A questão das drogas é muito mais séria do que do que apenas uma questão moral ou jurídica, poiselas não deveriam ser usadas porque são proibidas ou porque trazem prejuízos físicos, mas principalmente porque encerram a capacidade de sentir emoção, deterioram o sentido da vida e destroem o mais nobre dos direitos humanos: a liberdade.
Os usuários de drogas são amantes da liberdade, mas, sorrateiramente, matam aquilo que mais os motiva a viver. Passam por freqí¼entes crises existenciais, muitas vezes não tratadas por profissionais de saúde. E assim, í medida que se afundam nessas sucessivas crises, eles perdem o sentido existencial de viver e caem num tédio insuportável. Geralmente buscam na droga o alívio de suas tensíµes, angústias e ansiedades,o que é uma ilusão, pois o que acontece é que o indivíduo vai perdendo sua capacidade de vibrar com a vida, fragilizando seu ego, e tornando-se cada vez mais insensível ao prazer.
A vida perde o encanto e cada vez mais a droga se faz urgente. O usuário torna-se, então dependente químico, agindo por compulsão. Então, se estabelece um ciclo vicioso, pois quanto mais se envolvem com as drogas, mais se deprimem, quanto mais fogem da solidão e ansiedade, mais solitários, irritadiços, impulsivos e intolerantes. Buscam se anestesiar diante das perdas e angústiasque são inevitáveis na vida, já que possuem uma personalidade frágil e não suportam serem frustrados.
A dor emocional é algo evitado, por isso buscam desesperadamente mais uma nova dose de droga para sentir alívio e uma pseudo-felicidade enganosa e efêmera. Muitos deles, após ficarem dependentes, usam as drogas como tranqí¼ilizantes, relaxantes e antidepressivos, ainda que sejam ineficazes. Nas primeiras doses se sentem imortais, poderosos, mas com o passar do tempo matam-seum pouco a cada dia. Portanto, se buscavam aventura e liberdade, acabam presos na mais amarga das prisíµes.
í‰ importante que a família se mobilize para encaminhar o jovem a um tratamento com uma equipe multidisciplinar, com terapêuticas combinadas, tanto psicoterápica, quanto medicamentosa. O profissional deverá propiciar um ambiente terapêutico acolhedor, desprovido de críticas e julgamentos, estabelecendo um vínculo de confiança através de um diálogo aberto e franco. O paciente precisa sentir-se encorajado, aceito e capaz de enfrentar o problema com segurança.


