EDITORIAL – Turismo não éfesta; étrabalho!

9 de setembro de 2012

 

O Promotor Público da comarca de Torres congelou as contas da municipalidade na semana passada.   A juí­za local autorizou o bloqueio das contas de prefeitura para atender uma sentença judicial que obriga a cidade que tenha verbas para atender o direito das crianças e adolescentes, para o Ministério Publico mal equipado na cidade. Trata-se somente de mais uma intervenção do MP no dia a dia da prefeitura. Se ela não tivesse casualmente brecado o pagamento da Folha dos Salários dos funcionários, seria uma entre várias intervençíµes do MP na municipalidade e não seria a última.     Mas o que assusta de certa forma a sociedade é o conceito que o promotor deu aos investimentos em eventos de turismo e Cultura de Torres. Vinicius de Melo Lima chamou os gastos da prefeitura nesta área de festas. E mais, colocou na intimação do MP contra a municipalidade um percentual desta rubrica da prefeitura para ser desviado no sentido de cumprir a sentença condenatória de Torres.  E estampou tudo isto no site do MP para todo mundo ver e ler.

Há uma compreensão errada da promotoria quanto aos eventos quando feitos em uma cidade turí­stica e sazonal como Torres.  Está muito longe de ser considerado festa os investimentos nesta área. Ao contrário, se trata de investimento em alavancagem da maior ou talvez da única atividade produtiva local. í‰ do turismo que a cidade vive; é do turismo que a cidade cresceu e será do turismo, ao menos por mais algum tempo, que a cidade se obrigará a alavancar-se para gerar emprego e renda í  população, missão de qualquer gestão pública séria.

Eventos realizados aqui, investimentos em mí­dia para trazer gente para a cidade e investimentos culturais para fomentar o bem estar dos visitantes de Torres, não se trata de festa. Ao contrário, representa muito trabalho aos torrenses. Nos feriados e nos eventos aqui realizados, a maioria das pessoas trabalha, no feriado, nos sábados, nos domingos. Trabalha para servir visitantes, estes sim í  passeio, como pode ter mal compreendido o promotor.   Os torrenses se obrigam e ficam satisfeitos em servir turistas e veranistas porque é do dinheiro deixado por eles aqui na cidade que as famí­lias sobrevivem.   Mesmo as famí­lias torrenses que possuem servidores públicos bem remuneradas como os promotores de justiça em seus lares, de alguma forma dependem do sucesso do turismo e do veranismo aqui.

Festa para os torrenses é a que eles farão, ou não, caso o turismo tenha prosperidade. Farão festa com o dinheiro deixado por visitantes em suas lojas, em hotéis onde trabalham, com o dinheiro que circulará após os feriados ou o veraneio oriundo dos vendedores ambulantes, dos garçons, dos atendentes, dentre outras profissíµes.  Farão festa porque estão prosperando em suas atividades de sobrevivência. Durante a festa, como conceitua o promotor Viní­cius, os torrenses trabalham e muito!

Não é nada saudável que ninguém, em qualquer posição social, pública ou privada, chame a atividade principal de uma cidade como Festa.   Festa é o que muitos funcionários públicos fazem com os vencimentos de marajás que recebem, í  custa do trabalhador, que aqui em Torres, por exemplo, trabalha duro justamente para alguns destes marajás se divertirem em nossa cidade.  

A falta de estudo e de capacidade de analise por parte de algumas autoridades acabam estampando estas atrocidades bem na frente de uma comunidade séria, que trabalha, sim, e que depende, sim, do turismo, dos eventos, da mí­dia, para que seu emprego e sua renda sejam garantidos. í‰ temerário que pessoas com posiçíµes importantes chamam o trabalho da cidade e, consequentemente, os trabalhadores do local, de Festa de festeiros. Cabe ao promotor um pedido de desculpa.  


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