Polêmica e baixaria: O oportunista que criou um falso perfil da Cãmara de Vereadores no Facebook

12 de agosto de 2012

 

Por Guilherme Rocha

 

 

Um usuário criou um perfil falso no Facebook utilizando o nome da Câmara dos Vereadores de Torres, gerou polêmica na cidade e incitou uma análise sobre fraudes virtuais, falta de educação e corrupção no paí­s.

 

 

 

No Brasil, segundo a revista Veja, três páginas oficiais são atacadas a cada dia, em média, por crackers (ou internautas que não tem mais o que fazer). Sites de prefeituras e câmaras municipais são a maioria dos alvos, sendo que a invasão de sites como o da Petrobrás, da Presidência e do Senado viraram casos midiáticos nacionais. E na última  semana, a Câmara de Vereadores de Torres também foi ví­tima de um destes ataques virtuais, após um perfil falso da instituição ter sido criado na rede social Facebook.

O criador do perfil se manteve no anonimato, intitulando-se como um ex-funcionário da Câmara de Torres, onde teria trabalhado entre 2004 e 2008. Atualmente, diz estar morando em Brasí­lia, atuando como funcionário na Câmara de Deputados . Na página do Facebook, o usuário vinha usando o nome da Câmara Municipal para fazer acusaçíµes, ofender e postar informaçíµes difamatórias sobre vereadores e candidatos de nossa cidade.

O caso acabou virando polêmica em Torres, visto que dezenas de pessoas visitaram e se manifestaram no perfil do Facebook. A história chegou ao conhecimento da Câmara de Vereadores do Municí­pio que, por meio de sua assessoria jurí­dica, registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Polí­cia contra a fraude. Uma ação cautelar também estaria sendo encaminhada na Justiça. O objetivo seria descobrir o IP (registro que armazena dados do computador) do usuário que criou o falso perfil. E as possí­veis consequências penais e jurí­dicas parecem ter surtido efeito psicológico sobre o aní´nimo, uma vez que na quinta-feira (09) o polêmico perfil já não estava mais no ar. Contatada pelo Jornal A FOLHA, a Delegacia de Polí­cia de Torres confirma: fraude virtual é crime, passí­vel de punição como previsto no código penal brasileiro.

 

 

Oportunismo e falta de educação

 

A palavra cracker designa a pessoa que utiliza de seus conhecimentos em tecnologia para invadir e danificar os sistemas de computação de empresas e instituiçíµes públicas. O indiví­duo que criou o perfil falso da Câmara de Vereadores de Torres não invadiu nenhum sistema, apenas foi oportunista ao se apropriar de um nome que estava em aberto pelo Facebook para utilizar um novo perfil. Uma criança de 10 anos com algum conhecimento em computadores pode fazer isso. Portanto, apenas um perfil fake (falso) foi criado, e seria leviano dizer que o sujeito era um cracker. Trata-se muito mais de um oportunista, aproveitando o anonimato para falar o que quer.

Ao tentar justificar suas açíµes, o aní´nimo, motivado apenas por especulaçíµes suas, acusou o Legislativo torrense de corrupção. Citou nomes, dados sem comprovação, acusou sem provas, faz piada e pouco caso dos candidatos. Se autoproclamava um benfeitor para o povo torrense, mas, na prática, suas postagens e palavras evidenciaram muito mais uma necessidade latente de fazer fofocas, instaurar o caos, criar desavenças e, literalmente, avacalhar com a vida alheia, do que a vontade de ajudar a cidade.   Não estou dizendo que este aní´nimo não é uma pessoa que possui boas intençíµes, que deseja polí­ticos honestos e preparados no poder de Torres e do Brasil. Não o conheço realmente, e seria leviano de minha parte FAZER ACUSAí‡í•ES SEM PROVAS sobre seu caráter. Mas é inegável que sua postura na internet foi, no mí­nimo, antiética.

Outra constatação que pode ser percebida por aqueles que visitaram perfil fake, agora extinto, é a enorme quantidade de erros grosseiros de português e concordância  nas palavras do aní´nimo. O mesmo pode ser percebido por alguns dos usuários que utilizavam a página para expor suas ideias, ou fazer crí­ticas e acusaçíµes, raivosas e/ou infundadas. E também, infelizmente, foi possí­vel observar a clara falta de traquejo com as palavras por parte de alguns candidatos a vereador de nossa cidade (alguns apenas respondendo as acusaçíµes do aní´nimo, outros se aproveitando da situação para angariar votos). Fatos que evidenciam um problema grave no Brasil: a falta de importância dada a leitura e a escrita.

Apenas 26% da população nacional é plenamente alfabetizada, com capacidade de ler e interpretar textos longos, fixar a atenção em um livro, relacionar diferentes ideias. E não se tratam de pessoas sem escolaridade: eles podem ser advogados, professores, administradores, jornalistas. Brasileiros que passaram 15 anos ou mais em bancos de escolas e faculdades, mas que, ainda assim, dificuldade em se expressar e entender claramente as coisas, em adquirir novos conhecimentos. Evidências da péssima qualidade da maioria das escolas e cursos superiores no nosso paí­s, da vitória da alienação, que se propaga por tanta gente despreocupada em saber das coisas a fundo, gente que se acostumou com informaçíµes mastigadas na TV e internet e se deixou dominar pela preguiça de pensamento.

 

 

A corrupção e a revolta

 

Não nego que é legitima a preocupação do aní´nimo de Torres com a situação polí­tica brasileira (e até em nosso municí­pio). Realmente é difí­cil discordar que a corrupção é um ví­rus nacional, epidêmico, os casos de desvio de dinheiro público, peculato, improbidade administrativa, venda de influência, licitaçíµes com cartas marcadas, abusos de diárias e diversas outras fraudes se espalham aos borbotíµes pela mí­dia, nos quatro cantos do paí­s. Esta metralhadora midiática contra a corrupção polí­tica vem gerando uma indignação cada vez maior do povo brasileiro em relação  a diversas instituiçíµes públicas nacionais. Um sentimento de desconfiança e revolta, que cresce ainda mais ao passo que estes polí­ticos corruptores cometem seus crimes e ficam praticamente impunes aos olhos da justiça. São protegidos por trupes de advogados caros e prestigiados, especialistas em achar furos na constituição que protejam seus clientes desonestos.

Para finalizar, contabilizo um dado importante: Um estudo do Instituto de Direito Público (IDP) de Brasí­lia, realizado recentemente, constata que a chance de um polí­tico ou funcionário público corrupto ser condenado por seus crimes no Brasil é de apenas 3%.   A triste conclusão que tiramos disso é que a Justiça é ineficiente e está despreparada para combater casos de corrupção, principalmente por ser muito lenta no julgamento dos processos. E enquanto isso, a impunidade rola solta no setor público… e casos de ira e revolta, como o do aní´nimo de Torres, vão se espalhando.

 

 


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