Coluna Roni Dalpiaz – Turismo em Torres

15 de abril de 2012

 

Turismo em TorresColuna Roni Daliaz

Confirmando o chavão do jornalista Eduardo Bueno Um povo que não conhece a própria história está fadado a repeti-la. Escrevo isso porque lendo alguns livros sobre a história do municí­pio de Torres vejo que muita coisa se repete.

A polí­tica administrativa de uma cidade, que vive da indústria do turismo, contém nuanças bem diversas de outra cuja economia tenha por base a indústria diversificada ou a agropecuária. Nestas, a vida raramente é sacudida por acontecimentos sociais, têm um tranco certo, um ritmo, simplificando a esquematização administrativa. Nas outras, ao contrário, a vida é e deve ser essencialmente dinâmica, variada, cada ano renovada, tendo em vista a sua efêmera existência fora de seus eixos normais, comumente chamada de temporada, quer de praia, quer de serra. Autoridades, comércio em geral, toda a sociedade dessas cidades, de uma noite para outra são jogadas fora de seus trilhos comuns, exigindo assim, dos seus filhos, agilidade fí­sica e mental superior a dos outros. Apresentar coisa nova, mostrar interesse em agradar e servir seus visitantes (que constituem suas bases econí´micas) é um dever daqueles que dirigem e vivem em tais meios.

Esta crí´nica foi escrita em 1985 pelo escritor Francisco Raupp e como se vê está atualí­ssima. Sempre tivemos uma noção clara da nossa condição de vivermos basicamente do Turismo e isso não mudou e possivelmente não mudará nos próximos 30, 40 ou 50 anos. Toda a economia de Torres e do litoral norte do RS depende do Turismo, não podemos negar está marcado lá na história desta região. Alguns dirão que temos a indústria moveleira e a construção civil que modificariam esse pensamento de vivermos em função do verão. Mas para quem nós fazemos os móveis, para quem nós construí­mos? Não tenho dados claros, mas basicamente são para pessoas de fora da cidade, ou seja, veranistas (ou serão turistas que se transformaram em veranistas?). O que nos remete a questão da temporada descrita no texto de Raupp.

Faz alguns anos publiquei no Correio do Povo uma crí´nica dando uma sugestão í  diretoria do Colégio Marcí­lio Dias, í  época, dizendo da necessidade de se incluir no currí­culo escolar primário do municí­pio algumas noçíµes sobre como tratar os visitantes de Torres, bem como respeitar, não depredando suas propriedades, pois é bem mais fácil educar do que reeducar.

Ano após ano a cidade e seus moradores se preparam para receber os turistas e veranistas e as dificuldades continuam a existir, uma delas é o bem receber citado por Raupp. Já naquela época ele indicou o caminho que muito mais tarde foi seguido, com a implantação da disciplina de Turismo nas escolas municipais. Esta ação tinha o objetivo de informar aos alunos do ensino fundamental no que consiste o turismo e suas implicaçíµes na vida das pessoas que vivem em destinos turí­sticos. A finalidade era formar esses alunos para que replicassem este conhecimento e o bem-receber aos familiares e amigos formando uma rede ampla e com longo alcance. Mas por várias dificuldades não conhecidas e também de operacionalização a disciplina foi suprimida novamente do currí­culo dessas escolas.

E a história se repetirá?

 

Roni Dalpiaz

Site: www.ronidalpiaz.com.br                             e-mail: ronidalpiaz@gmail.com

Referências

RAUPP, Francisco. Do alto da torre: crí´nicas. Porto Alegre: Movimento, 1985.

 


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