Por Guilherme Rocha*
Na quinta-feira, dia 24 de maio, comemorou-se o dia do vestibulando. Uma data que homenageia estes estudantes que preparam-se para uma importante prova, uma definitiva avaliação que pode traçar o futuro profissional do indivíduo.
A universidade no Brasil: As raízes do vestibular
Os cursos superiores no Brasil foram oficializados por Dom Pedro I , em 11 de agosto de 1827, com uma lei que determinava o estabelecimento de duas escolas de direito, uma em Olinda (PE) e outra em São Paulo (SP). Com o passar dos anos, outras faculdades foram aparecendo. O ingresso a elas era aberto aos alunos que frequentavam os colégios mais conceituados da época.
Em 1911, com o aumento da procura pelos cursos superiores, tornou-se obrigatório um exame de seleção, por meio de uma prova escrita e outra oral. Evidentemente, í medida que o número de candidatos crescia, a prova oral foi se tornando inviável.
O mesmo aconteceria com as provas escritas algumas décadas depois, nos anos 1960. A massificação do ensino tornou necessário o uso do computador para auferir o desempenho dos vestibulandos nos exames e, assim, apareceram os testes de múltipla escolha. Na verdade, foi nesse momento que os vestibulares foram ganhando formato mais semelhante ao que adquiriram nos dias de hoje.
Uma rotina de avaliação e pressão
Todas as pessoas são avaliadas em vários momentos de suas vidas. Desde a infância, o indivíduo é avaliado em diferentes escalas: pelos pais, pelos amigos, pela escola, etc. Na medida em que cresce, essas provas se tornam mais complexas e importantes para o adolescente, e por vezes são decisivas. E é exatamente uma decisão que ocorre quando chega a hora de prestar o vestibular, uma prova que pode definir o futuro profissional do estudante.
Giovana e Isadora tem, respectivamente, 17 e 18 anos, e estão na expectativa de viver este decisivo momento chamado vestibular. Ambas são alunas do curso pré-vestibular Universitário, e vão tentar, pela segunda vez, ingressar na universidade federal (UFRGS ou FFFCMPA). Giovana irá prestar o vestibular para farmácia, e diz: í‰ preciso ter bastante força de vontade, estudar para estar preparado. Agora estou me esforçando menos do que eu acho que deveria, mas a partir do meio do ano meu ritmo vai ser mais puxado. O complicado é conciliar o estudo de tantas matérias diferentes, temos que saber de tudo um pouco. Minha maior dificuldade é em Física, indica Giovana.
Já Isadora vai tentar passar em biomedicina, profissão cuja demanda, nos últimos anos, vêm crescendo bastante no mercado de trabalho. Aqui no Universitário, vemos o pessoal tentando vestibular para farmácia, medicina, engenharia, arquitetura. Não conheço muita gente buscando os cursos das áreas humanas. Mas, para passar numa universidade federal, sabemos que a concorrência é muito grande, temos que estar sempre focados nos estudos. Outra coisa importante é controlar o nervosismo na hora que a prova chegar, administrar a pressão, concluiu Isadora.
De fato, ser vestibulando não é tarefa fácil. Responder as provas que abordam os mais variados tópicos, que testam os conhecimentos em diversas disciplinas. í‰ algo que exige muitos tipos de habilidades dos candidatos. O vestibular não avalia apenas o conhecimento do indivíduo, avalia sua capacidade de reagir í pressão. E esta pressão aumenta ainda mais quando se pensa que a vida acadêmica do vestibulando está em jogo.
O vestibulando e os equívocos
Se não bastasse o fato de se preocupar com o vestibular em si, buscando estar o mais preparado possível através do estudo, o jovem tem que conviver de forma paralela com uma das escolhas mais difíceis de sua vida: a profissão. Definir todo seu futuro profissional exige muita auto-análise. O pior é que, na maioria das vezes, essa decisão é feita na adolescência, uma fase de plena transformação. Não são poucos os relatos de pessoas que optaram por uma profissão e se arrependeram depois. Logicamente, elas podem realizar outro vestibular e começar tudo de novo, no entanto, não podemos negar o tempo perdido com uma decisão, í s vezes, equivocada.
Foi o que aconteceu com Daniela Mauter, 22 anos, que está no segundo semestre de Jornalismo na UFRGS. Antes de estudar comunicação, a jovem passou três semestres cursando direito, na PUCRS, até descobrir que esta opção havia sido um equívoco. Tive que passar um ano e meio um curso que não combinava comigo até perceber que fiz a escolha errada. Acho que a culpa destes equívoca parte também da pressão que surge quando o aluno está no ensino médio. Somos preparados ainda na escola para o vestibular, porém um adolescente de 17 anos não sabe ao certo o que vai querer fazer da vida. No meu caso, tive que errar para aprender. Tranquei o curso de direito, fiz então um curso pré-vestibular e acabei passando na UFRGS, uma grande conquista. Hoje me sinto muito feliz com minha escolha, sempre fui apaixonada por escrever e agora espero aplicar isso no jornalismo, explica Daniela.
Na data em que se homenageia o vestibulando, convém lembrar que esse é um momento muito importante, sim, mas que não é único. Os candidatos não aprovados sempre têm novas chances. Vale a pena ter isso em mente, assim como é necessário lembrar que o nervosismo e as perturbaçíµes emocionais podem prejudicar demais o desempenho do candidato nos exames.
Por tudo isso, para reconhecer a determinação, coragem e esforço desses estudantes, no dia 24 de maio é comemorado o dia do vestibulando, que merecem nossos parabéns pela dedicação em prol do seu futuro.
As vestibulandas Giovana e Isadora
*com informaçíµes de UOL e Wiki


