EDITORIAL – Polí­tica: um balcão de empregos

15 de abril de 2012

 

A insistente postura de praticamente todos os partidos polí­ticos do Brasil mostra que, no fundo e infelizmente, os polí­ticos em geral, com rarí­ssimas exceçíµes, buscam um emprego remunerado ao militarem ou ao permanecerem na polí­tica. As posturas estampadas na mí­dia diariamente das bases partidária da nação, de trabalhar sempre para diminuir o opositor no poder quando está na oposição, e de fazer exatamente aquilo que demonizou como oposicionista quando a agremiação partidária está na situação, leva qualquer cidadão a crer que a polí­tica no Brasil se transformou em um grande balcão de emprego. Pior que isto, em muitos casos, ainda, um balcão de vagas para maus feitores subtraí­rem dinheiro público para seus bolsos.   As técnicas utilizadas para tirar o emprego do oponente não respeitam nenhum princí­pio sério de educação familiar anterior: O que vale á e vitória.   Aquele ditado que diz que os fins justificam os meios, se trata de frase de cabeceira da classe polí­tica atual. Mentir, exagerar, inventar, qual seja, fofocar, é coisa pouca para o arsenal da artilharia de interessados em retirar uma vaga do outro por indicação polí­tica ou por voto. Geralmente implicaçíµes criminais fazem parte das denúncias, e infelizmente fazem parte também da verdade, já que a maioria que está no poder é obrigada a entrar no jogo, se não sai do time, í s vezes perde até o fio da meada da vida em alguns casos, e em situaçíµes mais extremas, se vê a perda até de vidas por conta das brigas por poder e dinheiro na polí­tica.

No recrutamento e seleção modernos, utilizados nas empresas, nos conteúdos de concursos públicos, dentre outras forma de selecionar uma pessoa dentre várias interessadas, o critério é técnico. Força geralmente em cima dos conhecimentos e da experiência dos candidatos, mas passa cada vez mais pelo temperamento e pelo caráter dos interessados na mesma vaga. Perder neste processo é um aprendizado, uma forma de se auto-avaliar, uma forma de trabalhar ou estudar mais, o real processo de treinamento para competir.

Já na forma utilizada pela sociedade para escolher as pessoas que irão gerenciar os orçamentos e decidir as prioridades de suas cidades, Estados e paí­s, a polí­tica partidária, a atual e quase total desobediência í  princí­pios ideológicos dos principais partidos polí­ticos do Brasil, que se repete de forma freudiana nos Estados e nos municí­pios, acaba tornando as eleiçíµes e a militância polí­tica em um mercado de troca de emprego. Quando assistimos os comentários e os releases publicados nos jornais, nas TVs e nos rádios, sobre as estratégias partidárias em geral, nota-se somente que os impasses estão nos números de CCs que uma agremiação deseja para se coligar com outra, ou, de outro lado, o reclame do partido maior, o contratante, afirmando que a agremiação não está seguindo a cartilha da situação, embora existam inúmeros CCs daquele partido coligado empregados na administração pública no poder.  

Em paí­ses avançados na polí­tica, a população possui um lado. Os partidos, portanto, se diferenciam em seus embates pela busca de realizaçíµes que vão de encontro a estas bandeiras. Os embates nos legislativos são ideológicos. As bancadas da oposição, quando têm maioria desaprova projetos e açíµes governamentais que confrontam seus ideais.   Diferente do Brasil… Aqui, independentemente do que está sendo votado nos legislativos federal, estaduais ou municipais, o resultado dos embates está sempre diretamente relacionado í s relaçíµes de empregos. Para um evangélico, não interessa se a votação é sobre temas considerados caros para os dogmas de sua religião: interessam os cargos, os ganhos financeiros. Se um liberal por excelência quer apoio de servidores públicos para se eleger como prefeito em sua cidade, não interessa o ideal de liberdade, o ideal da busca de um estado pequeno. Ele é capaz de votar temas completamente contrários í  seu partido, tudo para conseguir seu emprego como prefeito, í s vezes sua vaga de prefeito para manipular os orçamentos e desviar dinheiro publico para seu próprio bolso.

Se existem várias secretarias abertas em uma administração como ocorrem atualmente em várias cidades, por conta da obrigatória indisponibilização dos secretários e CCs de gerencia seis meses antes da eleição, as vagas em aberto se tornam moeda. O partido no poder procura pegar uma agremiação pelo significado pragmático do impacto que um emprego com salário garantido possui para simples viventes, muitos desempregados e desesperados, mas ligados í  partidos. Agremiaçíµes oportunistas, por outro lado, aparecem do nada pedindo emprego nas vagas e prometendo fidelidade ao partido no poder. O processo técnico, o processo ideológico, a fidelidade de anos ou a infidelidade, todos vão para o espaço: O que interessa é o fim, o emprego em troca da fidelidade momentânea.

O eleitor em tudo isto fica tonto. Não sabe o que é polí­tica. E para não errar, acaba espalhando estas atitudes oportunistas e fúteis dos polí­ticos com o conceito de polí­tica. E, assim, acaba, além de votar com este espí­rito, sem nenhum ideal, passando a implementar isto em suas vidas privadas. Um envenenamento do mal para qualquer sociedade.

Portanto, estaria na hora de agremiaçíµes sérias se posicionarem e manterem suas bandeiras partidárias de forma incondicional.   O processo seria saudável, inclusive para a elaboração dos planos de governo. Eles obrigatoriamente seriam mais factí­veis, para que as siglas consigam patrocinadores para suas idéias de poder.  


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