Maria Helena Tomé Gonçalves
Se acreditamos que os candidatos a legisladores eleitos devem frequentar curso obrigatório de formação política, o mesmo acreditamos para os cargos executivos. Um candidato a Prefeito ou a Vice deve ter um preparo político e administrativo mínimo para a gestão. Logo após a eleição deveriam frequentar curso básico de administração pública ministrado em instituiçíµes regionais, obrigatório para todos os eleitos pela primeira vez. Também os Vices, pois já é tradição no Brasil, por motivos alheios í vontade humana, os vices tornarem-se titulares em tempo recorde (lembrar Tancredo Neves que morreu antes da posse e tornou Presidente o seu Vice e muitos outros casos similares). Se o Prefeito eleito é um profissional da área administrativa tudo pode ser bem resolvido, mas se é um leigo em Administração, o seu mandato tende a se tornar temerário. Especialmente quando é incapaz de se assessorar muito bem escolhendo e nomeando cidadãos competentes em cada setor, pois por acordos tem que ceder aos interesses políticos das coligaçíµes consagradas com o único objetivo da vitória.
Assessoramento adequado nas secretarias e setores da administração municipal também deveria pautar-se pelo preparo e qualificação do escolhido para cada cargo ou função. Nesse aspecto a regra é básica: Cada macaco no seu galho. Nunca entendi um advogado ou um militar sem a menor formação profissional na área da saúde, menos ainda da saúde pública, ser escolhido para a Secretaria da Saúde. Como também não entendo uma Secretaria de Turismo sem um profissional de Turismo, ou a Administração sem um administrador de carreira ou a Consultoria Jurídica ser ocupada por quem não é, no mínimo, formado em Direito ou a Secretaria da Educação ser dirigida por alguém que não é professor, mestre ou doutor em Educação. E por aí vai. í‰ comum as Secretarias Municipais e Estaduais serem ocupadas por profissionais fora da área em questão, como é comum termos Ministros que nada tem a ver com o Ministério que representam, são apenas políticos escolhidos ou indicados pelos malditos interesses das coligaçíµes partidárias pré e pós eleitorais. Antes da eleição todos estão unidos em prol da vitória. Após a eleição cada um puxa mais brasa para o seu assado no temor da quebra dos acordos prévios.
Claro, há que pensar que em todos os setores municipais há profissionais de carreira devidamente concursados para o exercício de cargos técnicos. Mas aqui também há algo a ser reparado com atenção: o partido político do profissional concursado não deveria influenciar o seu exercício profissional. í‰ comum esses profissionais serem remanejados para outras funçíµes ou serem postos de lado quando não pertencem ao quadro partidário do Prefeito eleito, formando-se dentro do quadro de funcionários públicos alguns segmentos distintos e controversos: os concursados que são do partido e caminham junto com a nova administração, os concursados que não são do partido e passam a ser temidos porque podem perturbar o alcance de objetivos e metas e são menosprezados até em suas atribuiçíµes de rotina (na história há gente que foi parar no porão por ser de partido oposto) e o mal maior, o extenso quadro de CCs que estão na função apenas para cumprir acordos formando um já tradicional cabide de novatos inexperientes e incompetentes para a função para a qual são contratados. O essencial é rezar pela cartilha do partido vencedor, assinar embaixo de todos os desmandos, mas ficar no empreguinho. CCs deveriam ser apenas para cargos de chefias fundamentais ao alcance dos objetivos e metas propostas. E só.
Para mudar esses ineficientes e ineficazes costumes administrativos, para fazer de fato a verdadeira diferença no contexto local é preciso coragem. Coragem de decidir sempre pelo melhor e mais coerente para o bem comum pelo qual o eleito comprometeu-se e jurou trabalhar, coragem de dizer sim quando o melhor é dizer sim e de dizer não quando o mais indicado é dizer não, procurando não quebrar nem promessas nem acordos, mas fazendo sempre o que é melhor para o progresso local e bem estar de todos.


