OPINIíO – Cidade bipolar?

28 de agosto de 2012

 

Fausto Araújo Santos Jr.  

 

Pura democracia…

 

Na rua, as pessoas insistem em me dizer o que pretendem fazer quando forem vereadores, caso sejam eleitos. Tem gente que já disse que quer Estatizar a Ulbra, outros insistem que melhorarão a saúde conseguindo consultas para os incautos que ficam em filas para conseguir se curar, etc., etc. e etc.

Eles estão certos. O espí­rito da democracia é este. Embora saibamos que na Câmara não se consegue isto, pois se trata de trabalhos do Executivo; saibamos, inclusive, que em algumas para se cumprir promessas destas seja necessário encaminhar uma PEC aprovada em Brasí­lia para tentar encaminhar o pleito, não é saudável que deixemos que os sonhos dos candidatos sejam transformados em decepçíµes.   Até porque os sonhos que eles vendem como tarefas que farão na Câmara, caso sejam eleitos, na realidade podem ser parte de sonhos maiores.   Eles podem ver na vaga de vereador a possibilidade de chegar í  presidente da República. Portanto, estão legitimamente buscando seus sonhos pessoais. E mais! Se os sonhos não puderem ser realizados nem sendo presidentes do Brasil, podem ser tornarem guerrilheiros. Afinal, a nossa atual presidente já foi guerrilheira, o Che Guevara também, e é adorado como um semideus morto.

Pura democracia: a arte de poder militar por sonhos, mesmo que legalmente impossí­veis. Que venha o pleito…

 

 

Pura democracia 2

 

As campanhas das candidaturas í  majoritária também podem prometer qualquer coisa. Afinal de contas, nada é impossí­vel, basta ter vontade, já dizem os livros e auto-ajuda, os mais vendidos nas livrarias, diga-se de passagem…  Promessas de passagem pra lua (ida e volta, é claro), podem ser trocadas por promessas de um voto: isto é democracia… Promessas de cestas básicas semanais dentro do plano de governo de ação social podem ser trocadas por promessas de voto no candidato. Mas fica a obrigação dele, do candidato, a de ser eleito, uma certeza maior na busca do voto, missão do polí­tico em época de eleição.      

Construir estradas e viadutos que ligam Torres ao Itaimbézinho com o orçamento da cidade também pode ser promessa de campanha. Afinal de contas, quem diz que outra pessoa administrando os recursos da cidade não terá o poder da multiplicação dos Pães conseguido por Jesus? (conforme os Cristãos).  O candidato (a) pode ser o (a) Messias… Democracia!

 

Pesquisas: a alma da democracia

 

Sou fã de pesquisas eleitorais. Ainda mais agora que a lei é rí­gida, que a lei exige que a pesquisa seja registrada em cartório (custa R$ 3 mil só isto), que tenha uma empresa com um estatí­stico responsável; que divulgue o desvio padrão; que divulgue QUEM encomendou a pesquisa e QUEM pagou para ela ser feita… Ufa, que burocracia, não?

 Mas é para dar segurança no certame eleitoral… í‰ que algumas pessoas acham que o eleitor vota conforme as pesquisas. Outras acham que o eleitor troca de voto após ver uma pesquisa… Ou seja: as duas correntes têm razão, o embora as duas também não tenham razão…

Portanto, que se faça a pesquisa. Afinal de contas, se ela está registrada no cartório, quem não concordar pode pedir para checar a amostra. Pode sim… Pode ir lá ao cartório, firmar e protocolar um pedido para conferir a pesquisa e contar tudo de novo. Se desconfiar, pode inclusive ir adiante. Pode voltar em todas as casas novamente e checar se os votos foram certos ou se o entrevistador chutou, ou se o dono da empresa de pesquisa criou o voto… AH e o promotor eleitoral deve fazer isto, pensam os eleitores… Portanto, pesquisa é pesquisa… í‰ bom. E se for registrada, a certeza de sua confiabilidade é total…

 

Pesquisa: a alma da democracia 2

 

Inclusive, aqui em Torres são jornais ricos que estão fazendo pesquisas eleitorais. Os partidos, coitados, estão gastando todo seu dinheiro em bandeiretes, em carros divulgados musiquetas dos candidatos, em santinhos sendo jogados nas sarjetas… Para fazer pesquisa ainda não sobrou dinheiro, pelo menos até agora…

E aí­ surgem os jornais. Ah, os jornais, sempre eles…   Em uma demonstração de cidadania acima de tudo, gastam valores que representam mais de um mês de pagamento de seus custos de gráfica para encomendarem uma pesquisa. E alguns economizam na divulgação. Colocam-na em Preto e Branco, afinal o que interessa é o conteúdo. Que demonstração de cidadania. Parabéns aos jornais que estão tirando dinheiro de seus bolsos para ajudar a democracia de Torres.   Como dizem os religiosos: Deus dá de volta em dobro.

 

 

Cidade bipolar?

 

 E as duas pesquisas publicadas por dois jornais aqui da cidade dizem praticamente o contrário Mas não é bem assim… esperem… leiam até o final…

 Uma pesquisa mostrou uma evolução bombástica. Em menos de 15 dias, a chapa saiu de uma posição de derrota para a liderança.

Já a outra, feita por outro jornal, publicada 15 dias após, mostrou outra reversão. Agora quem estava na frente, que passou a ficar atrás, passa na frente de novo e com í­ndices que praticamente indicam a vitória.

Mas não está certo quem assim o acha… í‰ que a cidade está mostrando que é bipolar. De duas em duas semanas, muda de eufórica para deprimida (coloca-se eufórico ou deprimido quem estiver em algum lado, neste caso nos dois…).   Fazendo os cálculos, ainda faltam 45 dias para a eleição. 45 dividido por 15 é igual a 3. Basta fazer o cálculo… Ainda devem acontecer três crises bipolares. A menos que a cidade consiga receber uma boa dose de lí­tium, ou de antidepressivos.  Aí­ talvez a eleição fique empatada e outra pesquisa mostre este empate. Seria a cura de uma cidade bipolar? Tudo pode acontecer em uma eleição…

 

 Dois na frente e três atrás, ora, pois, pois…

 

Em épocas de campanha os números divulgados das atividades polí­tico-partidárias também acabam servindo como a piada do final de semana. í‰ í quelas que se contam quando se está saboreando uma costela gorda com cerveja para os abastados, ou uma lingí¼iça com farinha e cachaça para os menos endinheirados.

Números estratosféricos aparecem em divulgaçíµes de atividades polí­ticas. Quando só são viáveis 100 pessoas dentro de um lugar, as notí­cias aparecem sugerindo que estiveram 350, e não houve ninguém que ficou no colo, se não dava ciumeira em casa, ora bolas…

Outras situaçíµes e promessas de campanha praticamente sugerem que é, sim, possí­vel, colocar a cidade de Porto Alegre dentro de Torres, em um toque de mágica. í‰ como aquela brincadeira que se faz quando se pergunta como se bota cinco elefantes dentro de um Fusca. A resposta é simples: Dois na frente e três atrás…

 

 


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