EDITORIAL – Falta apoio í  Ideologia e ao empreendedorismo

29 de julho de 2012

 

Dizem alguns estudos que a sociedade está dividida entre aqueles que se motivam por fazer e aqueles que se motivam por ter, por estar. Na verdade, a diferença básica destes dois grupos é a presença de ideal ou espí­rito empreendedor. A natureza é sabia. O mundo não seria possí­vel se todos fossem ideologistas, se todos fossem empreendedores.   Faltariam pessoas para realizarem as déias e os empreendimentos, âmago do desenvolvimento social.   Também não seria viável a sociedade se todos fossem acomodados em suas posiçíµes sociais, como metade da população o é. Sem o empreendedor, o ideologista, não há mudanças, não há melhorias. As duas caracterí­sticas pessoais são nobres e necessárias, portanto.

Na sociedade em geral, mas principalmente na sociedade brasileira, a polí­tica tem carecido de espí­rito idealista ou empreendedor. As duas coisas são iguais. Empreender na polí­tica nada mais é do que realizar na prática um ideal. Ter ideal na polí­tica nada mais é do que querer empreender em um rumo só: Agir e ter atitudes coerentes nascentes de um único ideal.

E o resultado disto é o que assistimos no dia-a-dia. São milhares de pessoas se dizendo polí­ticas, mas que na prática são acomodadas. Milhares de pessoas se dizendo idealistas, mas que na prática são submissas í s pessoas e não a um ideal. Fazem parte daquela parcela da população que nasceu e se criou para ser dirigida, quando um idealista nunca é dirigido por pessoas e sim por uma idéia maior.

Partidos polí­ticos com falta de liderança empreendedora ou de ideais também acabam sequer sabendo í  que estão servindo.    E a falta de um norte definido faz com que o fisiologismo acabe ocupando o lugar da idéia. O poder pelo poder acaba substituindo uma busca social coerente.   E liderança na polí­tica necessita de vir de um idealista, de um verdadeiro empreendedor. Quando lí­deres conquistam poder em agremiaçíµes e não possuem esta caracterí­stica pessoal de idealista ou de empreendedor, acabam liderando sem norte. Não sabem como fazer ou exercitar a liderança. E o que acontece é a proliferação de agremiaçíµes e agremiaçíµes sem propósito, como vemos hoje em nosso Brasil.

Existem dois grandes lados do ideal social. Um defende que a liberdade do ser é o bem mais sagrado que existe. As propostas e polí­ticas públicas que são fruto deste pensamento puro necessariamente são elásticas quando dizem respeito í s vidas privadas dos seres da sociedade. As leis e norma sociais são feitas para regrar somente o ambiente coletivo.

A outra linha radical de pensamento é oposta í  da liberdade. Sugere que as pessoas são necessariamente submissas a um norte exercido pelo poder central da sociedade, que na maioria dos casos são os governos politicamente estabelecidos. As polí­ticas públicas desta corrente ideológica, portanto, tendem a entrar bastante na vida individual das pessoas. Como a própria base da idéia pressupíµe que as pessoas são submissas a certo controle de um pai maior ou de uma mãe maior na sociedade, naturalmente as leis produzidas por esta corrente são invasivas em nosso dia a dia privado. Sugerem ou direcionam comportamentos sociais, obrigam por lei que famí­lias se comportarem dentro do seu seio de forma planificada para todos e acabam formando uma inter-relação obrigatória entre as pessoas e o poder estatal.

No Brasil não e vê nenhum partido com viés Liberal. Todos, sem exceção, defendem a intromissão do Estado na vida das pessoas como uma coisa natural, como uma coisa necessária. Mas, mesmo os partidos brasileiros estando no mesmo lado da ideologia, não é isto que se vê nos comportamentos das agremiaçíµes, nos polí­ticos parte dos partidos, nos discursos das lideranças partidárias. O que vemos são comportamentos fugazes; comportamentos que não definem de que lado afinal estão os polí­ticos ou os partidos dos polí­ticos. E isto é causa direta da falta e pessoas com perfil empreendedor nas lideranças das agremiaçíµes. O excesso de pessoas sem perfil idealista na polí­tica chegou a tal ponto que não se nota mais ninguém que pegue um microfone na mão e defenda uma idéia por inteiro; que mantenha sua luta nos embates, que lembre seus interlocutores em que lado das idéias ele está.   A maioria dos discursos é incoerente. Defende uma idéia em parte, mas abomina a mesma ideia logo a seguir…

A sociedade brasileira está repleta de pessoas que nasceram e se criaram para ser uma liderança empreendedora. Infelizmente os horizontes profissionais destas mesmas peças sociais acabam empurrando a nata destes jovens empreendedores e idealistas para dois caminhos distintos, ambos que tolhem sua capacidade de agir conforme seus nortes vocacionais de lí­deres de mudança. Ou passam em concursos públicos, motivados pelo alto salário e a estabilidade de emprego;  ou acabam sendo artista perdidos na sociedade. Alguns poucos, que nascem em berço esplêndido, em famí­lias de empresários estruturados e capitalizados, acabam tendo a chance e empreender na empresas das famí­lias. Mas na polí­tica poucos se incluem.  í‰ que o preconceito da sociedade com a categoria dos polí­ticos é antigo e crescente, infelizmente. E o resultado disto tudo é a falta de qualidade de recursos humanos que a sociedade possui para escolher seus candidatos eletivos. Sem alternativas de idealistas e empreendedores, a tendência é do aumento de pessoas no poder com perfil de serem chefiados ao invés de saberem chefiar Ideias, empreendimentos sociais. E aí­ a coisa entra em um ciclo vicioso negativo, com poucas saí­das.

A própria sociedade deveria começar a questionar este modelo. Enquanto a carreira publica estável e burocrática for mais apetitosa que a privada, como o é hoje no Brasil, poucos empreendedores irão estar disponí­veis para liderar movimentos. E enquanto a legislação da economia do Brasil continuar faminta por impostos e nada apoiadora de novos empreendimentos, os poucos empreendedores que sobram continuarão perdidos na sociedade, praticamente correndo atrás do rabo sem saber o porquê de suas decepçíµes.    


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