CHUVAS E RUAS
Até 1940, aproximadamente, o centro de Torres era a rua Júlio. Aí estavam a intendência, o fórum, a delegacia, as coletorias e demais repartiçíµes. […] a parte baixa da cidade praticamente ainda não existia.
Em pensar que Torres se resumia í parte alta da cidade.
Em cima dos morros que lhe deram o nome, a cidade observava o mar de um lado e a serra de outro. Para se entrar no RS ou se passava por cima da serra ou se costeava os morros a beira mar.
As geraçíµes jovens torrenses desconhecem que a parte baixa da cidade ocupa um espaço que aos poucos foi conquistado a um enorme banhadal. A área pantanosa se estendia, outrora, desde a margem do Mampituba até o sopé da Itapeva, tendo de largura uns 300 a 500 metros, í s vezes mais. Formava uma linha paralela í costa, limitada pelo lado do mar pelos cí´moros das praias, quase sempre mais altos que hoje, e pelas três torres.
A parte baixa da cidade, conhecida como Ronda, ganhou este nome devido a um campo que se situava entre as ruas Joaquim Porto e José Bonifácio e que servia para confinar o gado. Este campo era rodeado de banhado: lodaçal e tiriricas de um lado e matagal pantanoso do outro e na parte da frente (Av. Barão do Rio Branco) era fechado com uma cerca e um portão. O nome Ronda, depois de 1940, se espalhou para toda a parte baixa da cidade.
Para se chegar a parte baixa era necessário vencer os banhados que cercavam o lado oeste da cidade e emendavam o rio í Lagoa do Violão. A Avenida Barão do Rio Branco, conhecida como estrada do Aterrado, era o caminho que ligava a parte alta com a Ronda. Há bem pouco tempo (uns 20 ou 30 anos) ainda encontrávamos banhados ao longo da avenida e por isso, muitos dos prédios que ali foram construídos precisaram de abundante aterro e bases bem profundas para se fixarem.
A parte baixa da cidade, hoje a maior parte, sofre muito com as chuvas. Com uma grande impermeabilização das ruas (colocação de asfalto), a maioria dos bairros não suporta pequenas doses de chuvas e alagam em alguns pontos. E se chover muito então, algumas ruas ficam intransitáveis. í‰ o banhado querendo de volta o seu espaço. Sem lugar para ir, as águas ancoram onde podem e os pedestressão obrigados a molhar os pés.
Chuvas têm todos os anos. Ruas alagadas hámuito tempo se tem. As chuvas não têm como serem controladas, mas os alagamentos têm. Muitos canos foram enterrados nas principais ruas da cidade, inclusive na entrada (causando muitos transtornos), porém a situação ainda é complicada principalmente na avenida Barão do Rio Branco.
Por que ainda temos alagamentos? O que falta? Mais canos ou maiscompetência?
Roni Dalpiaz
Site: www.ronidalpiaz.com.br e-mail: ronidalpiaz@gmail.com
Referências
Ruschel, Ruy Ruben. Torres tem história. Porto Alegre:EST, 2004.


