Por Guile Rocha*
O Brasil encerra suas participação nos Jogos Olímpicos de Londres 2012 alcançando o seu número recorde de medalhas, mas sem conseguir seu melhor desempenho na história. Aliás, o desempenho geral dos atletas brasileiros ainda não é suficiente para qualificar o Brasil como uma potência olímpica.
Virada histórica da Rússia, na final do ví´lei masculino, foi um balde de água fria para a torcida brasileira
O Brasil deixa Londres com um total de 17 medalhas conquistadas nos 16 dias de competição, duas a mais do que o obtido nas ediçíµes de Atlanta 1996 e Pequim 2008. Porém, apenas três destas foram de ouro, o que deixou a população brasileira com um gostinho de quero mais para os jogos do Rio de Janeiro, em 2016. Além dos 3 ouros, foram mais
Em quantidade de ouro “ que é obviamente o parâmetro principal na avaliação do desempenho dos países em Olimpíadas “ o Brasil termina Londres 2012 sem conseguir repetir o feito de Atenas 2004, quando o país subiu cinco vezes ao lugar mais alto do pódio. O desempenho do Brasil em Londres 2012 foi levemente superior ao previsto pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que esperava que a delegação repetisse a performance de Pequim 2008.
Retrospectiva do Brasil em Londres 2012
O Brasil começou sua participação nos Jogos de forma arrasadora, conquistando três medalhas logo no primeiro dia de competição “ com o ouro inédito no judí´ feminino de Sarah Menezes, o bronze do também judoca Felipe Kitadai, e prata para o nadador Thiago Pereira.
Na primeira semana dos Jogos, a natação o judí´ continuaram receberando a maior parte da atenção da torcida brasileira. Havia muita expectativas por medalhas nestes dois esportes, nos quais os brasileiros tem historicamente uma boa participação.
No entanto, ao longo da semana, os brasileiros mostraram que não estavam í altura dos competidores. Na natação, Thiago Pereira não conquistou qualquer outra medalha, e as esperanças caíram sobre o astro brasileiros das piscinas, César Cielo. Porém Cielo terminou os 100m livres apenas em em sexto, e nos 50m “ prova na qual levou ouro em Pequim 2008, estabeleceu o recorde mundial e dominou nos últimos quatro anos “ ele terminou apenas com o bronze
O primeiro dia arrasador do Brasil em Londres 2012 passou a ser visto como uma exceção. Na primeira semana dos Jogos, diversos atletas brasileiros que estavam cotados para subir ao pódio “ como o ginasta Diego Hypólito e os judocas Leandro Guilheiro, Tiago Camilo e Rafaela Silva “ foram sendo eliminados precocemente em suas competiçíµes. O Brasil só voltou a ver medalhas no judí´ durante os últimos dias de competição, com os bronzes de Mayra Aguiar e Rafael "Baby" Silva.
Um outro grande destaque brasileiro surgiu longe da capital britânica, nas águas de Weymouth, no sul da Inglaterra. O velejador Robert Scheidt tornou-se o maior medalhista brasileiro da história das Olimpíadas, ao conquistar um bronze e seu quinto pódio consecutivo nos Jogos. No entanto, o sentimento para ele foi de alegria e tristeza, já que ele havia chegado ao dia final da competição com chances de ouro e com uma prata praticamente garantida, mas sendo surpreendido e caiu uma posição na classificação geral, depois da última regata da Star. Após as Olimpíadas, Scheidt decidiu deixar a classe Star de vela, e retornar para a classe Laser (Na qual é bicampeão olímpico)
Ouro inédito na ginástica artística
A última semana de competição começou da melhor forma possível, com o primeiro ouro da história da ginástica artística brasileira. Arthur Zanetti superou o chinês tetracampeão mundial Chen Yibing nas argolas, e levou o segundo ouro brasileiro em Londres 2012.
Aos poucos, os olhos do público brasileiro se voltaram para os esportes coletivos, onde o Brasil começava a chegar í s finais. No ví´lei de praia, apenas metade das quatro duplas brasileiras conseguiram pódio. Emanuel e Alison ficaram com a prata, após derrota para os alemães Brink e Reckermann, enquanto Larissa e Juliana acabaram com o bronze.
No sábado (11), penúltimo dia de competição, grandes surpresas determinaram outras duas medalhas brasileiras. No futebol masculino, após boa campanha nos Jogos, a badalada seleção do Brasil, repleta de craques, foi facilmente dominada e derrotada pelo México, diante de 86 mil pessoas no estádio de Wembley, e voltou para casa novamente com uma prata. Assim, o país segue sem medalhas de ouro no futebol olímpico, já que a seleção feminina foi eliminada pelo Japão nas quartas-de-final.
Já a segunda surpresa do sábado foi positiva para os brasileiros. Em jogo emocionante, a seleção feminina de ví´lei conseguiu vencer os Estados Unidos na final (para quem havia perdido por 3 a 0 na primeira fase) e levou o terceiro ouro brasileiro em Londres 2012.
Arthur Zanetti nas argolas: ouro brasileiro inédito na ginástica artística
Surpresa positiva no boxe, e negativa no ví´lei masculino
A meta do COB não teria sido alcançada nos Jogos sem o desempenho de um esporte que chegou í s Olimpíadas com pouco destaque. O Brasil conseguiu três medalhas no boxe olímpico, desempenho só inferior ao judí´ brasileiro em Londres 2012. Depois de 44 anos sem subir ao pódio no esporte, o Brasil conquistou uma prata, com Esquiva Falcão, e dois bronzes, com Adriana Araújo e Yamaguchi Falcão. Esquiva chegou í primeira final olímpica do Brasil no boxe, e Adriana conseguiu uma medalha nos primeiros Jogos em que mulheres lutaram boxe.
A última semana das Olimpíadas também foi marcada por uma grande decepção. O Brasil não conseguiu subir nenhuma vez ao pódio no atletismo, onde são disputadas algumas das modalidades mais nobres das Olimpíadas. Na Maratona, uma das maiores esperanças,o brasileiro Marílson dos Santos chegou na quinta colocação, e o Brasil ficou fora do pódio, dominado por atletas africanos.
E, no ví´lei masculino, após abrir 2 sets a 0 contra a Rússia na final, o Brasil permitiu uma reação inacreditável do adversário, e a Rússia levou a medalha de ouro. Uma virada histórica, como nunca antes havia sido vista na final do ví´lei nas Olimpíadas, e que frustrou os espectadores brasileiros A seleção masculina não conseguiu repetir o feito da seleção feminina e ficou com a prata.
No último dia dos Jogos, horas antes da cerimí´nia de encerramento, Yane Marques supera as expectativas e conquista mais uma medalha inédita para o nosso país. Ela terminou em terceiro no pentatlo moderno, conquistando mais um bronze para o Brasil – a 17 ª e última medalha da campanha de Londres 2012.
30 medalhas nas Olimpíadas do Rio: A aposta do COB
Para alcançar o objetivo de 30 medalhas nas olimpíadas do Rio de Janeiro, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) declarou que vai investir em esportes com potencial para um grande número de conquistas, como o boxe, em que há disputas em 13 categorias diferentes.
O COB declarou que vai investir em esportes com potencial para um grande número de conquistas, como o boxe, em que há disputas em 13 categorias diferentes. O comitê também aposta que metade das medalhas virá de esportes tradicionais do país, como judí´, ví´lei e futebol.
Alguns pontos de atenção levantados pelo COB em relação as Olimpíadas que terminaram, são a ausência de medalhas no atletismo, hipismo e taekwondo, além do basquete e do futebol femininos fora das semifinais, a vela com apenas uma medalha, a ginástica artística feminina sem chegar a nenhuma final, o desempenho abaixo do esperado na natação com apenas e o handebol masculino nem sequer foi classificado para participar dos jogos. Segundo o superintendente executivo do COB, Marcus Vinícius Freire, esses pontos serão tratados nas reuniíµes que começam a ser feitas com as confederaçíµes de cada modalidade no Brasil, na busca por uma consistência maiors destes esportes nos próximos jogos.
Apesar das 17 medalhas de Londres representar o maior número de pódios á alcançado pelo Brasil numa única edição olímpica, é preciso ganhar bem mais para atingir a meta de ficar entre os dez primeiros no ranking de medalhas no Rio. Para chegar a tal feito, seriam necessárias pelo menos 25 medalhas (sendo que umas 8 de ouro). Esta busca, de acordo com o superintendente do COB, depende da presença de um maior número maior de modalidades precisam conquistá-las. Em Londres, apenas sete modalidades conseguiram subir ao pódio. Precisamos de 13 modalidades medalhando, disse Freire.
Na comparação com o ciclo olímpico de Pequim 2008, os investimentos oriundos da Lei Agnelo/Piva passaram de R$ 230 milhíµes para R$ 331 milhíµes nos quatro anos até Londres. Freire observou que grandes potências gastam, em média, mais de US$ 1 bilhão. Enquanto a Grã-Bretanha, com uma área mais de 30 vezes menor que a do Brasil e menos de um terço da população, tem sete centros multiesportivos de treinamento, o país não tem nenhum, comparou Freire.
Michael Phelps se tornou o maior medalhista da história das olimpíadas, com 19 pódios
Recordes e destaques de Londres 2012
· O nadador dos Estados Unidos Michael Phelps bateu o recorde que pertencia a ginasta soviética Larissa Latynina, e tornou-se o atleta olímpico mais laureado da história, com 19 medalhas
· A final do futebol masculino, entre México e Brasil, tornou-se no evento com maior presença do público nos Jogos de Londres, com 86.126 torcedores. Ainda nesta partida, mais um recorde: Gol mais rápido da história olímpica, ocorrido aos 30 segundos de jogo, para o México.
· Na final do volei masculino, entre a Seleção Brasileira e a Seleção Russa e realizada no dia 12 de agosto, um fato histórico e inédito: Foi a primeira vez que uma equipe que perdia de 2×0 numa final olímpica consegue sagrar-se campeã.
· Dia 4 de agosto, entrou para a história dos Jogos Olímpicos. Foi neste dia que o primeiro atleta biamputado competiu em uma Olimpíada. Oscar Pistorius, da ífrica do Sul, nasceu sem a fíbula das duas pernas e usou uma prótese de lâminas de fibra de carbono para correr. Muito aplaudido pelo público, ele conseguiu se classificar para a semifinal dos 400 metros rasos
· O atleta Dong Hyun Im, da Coreia do Sul, bateu o primeiro recorde olímpico de Londres 2012, ao marcar 699 pontos no tiro com arco, em 720 possíveis. Como ele possui apenas 10% da visão em uma das vistas e 20% na outra, é legalmente considerado cego.
· A judoca da Arábia Saudita Wojdan Ali Seraj, de 16 anos de idade, entrou para a história como a primeira mulher de seu país a competir nos Jogos Olímpicos. Ela lutou usando uma adaptação do hijab, o tradicional véu islâmico.
· O jogo de tênis entre Roger Federer e Del Potro, válido pela semifinal do torneio, entrou para a história como o mais longo duelo em melhor de três sets na Era Aberta (a partir de 1968) do tênis, com 4 horas e 26 minutos.
*Com informaçíµes de Wikipedia, BBC Brasil, CBN Rádio e Jornal do Brasil


