Mais uma vez, nesta semana, vamos às ruas e lugres de Torres conhecer um pouco melhor as pessoas que estão por trás de alguns desses nomes que vemos nas placas todos os dias, muitas vezes sem imaginar a história que existe por trás deles.
Praça Severiano Rodrigues da Silva
Severiano Rodrigues dá nome a uma praça que, infelizmente, parece ter sido esquecida pela população torrense: a praça em frente à Igreja Matriz São Domingos.
Severiano nasceu na Roça da Estância, região que hoje faz parte do município de Mampituba, e começou a participar da vida política torrense a partir da Revolução de 1923, quando Chimangos e Maragatos disputavam o poder no Rio Grande do Sul.
A disputa entre Borgistas, os chamados Chimangos, e Assisistas, os Maragatos, dividiu politicamente o estado depois do contestado processo eleitoral que manteve Borges de Medeiros no governo. Severiano já era delegado de polícia em 1925 e, muitos anos depois, em 1949, foi eleito prefeito de Torres.
Nos dois primeiros anos de seu mandato, promoveu uma série de mudanças na cidade. Calçou ruas, renovou a usina termelétrica, embelezou e arborizou as praças, abriu estradas pelo interior do município e trabalhou na melhoria das que já existiam.
Foi também durante seu único mandato que Torres ganhou importantes obras e passou por algumas transformações. Foi construída a nova sede da Prefeitura, prédio que hoje abriga o Museu Municipal; surgiu o grande prédio da SAPT; avançaram as ações contra as dunas que ameaçavam a cidade; e foram construídos o prédio dos Correios e o Hospital Nossa Senhora dos Navegantes.
Severiano participou, portanto, de um período de transformação de Torres, quando a pequena vila começava a assumir características de uma cidade em crescimento.
E havia ainda o personagem. “O índio endiabrado”, como era conhecido por alguns, tinha também seu lado folclórico, mas, acima de tudo, deixou a marca de um administrador que participou ativamente de uma fase importante da história de Torres.
Hoje, seu nome está em uma praça. Mas talvez pouca gente saiba disso. E menos gente ainda, provavelmente, saiba quem foi Severiano Rodrigues.
Uma praça em frente à Igreja Matriz, em um dos lugares mais antigos e importantes da cidade, poderia contar muito dessa história. Poderia ter uma placa, um painel, alguma coisa que dissesse aos moradores e visitantes quem foi aquele homem.
Porque, convenhamos, para uma figura como Severiano Rodrigues, um nome de praça é muito pouco.
Passarela Jayme Pozzi

Jayme Pozzi foi um dos nomes ligados à história da hotelaria e do turismo de Torres. Ao lado de seu irmão, Ênio Pozzi, esteve à frente do Farol Hotel, um dos estabelecimentos tradicionais da cidade e que, durante décadas, recebeu veranistas e visitantes.
Naqueles tempos em que o turismo de Torres ainda estava se formando e os grandes hotéis tinham papel importante na vida da cidade, o Farol Hotel era uma referência para quem chegava para passar a temporada. Os hotéis não eram apenas lugares para dormir. Eram também parte da própria experiência do veraneio e do movimento que começava a transformar Torres em destino turístico.
A lembrança de Jayme Pozzi permanece em um lugar bastante conhecido dos torrenses: a passagem sobre a Lagoa do Violão. Pela Lei Municipal nº 2.527, de 1991, a tradicional passarela de pedestres recebeu oficialmente o nome de Passarela Jayme Pozzi.
É curioso pensar que muitas pessoas atravessam aquela passarela diariamente sem saber quem foi Jayme Pozzi. E talvez essa seja uma das características mais interessantes dos nomes de ruas, praças e outros espaços públicos: eles continuam fazendo parte da cidade mesmo quando a história das pessoas que homenageiam vai desaparecendo.
No caso de Jayme Pozzi, a homenagem está em um lugar de passagem. Uma passarela que liga um lado ao outro da Lagoa do Violão e que, de certa maneira, também pode nos levar de volta a uma época em que a hotelaria, o veraneio e o turismo começavam a construir a Torres que conhecemos hoje.
A passarela continua ali. O nome também. Falta apenas que a história de quem lhe deu o nome continue sendo contada.
Rua Alexandrino de Alencar
Alexandrino Faria de Alencar (1848–1926), mais conhecido como Almirante Alexandrino de Alencar, foi uma das figuras de destaque da Marinha brasileira durante os primeiros anos da República.
Nascido em Rio Pardo, no Rio Grande do Sul, ingressou ainda jovem na Marinha e participou da Guerra do Paraguai. Mais tarde, esteve envolvido no movimento republicano e, depois da Proclamação da República, comandou o encouraçado Riachuelo, que participou da escolta do navio Alagoas, onde viajavam membros da família imperial brasileira rumo ao exílio.
Sua carreira foi além da vida militar. Alexandrino de Alencar foi senador pelo Amazonas e ocupou o cargo de ministro da Marinha em três períodos, durante os governos de Afonso Pena, Venceslau Brás e Artur Bernardes. Como ministro, esteve ligado às reformas e à modernização da Marinha brasileira em um período de grandes transformações nas Forças Armadas.
E o que esse almirante, nascido em Rio Pardo e ligado à história nacional, tem a ver com Torres? Ao que tudo indica, apenas uma placa de rua.
A Rua Alexandrino de Alencar está no centro da cidade, é uma rua por onde muitos torrenses e visitantes passam diariamente, provavelmente sem imaginar que seu nome homenageia um personagem que ocupou posições importantes na história política e militar do Brasil.
É mais um daqueles casos em que a placa está ali, todos os dias, cumprindo sua função de indicar o nome da rua. Mas, para quem quiser saber um pouco mais, ela também pode ser uma pequena porta de entrada para a história.
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