Maria Helena Tomé Gonçalves
Para quem chega de visita í cidade observar obras em vários lugares espalhadas ao longo das ruas e praças deve causar uma boa impressão. A cidade progride em obras públicas. Isso é bom. Porém, para quem vive aqui durante o ano todo e não perdeu seu senso de observação, as obras públicas realizadas andam a passos de tartaruga. O trabalho na Praça Getúlio Vargas, a Praça da Igreja, anda tão devagar que até já completou aniversário. São apenas obras de superfície, nada muito elaborado, não houve escavaçíµes, estaqueamentos, alicerces, construçíµes de prédios, nada que exija um longo tempo para ser realizado, houve tão somente demolição dos banheiros e reforma dos pisos e recentemente foi feita uma cancha de bocha e estão sendo colocados alguns brinquedos de madeira rústica. Mais nada, porém a obra é lenta, suja, mal administrada, há restos de materiais jogados por todo lado, o paisagismo, além da rápida derrubada das árvores, continua intocado, quer dizer, algumas mudas murchas de novas plantas balançam tristemente ao vento, mal plantadas, mal regadas, mal cuidadas, talvez nem sobrevivam ao descaso. As árvores que restaram não receberam a menor atenção, não tiveram galhos tortos e secos podados, não foram revitalizadas nem receberam qualquer tipo de manejo. E, parece, que somos todos indiferentes ao que ali se passa. Ninguém observa, se o faz não reclama, ninguém fiscaliza, nenhum meio de comunicação divulga. Parece que somos todos coniventes com esse tipo de ação.
Aliás, o que acontece com a reforma da Praça Getúlio Vargas acontece também com outras obras em andamento. A denominada Nova Orla da Prainha continua inacabada, há restos de entulho espalhados ao longo do percurso. Nem um só pé de árvore ou arbusto foi plantado, a grama foi colocada, bem mal colocada, nos canteiros centrais em meio a restos de materiais, a ciclovia prevista não foi construída e assim vai. Na Praia Grande é a mesma coisa. Nas avenidas e ruas, bom exemplo é a Benjamin Constant, onde o asfalto está sendo, ou já foi, recapeado, o descaso é o mesmo. Ao longo de cada percurso falta limpeza, falta acabamento, falta o cuidado básico essencial em qualquer obra.
Em matéria de criatividade e originalidade nossa nota merecida é menos zero. Não há presença de elementos construtivos que façam a diferença. Tudo é banal, comum, não chama a atenção, não apresenta soluçíµes inovadoras. Nesse ponto vou me redimir e dar nota um pouquinho melhor para a Praça da Praia Grande que recebeu um pergolado e buganvílias, mas os bancos … que tristeza! Bancos de concreto duro, frio e sem encosto, num total descaso a qualquer recomendação ergoní´mica, bancos para sentar e levantar em menos de cinco minutos. Essa também não será uma praça de contemplação e descanso, além do desconforto de sentar naqueles bancos, a garotada dos skates está se deliciando em correr alucinadamente com suas rodinhas sobre as calçadas recém assentadas, as quais não vão durar íntegras por muito tempo, com certeza. Urgente é acomodar a gurizada num lugar adequado, específico para o uso de skates. Fico me perguntando por que não são construídos espaços esportivos, praças com equipamentos básicos para a prática de jogos coletivos como ví´lei e basquete, quadras de patinação e pistas de skates… não são obras caras e seriam locais de encontro saudável da juventude. Não há na cidade equipamentos básicos para ocupar e canalizar a energia vital da garotada nas suas horas de lazer. í‰ preciso criar instrumentos e estratégias para competir saudavelmente contra as drogas que são de fácil acesso em muitos pontos da cidade, é preciso possibilitar lazer saudável e correr com a ligeireza da lebre na busca de soluçíµes criativas e viáveis em contraste com a lerdeza dos passos da tartaruga com que as obras públicas de Torres são planejadas e construídas.


