METABOLISMO FEMININO APí“S OS 40 ANOS

19 de setembro de 2012

 

Com algumas variaçíµes, essa história se repete diariamente em consultas a nutricionistas e em clí­nicas endocrinológicas. Pacientes contam que mantêm a mesma alimentação, os mesmos exercí­cios e, ainda assim, engordam.

A resposta passa por alteraçíµes hormonais, queda do metabolismo, diminuição do sono e estresse, entre outros fatores. A boa notí­cia: dá para se preparar para a nova fase, assim como reverter as mudanças na forma corporal. Não se trata só de estética, mas de saúde.

Mulheres que ganharam dez quilos ou mais após a menopausa tinham 18% mais chance de desenvolver câncer de mama, segundo estudo divulgado ano passado no "JAMA" (publicação da Sociedade Americana de Medicina).  Já quem perdeu dez quilos ou mais após a menopausa e nunca fez reposição hormonal tinha 57% menos chance de ter esse tipo de tumor do que quem manteve o peso.

Tanto homens quanto mulheres vivenciam a queda da taxa metabólica ao envelhecer. Isso significa que o corpo gasta menos energia para se manter funcionando aos 40 anos do que aos 20, por exemplo. Uma desvantagem para as mulheres é que elas têm, naturalmente, menos massa muscular, que utilizam muita energia, e mais tecido adiposo. Além disso, por volta dos 45 anos, com a diminuição dos ní­veis de estrogênio, a proporção da testosterona no organismo feminino sobe. O resultado é o surgimento da gordura abdominal. Extremamente prejudicial, ela eleva o risco de doenças cardiovasculares, de hipertensão e de diabetes.

O tecido adiposo participa ativamente da regulação hormonal e, quando localizado no abdí´men, age de forma diferente. Entre as substâncias fabricadas pela gordura abdominal, estão duas com ação inflamatória: a IL-6 e o TNF-alfa. Em alta concentração, elas levam a uma inflamação crí´nica dos vasos sangí¼í­neos – o que pode levar í  arteriosclerose – e aumentam a resistência í  insulina – a porta de entrada para o diabetes. Outras proteí­nas ligadas í  gordura visceral são a PAI-1, que leva í  formação de coágulos no sangue, e a angiotensina-II, que causa hipertensão.  

Para reduzir a gordura corporal, é preciso comer menos e se exercitar mais – algo nem sempre fácil para mulheres em meio a um turbilhão emocional. Dos 41 aos 55 anos, as mulheres passam por uma transição hormonal, e algumas podem ser mais vulneráveis a essa fase. Isso inclui sintomas ansiosos e depressivos, que podem interferir no peso. Além disso, nessa fase muitas mulheres enfrentam mudanças na relação com os filhos, que chegam í  adolescência, e vivem uma fase profissional estressante. E, esse estresse também influi no peso: ele libera o cortisol, que afeta o metabolismo e leva í  resistência í  insulina.

Outro fator importante é o sono. í‰ comum ter insí´nia nos primeiros cinco anos de menopausa e, no climatério, os fogachos (caloríµes) impedem uma boa qualidade de sono. Após uma noite em claro, é difí­cil querer se exercitar, mas essa não é a única conseqí¼ência. Quem dorme menos tem uma propensão a engordar mais. Uma das hipóteses para isso é que durante o sono o corpo libera o hormí´nio do crescimento, que tem efeito anabolizante (aumenta a massa muscular, melhorando o metabolismo). Além disso, a falta de sono também libera cortisol e interfere em hormí´nios como a grelina (hormí´nio da fome) e a leptina (hormí´nio da saciedade).

As mudanças dessa faixa etária também podem ser acompanhadas por uma doença: o hipotireoidismo. O problema costuma afetar mulheres e surgir após os 40 anos e é associado í  piora da hipertensão, ao aumento da glicemia e í  fraqueza muscular. Ele também diminui o metabolismo. O problema é irreversí­vel, mas pode ser tratado com reposição hormonal especí­fica.

Na ausência de doença, a melhor estratégia para manter o peso é adotar hábitos saudáveis o quanto antes. Quem tem tendência a doenças crí´nicas deve se cuidar o mais cedo possí­vel. Antes da menopausa, os resultados são mais rápidos e a receita não é tão   complicada como muitas pessoas pensam. Quem se alimentar de forma saudável, não ceder ao marketing de alimentos industrializados e reservar tempo para a atividade fí­sica dificilmente terá problemas. Porém, uma visita ao nutricionista, endocrinologista e psicólogo são necessárias para diagnosticar riscos de doenças, enfermidades presentes e auxiliar na motivação para passar por esta etapa da vida com qualidade.


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