Os transtornos psiquiátricos femininos possuem diversas características peculiares. A influência hormonal no humor e no comportamento do sexo é relevante, não pela dosagem hormonal em si, mas pela vulnerabilidade de um subgrupo de mulheres í s oscilaçíµes hormonais em períodos críticos do ciclo reprodutivo como pré-menstruação, o pós-parto e a menopausa.
Os riscos de transtornos psiquiátricos nesses períodos de gangorras hormonais são mais significativos. í‰ o que a psicologia chama de janela de vulnerabilidade. Nestes períodos, as mulheres estariam mais vulneráveis aos transtornos do humor, podendo haver exacerbaçíµes dos transtornos pré-existentes e também o surgimento de novas doenças nas mulheres como pré-disposição, o que costuma ocorrer principalmente no puerpério (parto).
Neste sentido, podemos falar de uma psicologia feminina no sentido de que existe uma diferença de gênero no aspecto do comportamento. Assim, mulheres apresentam risco aumentado para transtorno depressivo ao longo da vida reprodutiva, em relação aos homens. A prevalência de episódio depressivo ao longo da vida seria de 21% e 12% nos homens, nas idades entre 15 e 54 anos. Existem algumas diferenças no que se refere í sintomatologia do transtorno depressivo: mulheres apresentam maior disposição í depressão, ansiedade associada a transtorno alimentar. Também apresentam maior número de queixas somáticas. Tentam suicídio três vezes mais, mas os homens efetivam o ato em maior proporção. Fatores ambientais e estressores externos parecem exercer maior influência no humor das mulheres.
Mulheres também possuem uma pré-disposição maior que os homens de apresentarem Transtorno de Ansiedade. Acredita-se haver fatores genéticos envolvidos e um possível papel dos hormí´nios sexuais femininos. O conhecimento dos possíveis impactos das mudanças hormonais em cada fase do ciclo reprodutivo feminino favorece a aplicação de tratamentos e condutas multidisciplinares, que atendam í s demandas e peculiaridades desses transtornos mentais.
A falta de conhecimento dos médicos, não psiquiatras com o uso de psicofármacos durante a gestação, o receio de alguns psicólogos em encaminhar gestantes para o tratamento psiquiátrico ou a omissão de assistência í s mulheres no climatério, por entendimento equivocado de que se trata de uma fase na qual a depressão seria aceitável, normal, são problemas rotineiros na desassistência especializada do gênero feminino.


