Maria Helena Tomé Gonçalves
Felizmente algumas das nossas esperanças urbanas estão finalmente sendo realizadas: a Praça Nossa Senhora dos Navegantes está sendo contemplada em sua reforma com quadras de esporte. Isso é bom! A antiga e desaprovada quadra de skates está sendo reformulada e espero que fique do agrado e corresponda í s expectativas e necessidades da nossa gurizada. Isso é bom! A Praça Getúlio Vargas continua a passos de tartaruga, mas, mesmo lentamente, vai andando. Isso também é bom! O que não acho bom nisso tudo é a forma como as coisas são feitas, repito, pois as obras são sujas, mal administradas e falta aquele capricho e acabamento essenciais para que um trabalho desse porte possa ser considerado bem feito. Mas, o que mais me incomoda, é a falta de criatividade dos projetos urbanos, a falta de temática, a total ausência de fantasia que é capaz de tornar um espaço comum num espaço especial. Espaços especiais é o que uma cidade turística necessita para tornar-se atraente.
Ao projetar novos espaços públicos ou a reforma de quaisquer espaços já existentes, faz-se necessário inserir em suas estruturas novas formas de visualizar e de vivenciar tais espaços para que se tornem realmente especiais e façam a diferença. Se esses espaços são destinados ao lazer da população, ao desenvolvimento e í prática de um ócio criativo conforme apregoa Domenico De Masi é essencial que oportunizem práticas criativas e prazerosas. Com a informatização globalizada de que dispomos hoje é fácil conhecer o que é realizado em outras cidades e trazer contribuiçíµes valiosas para a nossa realidade. Com o mesmo dinheiro com o qual se fazem coisas banais, podemos fazer coisas criativas. Com um pouco mais, podemos fazer coisas marcantes. Com verbas vindas do Governo Federal dá para fazer muito mais, desde que sejam bem empregadas naquilo para o qual foram solicitadas. Não é preciso fazer uma Dubai como seria desejo de um jovem arquiteto local, podemos fazer obras criativas e já estaríamos fazendo a diferença de que falo.
Uma coisa que não está sendo considerada, pelo menos até o momento, é a vegetação, a arborização, a plantação de espécies que melhorem consideravelmente o paisagismo dos espaços que estão em construção. Uma orla que vem de um longo tempo de reforma e que ainda não tem um só pé de árvore ou de arbusto plantado e que até agora tem apenas uma grama esturricada feita com leivas mal assentadas vai demorar bastante a ficar bonita. E beleza já dizia Vinícius, é algo fundamental, não só para as mulheres. Beleza não é uma característica apenas subjetiva, beleza é um componente extrínseco e com características visuais passíveis de observação e de avaliação objetiva. Podemos transformar nossa orla num espaço mais tropical, cheio de palmeiras que se adaptam muito bem ao ar marinho e que encontramos em quase todos os bons projetos ao longo da costa brasileira. Plantar palmeiras no gramado da Prainha e ao longo do canteiro central é uma sugestão de muitos moradores. Podem ser palmeiras nativas como o girivá, mas também podem ser espécies de outras regiíµes que se adaptam bem ao litoral. Mas plantar é fundamental. Com urgência!
Fui visitar as pracinhas que me sugeriram visitar. Constata-se mais uma vez que não basta fazer, é preciso manter. São espaços pobres de tudo, inclusive de manutenção. Ricas apenas no custo declarado. Caras para o resultado final. Criatividade nota zero. Manutenção, idem. Uso criativo pela população, desconheço taxa de utilização. Mas são vazios dolorosos, ocupados pelo descaso com o que foi realizado com o dinheiro público, seja de origem local ou federal.
Soluçíµes criativas é disso que Torres necessita e que nós queremos ver e ter.


