O HOMEM í‰ DELITUOSO POR NATUREZA?

10 de junho de 2012

 

Paula Borowsky  

 

O homem é possuidor de uma dualidade dentro dele, de uma luta interna entre duas forças opostas, de um lado o instinto agressivo, destrutivo, e de outro o instinto de vida, que dividem o domí­nio do mundo. E é essa batalha de gigantes que nossas babás e mães tentam apaziguar com sua cantiga de ninar. A primeira pergunta que se tem feito, quando se trata sobre a gênese do crime, geralmente esbarra nos difí­ceis meandros da natureza humana. í‰ o homem delituoso em sua natureza? Todos criminosos são doentes psí­quicos? Será o criminoso responsável pelos seus atos ou ví­tima de um estado doentio?

O iní­cio de toda nossa busca poderá ser encontrado na própria natureza na qual vivemos até chegarmos no dia-a-dia do ser humano e sua natureza susceptí­vel,   í  falha,   pois é quando a natureza em sua dinâmica não consegue chegar ao objetivo ao que seria normal. Tudo que é vivo luta pela sobrevivência. A pequena plantinha, ao nascer encoberta por uma caixa, fará meandros em seu caule até conseguir sair pela pequena abertura que a leva í  luz e á vida; o animal nasce esforçando-se no alvo sublime de sua existência: a sobrevivência. Até as bactérias, os ví­rus e outras formas de vida estão se adaptando e tentando a todo esforço que lhe for capaz, sobreviver. Outros seres, na ânsia de sobreviverem, prejudicam o que está ao redor, tornando-se nocivos. Em primeiro lugar, no objetivo de sobreviver, o ser humano comete falhas que o levam a errar nos objetos certos para se chegar ao objetivo da vida.

As plantas e os animais tornam-se nocivos quando precisam sacrificar o ambiente em função de seus objetivos naturais. O homem também é nocivo, tanto ao planeta em que vive, quanto a si mesmo e, principalmente, ao seu semelhante, quando comete tais erros. E se estes erros poderiam ser evitados, não sendo um puro impulso, se poderia haver escolha moral em praticar ou não o ato, ele torna-se responsabilizável.

Somos, pois, desonestos por natureza Temos em nós a capacidade de raciocinar e escolher em como usar as faculdades mentais, a fala, a força muscular ou a que provem de nossos projetos cientí­ficos. Pode ser que, em meio a uma guerra matemos com a mesma fúria que mata um criminoso comum, mas estaremos usando toda a violência latente de forma que a sociedade e nós julgamos honesta. Portanto, os atos maiores da violência humana estão latentes em cada ser humano. Portanto, a diferença entre o homem agindo honestamente está em escolher não praticar o ato após o ponto de considerar desonesto, mas tem a tendência para fazê-lo. Assim, a intenção errada sempre existe, mesmo na criancinha que briga com seu coleguinha pelo brinquedo.

Desta maneira, todo ser humano têm tendência, em si mesmo, delituoso, pelo fato de sua natureza ser defeituosa ou imperfeita. Em ambos, tanto no indiví­duo dito civilizado como no antissocial, pode existir a intenção delituosa, mas a diferença é que o primeiro é dotado de um censor moral que opera, refreando o impulso, já no segundo caso, esta censura, culpa, e crí­tica, empatia falham.

 


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