Atraso Brasil: Internet éa mais cara do mundo e uma das mais lentas

10 de junho de 2012

 

 

Por Guilherme Rocha*

 

 

Ainda que seja essencial para os brasileiros e já atinja um terço das casas do nosso paí­s, conexão í  internet paga vexame quando comparada com outros paí­ses

 

 

 

Um terço dos brasileiros conectados em casa

 

Cerca de 33% dos brasileiros têm acesso í  internet em casa, e quase a metade deles utiliza banda larga. Esse número deixa o Brasil em 63 º lugar, em ranking de 154 paí­ses, na avaliação do número de pessoas com acesso domiciliar í  internet. Não é grande coisa se comparando com a Suécia, que lidera o ranking com 97% dos domicí­lios estando conectados í  rede. E é mais uma daquelas incoerências do nosso grande Brasil, que mostra muitas vezes como sabe deixar seu povo na mão.

A pesquisa foi realizada pela Fundação Getúlio Vargas. Para os estatí­sticas referentes ao Brasil, a pesquisa usou dados do Censo 2010, do IBGE. Segundo os dados, a cidade de São Caetano do Sul, no ABC paulista possui o maior í­ndice de PC™s conectados nos lares, com 69%.   O estudo ainda indica que dos brasileiros que acessam a internet em casa, 46,92% utilizam banda larga. Dos que não acessam em casa, 35,11% usam centros públicos de acesso pago (lan-house),   31% acessam no trabalho, 19,7%   usam em casa de amigos e parentes e 17,5% entram na web na instituição de ensino. O acesso público gratuito é utilizado por 5,52% da população.

Com a web, temos muito mais informaçíµes disponí­veis que em qualquer outra época. Trata-se de uma ferramenta com inúmeras possibilidades, servindo-nos na mediação de informaçíµes, músicas, ví­deos, imagens, games. O meio virtual possibilita uma maior democratização do conhecimento, o usuário tem gratuitamente um acesso a uma quantidade quase infinita de dados. Porém, apesar das estatí­sticas mostrarem um crescimento da internet no paí­s, fica claro também que as classes mais pobres estão bem menos conectadas a rede que as mais ricas.  

No Rio de Janeiro, por exemplo, 56% de domicí­lios têm acesso í  internet. Na Barra da Tijuca, bairro nobre da zona oeste, esse í­ndice chega a 94%. Já na pobre favela vizinha, o Rio das Pedras, surge o menor í­ndice da cidade (21%).

 

 

Internet mais cara do Mundo

 

Ninguém no mundo gasta tanto com internet quanto o Brasil, seja ela fixa ou móvel. De acordo com um estudo da UNCTAD (Conferência das Naçíµes Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) divulgado no final de maio, para usar a internet convencional através de um pacote ilimitado, cada Megabite por aqui custa US$ 61 .Enquanto isso, a Turquia vende 2Mbps de internet por US$ 30. O Vietnã tem 1,5 Mbps a US$ 8,72, sendo que estes paí­ses cobram US$ 15 e US$ 6 pelo megabit, respectivamente.

A segunda conexão média mais lenta de todo o mundo foi constatada numa cidade brasileira. Itapema, em Santa Catarina, tem velocidade de 61 Kbps, e só não ficou em último porque a cidade de Algiers, na Argélia, oferece o acesso a 56Kbps.

Quando o assunto é web móvel a coisa não melhora. O megabit móvel brasileiro sai por US$ 51. No Quênia, paga-se US$ 4; no Marrocos, US$ 7; no Vietnã, US$ 2; e na Turquia, US$ 3. E não vou entrar aqui no mérito do celular, pois nós brasileiros somos também os que mais pagamos no mundo quando o assunto é telefonia celular. Um grande orgulho, não? Mas o que dizer, somos um povo que sabe ser explorado.

 

 

Internet essencial

 

Uma outra pesquisa dá dimensíµes da importância cada vez maior que a internet tem para o brasileiro: 82% dos brasileiros com acesso a internet consideram a web uma ferramenta indispensável e essencial para a sobrevivência. Este é considerado o meio de comunicação mais importante pelos entrevistados. As pessoas incorporam a internet no dia a dia. Muitos jovens nem conseguem avaliar o ní­vel de importância das ferramentas online porque a web faz parte da rotina diária dessas pessoas, comenta Fábio Coelho, que apresentou o estudo e é presidente do Google no Brasil e da rede de associaçíµes Interactive Advertising Bureau (IAB). Mas vale citar que o questionário foi feito por email, com entrevistados que (obviamente) utilizam a internet no seu dia-a-dia.

Segundo Coelho, 36% das pessoas navegam diariamente na internet durante aproximadamente 2h. Outros 42% dos internautas passam mais de 2h online todos os dias. A web é a principal mí­dia usada para gerar relacionamento entre as pessoas. O brasileiro é muito conectado e gosta de se relacionar, diz o presidente. Ainda na mesma pesquisa, 25% dos participantes afirmam que passam o tempo livre assistindo a TV.

Na universidade (em muitos casos), estar conectado a rede se tornou uma necessidade básica e organizacional. Para Vicente Prado Nogueira, que tem 22 anos e é estudante de jornalismo da UFRGS, a internet e elencada como a ferramenta mais utilizada em sua rotina diária. A rede virtual é a biblioteca das novas geraçíµes. Para qualquer coisa que precisamos saber, a primeira referência em pesquisa que surge é sempre o Google, fazemos longas e aprofundadas pesquisas na velocidade de um clique, os temas relacionados aparecem linkados. O acesso aos emails também é um processo vital para a organização e o cumprimento de tarefas de uma pessoa do século XXI,   se inserindo em nosso trabalho, na universidade e na nossa vida no geral. Isso sem contar o Facebook, que faz muitas pessoas levarem mais a sério a amizade virtual do que os amigos reais. Tem ainda o Twitter, que e parece mais um disseminador de ideias e pensamentos, indica o estudante.

 

 

Internet Brasileira: uma das mais lentas do mundo

 

A velocidade da internet brasileira é uma das mais lentas do mundo. Segundo pesquisa da Akamai, uma empresa especializada em infraestrutura de rede, a velocidade média da web brasileira é de 1,8 megabit por segundo (Mbps), enquanto a mundial é de 2,3 Mbps. A Akamai mediu a velocidade da internet em 50 paí­ses. E a média registrada no Brasil deixou o paí­s na 40 ª posição da pesquisa, atrás de paí­ses como Letí´nia e Romênia. O primeiro lugar ficou com a Coreia do Sul, onde as pessoas acessam a internet com uma velocidade média de 17,5 Mbps “ ou seja, quase 10 vezes mais rápida que a do Brasil.

A discrepância entre os paí­ses é causada pelas diferenças na infraestrutura de rede. Enquanto as operadoras da Coreia do Sul oferecem o serviço de banda larga em alta velocidade por todo o paí­s, as operadoras daqui a oferecem somente em capitais. A maioria dos municí­pios ainda oferece apenas links de 1 Mbps ou de 512 Kbps. Em algumas regiíµes remotas do norte brasileiro, por exemplo, as conexíµes de banda larga ainda não ultrapassaram os 256 Kbps.

As operadoras têm feito investimentos modestos em banda larga e o governo está ampliando o PNBL, projeto que visa espalhar cabos de fibra ótica por todo o paí­s e baratear o preço do serviço de internet rápida. Apesar dos esforços, as iniciativas não deverão ajudar o Brasil a subir muitas posiçíµes no ranking da Akamai nos próximos anos.

E o Brasil perde muito com a lentidão da internet. Para a estudante Mariana Ribeiro, 18 anos e moradora do Passo de Torres, com uma conexão mais rápida, aumentariam as possibilidades dos usuários na rede virtual. O fato de o Brasil ter uma internet lenta é no mí­nimo injusto, pois é um serviço que ainda custa caro para a grande maioria da população. Com uma internet mais rápida, o conhecimento chegaria com maior velocidade aos brasileiros, terí­amos acesso facilitado a todas as informaçíµes e possibilidades que a web oferece. E daí­ vai depender de cada brasileiro a forma como esse conhecimento imediato irá ser utilizado, conclui Mariana.

Segundo pesquisa da consultoria Teleco, as operadoras e o governo precisariam gastar cerca de 100 bilhíµes de reais em infraestrutura para levar internet de alta velocidade para todos os cantos do paí­s. Como o valor é muito alto para o mercado brasileiro, a tendência é que o Brasil não acompanhe os demais paí­ses no crescimento da velocidade da web. O paí­s, por exemplo, ainda discute o leilão da tecnologia 4G, enquanto Coréia do Sul, Estados Unidos e paí­ses da Europa já oferecem planos com a tecnologia “ que oferece velocidades de até 100 Mbps.

Apesar das velocidades baixas e dos preços altos, o brasileiro não deixa de usar a internet. Segundo a Akamai, o Brasil é, atualmente, o 8 ª na lista de paí­ses que mais trocam dados na rede. O Brasil seria responsável por 4,4% do tráfego de dados na internet. O volume é considerado bastante expressivo. Ainda mais quando é comparado aos Estados Unidos, que responde por 10% de todo o tráfego.

 

 

Veja abaixo os dez paí­ses com melhor infraestrutura de internet, de acordo com a Akamai.

 

Paí­s

Velocidade média de conexão

1 º – Coréia do Sul

17,5 Mbps

2 º – Japão

9,1 Mbps

3 º – Hong Kong

9,1 Mbps

4 º – Holanda

8,2 Mbps

5 º – Letí´nia

7,8 Mbps

6 º – Suí­ça

7,2 Mbps

7 º – Irlanda

6,8 Mbps

8 º – República Checa

6,7 Mbps

9 º – Romênia

6,4 Mbps

10 º – Bélgica

6,1 Mbps

40 º – Brasil

1,8 Mbps

 

 

*Com informaçíµes de Tribuna Hoje, Revista Info, Exame e Galileu


Publicado em:







Veja Também





Links Patrocinados