Coluna de Roni Dalpiaz – NA TRILHA DO TEMPO

15 de maio de 2012

 

Não é justo que o espaço onde a urbe começou, atropelado que foi pelo turismo (atraindo o Centro primeiro para a Cidade Alta, depois para a Baixa), venha a se transformar num bairro inexpressivo, de marginal importância. Urge tomar como exemplo o que vem sendo feito em todo o mundo: recuperar para a vida urbana os centros históricos das cidades, valorizando suas formas tradicionais e reconciliando o povo com sua origem e identidade.

Ruschel há exatos 20 anos grifou a importância de recuperar e preservar o centro histórico de Torres. Infelizmente o que vemos é o oposto, estão a cada dia destruindo a história em prol da especulação imobiliária e um suposto progresso. São só duas ruas que ainda possuem resquí­cios do passado, será que é muito pedir que elas sejam mantidas intactas? Na verdade intactas não, ir além, resgatá-las para a cidade restaurando os poucos casarios açorianos que se mantiveram de pé.

Estive passando pela velha rua de baixo (hoje Julio de Castilhos) e vejo que mais duas casas não mais existem e em seu lugar deverá surgir mais um belo edifí­cio residencial, uma pena. Recentemente já se foram o antigo hotel Sartori (foi também rodoviária, churrascaria entre outros), em seu lugar está um edifí­cio residencial e O velho hotel Anexo do Farol (Imperial), também dará lugar a outro edifí­cio residencial. Aos poucos substituí­dos, os velhos casarios, ficarão apenas nas fotografias e na memória de alguns torrenses.

Um banco cambaleante na praça Cel Severiano (a praça da igreja matriz São Domingos, também cambaleante) conta que existiu uma casa comercial Alvorada na avenida Barão do Rio Branco, 768. Bancos de praça patrocinados por empresas torrenses estavam espalhados pela cidade, lembro de alguns no morro do Farol e estes desta praça que aos poucos desapareceram como os casarios da rua de baixo. Quem sabe o comércio local novamente resgate esta praça para a cidade, colocando novos bancos patrocinados e um belo ajardinamento. Não custa caro devolver esta que foi a principal praça da cidade por muitos anos, não basta cortar a grama e pintar o meio fio ela precisa deb mais cuidado e dignidade assim como todo o centro histórico da cidade.

A velha igreja matriz está sendo restaurada, a passos lentos eu sei, mas foi lembrada e com o tempo ela voltará a ser uma bela relí­quia da cidade. Com isso abrirá espaço para a recuperação do seu entorno começando pela praça e descendo a escadaria até os casarios da rua de baixo. Quem sabe?

Vejo que muitas pessoas da cidade estão começando a olhar para o passado e para nossa história viva impregnada nos casarios açorianos e este cuidado chegou até a câmara de vereadores. Isto mostra que, mesmo baixa, nossas vozes estão sendo ouvidas e mais cedo ou mais tarde mais vozes se juntarão e os resultados serão melhores.

 

Roni Dalpiaz

Site: www.ronidalpiaz.com.br                             e-mail: ronidalpiaz@gmail.com

Referências

RUSCHEL, Ruy Ruben. Torres tem história. Porto Alegre: EST, 2004.

 


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