Berçário de Escolhas

8 de agosto de 2012

 

Maria Helena Tomé Gonçalves

 

                      O momento polí­tico brasileiro oportuniza ao nosso povo motivos não apenas para analisar e julgar as escolhas feitas por nós enquanto eleitores, como também enseja uma nova conscientização no momento das próximas eleiçíµes municipais. No banco dos réus do infamante Mensalão estão sentados trinta e oito brasileiros provavelmente corruptos, que de modo geral se locupletaram indevidamente com o dinheiro público í  custa de favorecimentos e venda de seus votos para o Governo na ocasião.

                      O julgamento é considerado o maior em número de acusados e será o mais longo da história jurí­dica brasileira. Dentre os réus estão apenas quatro mulheres, o que já é um consolo, pobre consolo, para o gênero feminino. Talvez as mulheres sejam menos corruptas do que os homens, ou talvez, isso ocorra porque ainda somos em menor número nos escalíµes governamentais. Entre os réus muitos deputados eleitos com nossos votos e muitos assessores de seus gabinetes. Acredito que agora somos incapazes de lembrar em quem votamos na eleição daquele mandato, sabe-se lá se não fomos os responsáveis diretos por essas infelizes escolhas. Tudo aconteceu num mandato do ex-Presidente Lula, mas ele lavou as suas mãos e pediu desculpas públicas í  Nação em seu nome e no nome do seu partido, o PT, que nasceu sob a égide da honestidade e, mal acessado ao Poder Maior, estabeleceu uma notável rede de corrupção, corruptores e corrompidos. í‰ preciso ter claro que se há corrupção as duas figuras estão presentes: o corruptor e o corruptí­vel e ambos carregam a mesma carga de responsabilidade sobre os crimes cometidos. As desculpas em tom constrangido do ex-Presidente não passaram de um teatrinho infantil diante da gravidade dos fatos. Não há como refutar as acusaçíµes precisas do Deputado Roberto Jeferson, talvez um corrompido insatisfeito com seu próprio saldo bancário resultante da maracutaia ou, para os mais ingênuos, um nobre arrependido dos seus pecados.

                      Durante esse mega julgamento, desde as menores cidadezinhas até í s megalópolis brasileiras estamos vivenciando mais um processo eleitoral. Todos os municí­pios estão em processo de escolha de seus prefeitos e vereadores para mais um mandato de governo. São os municí­pios e as suas comunidades os verdadeiros berçários de escolhas, bom que fossem sempre boas e corretas escolhas. í‰ nas bases que podemos conhecer melhor as pessoas que escolheremos para as Prefeituras e Câmaras locais, muitos deles iniciantes, outros já inseridos no processo há mais de uma eleição, outros já com vistas a galgarem postos mais altos. í‰ nos municí­pios que nascem os polí­ticos de carreira, que depois alçam ví´os mais altos para as Câmaras Estaduais e Federais e, quando eleitos pela primeira vez, caem de paraquedas nos ninhos das cobras profissionais da polí­tica, politiquinha melhor dizendo. Basta ler o depoimento revelador do Deputado Romário sobre sua atuação na Câmara nesses dois anos de mandato. Segundo ele, é difí­cil para os novatos até conseguir falar em Plenário para apresentar um Projeto porque a rede de lí­deres não permite. Ali só vai pra frente o que é de interesse dos velhos e poderosos deputados eleitos e reeleitos por nós que, muitas vezes, esquecemos nossos próprios votos. A gente vota e depois não cobra nada, não cobra conduta, não analisa atuação, deixa a vida rolar. E dá no que dá.

                      O municí­pio é o berçário das nossas escolhas. í‰ aqui que aprendemos a escolher e aqui devemos cobrar conduta e atuação. Tanto os Prefeitos eleitos quanto os Vereadores são visí­veis e passí­veis de receberem nossa aprovação ou desaprovação í s suas condutas e é nesse berçário que podemos exercitar nosso direito de escolha. Somente a partir de uma nova conduta local, escolhendo da melhor forma e depois acompanhando de perto e cobrando promessas de campanha vamos dar iní­cio í  verdadeira democracia. O eleito é o nosso representante direto e é sua responsabilidade corresponder í s nossas expectativas e cumprir seus compromissos assumidos na campanha eleitoral para com a população local.


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