televisão e passa a fazer parte da vida real.
E é justamente por isso que precisamos discutir política com menos paixão e mais responsabilidade.
Não há problema algum em ser de esquerda, de direita ou de centro. O problema começa quando deixamos de enxergar erros porque foram cometidos pelo nosso lado.
O governo Lula deve ser cobrado por aquilo que faz de errado, assim como deve ter seus acertos reconhecidos. O mesmo vale para a oposição e para o campo político ligado ao ex-presidente Bolsonaro. Criticar um lado não significa obrigatoriamente defender o outro.
Essa talvez seja uma das maiores dificuldades do Brasil atual: admitir que nenhum político é dono da verdade.
Torres conhece bem a diferença entre discurso e realidade. Somos uma cidade turística, com uma economia que depende fortemente do movimento de visitantes, do comércio e dos serviços. Temos desafios que não aparecem necessariamente nos grandes debates de Brasília: mobilidade, infraestrutura, segurança, preservação ambiental, qualificação profissional, saúde e planejamento para crescer sem perder aquilo que torna a cidade especial.
Por isso, quando chegar a hora de votar, talvez seja importante fazer algumas perguntas simples.
O candidato conhece a realidade das cidades fora dos grandes centros?
Tem propostas concretas ou apenas frases de efeito?
Como pretende financiar aquilo que promete?
E, principalmente: depois de eleito, continuará lembrando de Torres?
Também precisamos olhar com atenção para as eleições proporcionais. Deputados e senadores têm enorme influência sobre os recursos e decisões que chegam aos municípios. Não basta escolher um candidato porque ele aparece muito nas redes sociais ou porque pertence ao partido que simpatizamos.
É preciso conhecer sua trajetória.
A democracia não exige que pensemos igual. Exige que saibamos conviver com quem pensa diferente. Talvez Torres possa dar sua contribuição para esse debate nacional justamente mostrando que a vida real é maior do que a polarização.
Aqui, depois que termina a discussão política, vizinhos continuam se encontrando, comerciantes continuam abrindo suas portas, trabalhadores continuam seguindo para seus empregos e famílias continuam vivendo suas vidas.
No fim, ninguém mora dentro de uma hashtag.
Moramos em cidades. Temos ruas, escolas, hospitais, empresas, praias, bairros e problemas concretos.
Brasília continuará fazendo barulho. Os candidatos continuarão disputando espaço. As redes sociais continuarão produzindo certezas instantâneas. Mas o eleitor de Torres pode fazer algo diferente: ouvir todos, desconfiar dos discursos fáceis e escolher pelo que realmente importa.
Porque eleição passa.
O mandato fica.
E a cidade continua aqui, cobrando a conta.
