EDITORIAL – Háde se escolher um lado…

26 de setembro de 2012

 

Em fase de eleição municipal, se torna didático que a sociedade brasileira como um todo seja estimulada a tentar se encaixar em um dos dois grandes lados da ideologia polí­tica. Sem exceção, em todos os certames municipais, assim como em certames estaduais e de nação, estão por trás duas correntes distintas. Dificilmente as diferenças dos planos de governo e das promessas dos candidatos que afunilam para a disputa final não estão divididas claramente entre um projeto que sugere repasses diretos de benefí­cios í  população e outro que, nas entrelinhas, sugere que é melhor gastar recurso público em processos produtivos e autosustentáveis econí´mico e socialmente falando.

Nos Estados Unidos, o perí­odo também é de pleito. Lá, em novembro próximo, a população irá escolher entre a continuidade do projeto socialista do atual presidente Barack Obama e a mudança para um conceito bastante radical vendido pelo republicano Mitt Romney. E a militância na terra do Tio San funciona muito. íˆ que a exacerbação da democracia naquele paí­s provoca profundamente a sociedade como um todo e os pleitos acabam sendo decididos por temas sutis, baseados tão somente nas caracterí­sticas pessoais e no temperamento dos candidatos de ambos os lados. Em um paí­s como os EUA, onde a constituição defende a Liberdade individual como um valor sagrado; a sociedade não admite tocar neste assunto e defende-a com unhas e dentes; e o judiciário julga suas causas sacramentando este valor como âmago da alma humana, as diferenças entre uma polí­tica pública mais voltada para a vara de pescar ao invés do peixe e uma polí­tica pública voltada mais para gastar dinheiro público em benefí­cios direto para a sociedade é a grande e saudável briga entre Republicanos e Democratas nos Estados Unidos da América.

Nesta semana que passou, os feitores da parte nebulosa e suja contratados pelas campanhas que estão em ebulição nos EUA mostraram suas garras, como sempre… Um adversário gravou com seu telefone celular o candidato republicano Mitt Romney em uma reunião com doadores ricos do paí­s, onde ele defendia a busca dos americanos que defendem uma polí­tica pública mais empreendedora e menos assistencialista. Romney disse que estava certo que mais de 40% dos votos dos americanos seriam dados ao seu oponente, o presidente Barack Obama, porque se tratava de uma parcela da população que estaria, conforma a gravação, viciada em receber favores do Estado.   O áudio está sendo usado pela campanha de Obama para desqualificar o oponente republicano. Afirmam os democratas, que Romney é preconceituoso para com os pobres e parece que isto de certa forma pesa na escolha da sociedade na eleição que se aproxima nos EUA.

O bonito disto é que Romney responde com coragem e mantém o idealismo. Diz que quer mostrar para os americanos que eles estão sendo vitimas de certa compra institucionalizada protagonizada pelo governo Obama, que, através de polí­ticas de transferência direta de renda, está viciando a população em receber favores institucionalizados do Estado. E afirma que isto não é bom, nem para o ser humano e sua liberdade individual sagrada naquele paí­s, nem para a nação, que mostra que está caindo na competitividade do globo terrestre, onde no último século foi lí­der, quantitativa e qualitativamente falando.

Nas campanhas municipais do Brasil, que estão prestes a serem resolvidas através dos votos do dia 7 de outubro, a sociedade haveria de se posicionar, também. Principalmente os formadores de opinião das cidades, que são, mesmo que sem muita aparência, os que indicam as tendências de escolhas das melhores candidaturas locais, deveriam refletir e se posicionar. Sempre há dois lados. Um que sugere polí­ticas públicas com alta intervenção do governo nas vidas das pessoas, em um processo que sugere alta cobrança de imposto e que torna a administração pública cara, embora clientelista; e outro, que acaba indicando um caminho mais liberal, menos intromissor, mais voltado para o sistema produtivo local. Dificilmente não se enxerga claramente a diferença quando a coisa afunila para a polarização final.

Militar e sonhar com uma cidade melhor passa necessariamente por esta escolha. Queremos um municí­pio mais socialista ou queremos um municí­pio mais liberal? Esta é a questão.  

 

 

 


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