DISTÚRBIOS DA TIREí“IDE: HIPOTIREOIDISMO

2 de outubro de 2012

 

Antoniela Vieira

 

A glândula tireóide controla o metabolismo do corpo inteiro por meio do controle da produção de energia e da absorção de oxigênio.

í Legenda: T3: Triiodotironina, T4: Tiroxina e TSH: Hormí´nio Estimulante da Tireóide.

Um dos distúrbios da tireóide é o Hipotireoidismo, caracterizado clinicamente por teores elevados de TSH (hormí´nio estimulante da Tireóide) associados a ní­veis normais ou reduzidos de T3 e/ou T4. Resulta da deficiência da ação do hormí´nio tireoidiano, o que causa uma redução generalizada dos processos metabólicos.

Pessoas com Hipotireoidismo normalmente têm dificuldade maior de emagrecer devido aos hormí´nios da tireóide não serem produzidos de maneira adequada. Mesmo tomando seu remédio para o hipotireoidismo, receitado pelo seu médico, você ainda pode ter mais dificuldade que uma pessoa que não tem o problema. Isso porque, mesmo com a reposição hormonal através do remédio, o organismo pode não estar convertendo o T4 (Tiroxina) recebido, em T3 (Triiodotironina), e é justamente essa deficiência na conversão, e a diminuição do T3, que deixa o metabolismo cada vez mais lento (diminui o metabolismo dos carboidratos e gorduras).

O T4 é convertido em T3 pelos tecidos periféricos não-tireóideos (fí­gado e músculo) pela remoção de um resí­duo de iodo. O T3 é responsável pela grande maioria dos efeitos dos hormí´nios da tireóide, e o T4 pode não exercer nenhuma atividade endócrina até que seja convertido em T3 pelas enzimas iodotironina deiodinases tipo I e tipo II. Sendo o hormí´nio exógeno da tireoide (T3) que tem ação sobre seu peso.

Uma das causas de um metabolismo lento devido a baixa conversão de T4 em T3 é a falta de alguns nutrientes essenciais. Estudos feitos com ratos têm demonstrado que: ratos deficientes em zinco apresentam baixas concentraçíµes dos hormí´nios T3 e T4 quando comparados com ratos não deficientes em zinco e alimentados com quantidades adequadas desse mineral. Em estudos realizados com humanos, observou-se que, nos indiví­duos submetidos a dieta com baixa concentração de zinco, houve redução do zinco no sangue, diminuição do gasto de energia e diminuição dos ní­veis dos hormí´nios da tireóide, T3 e T4.

Outras pesquisas têm sido realizadas para avaliar o efeito da suplementação de zinco em pacientes com alteraçíµes no metabolismo dos hormí´nios da tireóide e, como resultado obteve-se melhora dessas anormalidades após as suplementaçíµes.

Tudo isso ocorre porque a conversão periférica de T4 em T3 é regulada pelas enzimas iodotironina deiodinases tipo I a qual é dependente de selênio; e a tipo II, que pode ser uma proteí­na dependente de zinco ou, então, necessite desse mineral como co-fator no processo de transformação do T4 em T3.   Portanto, a participação do zinco e selênio, bem como do cobre, ferro, iodo e o aminoácido tirosina, nos hormí´nios tireoidianos, é de fundamental importância para acelerar o metabolismo da tireóide.

A nutrição pode fazer muito pela sua tireóide através da suplementação e alimentação. Além do hormí´nio da tireóide você também pode utilizar a alimentação e talvez a suplementação adequada para o metabolismo de sua tireóide e para emagrecer. Tudo isso, com acompanhamento do seu nutricionista.

Algumas técnicas ajudam a identificar se sua tireóide pode estar alterada, tais como: observe se não há uma elevação no seu pescoço em forma de lombada na horizontal; observe suas unhas, se existirem manchas brancas, que significa falta de zinco e selênio; também, unhas grossas e espessas com ondulaçíµes, significa falta de vitamina A. Pés e mãos frios ou sensibilidade ao frio, pele seca e escamosa, perda de cabelo, intestino preso, rouquidão, colesterol elevado, hipertensão e queda de energia no final da tarde, são alguns sintomas, no entanto, é necessário, ser avaliado pelo seu médico e nutricionista.

Através da alimentação é possí­vel modular as concentraçíµes dos minerais, acima citados, e facilitar, portanto, a produção dos hormí´nios pela tireóide. Além disso, existem alguns alimentos que atrapalham o funcionamento da tireóide. Esses alimentos diminuem a utilização do iodo pela tireóide e, portanto, dificultam a produção de seus hormí´nios.

Caso sua tireóide esteja produzindo baixa quantidade de T4, é melhor evitar esses alimentos: repolho, couve, couve-flor, alho, cebola, espinafre, maracujá, soja, ovo, lactose, glúten são os mais comuns. Carne vermelha, mamão papaia, pêssego, brócolis são menos comuns, podendo ser ingeridos por algumas pessoas que têm tireóide lenta. Lembramos que isso não é regra geral; os alimentos podem variar de organismo para organismo. Existem alimentos que, por conterem alta concentração de zinco e selênio, são indicados neste caso são eles: nozes, castanha-do-pará, castanha de caju, semente de abóbora, semente de girassol, germe de trigo, caranguejo, amêndoas, lagosta, frango, carpa, ostra, salmão, corvina, linguado, bacalhau, bagre, atum, farelo de arroz, sardinha, farinha de centeio, anchovas, aveia e arroz integral. Coma também, alimentos ricos no aminoácido tirosina, que são encontrados em alimentos ricos em proteí­nas (frango e peixes), semente de abóbora, abacate e amêndoas. O suplemento de L-tirosina e os outros nutrientes aceleradores da tireóide podem ser usados com orientação nutricional. Outro ingrediente necessário na produção de hormí´nio da tireóide é iodo, que deve ser tomado através da dieta. Sal de mesa iodado contém suficiente iodo para impedir bócio, outra condição da tireóide, mas geralmente não contém suficiente para prevenir ou reverter hipotireoidismo. Frutos do mar geralmente são a melhor fonte de iodo na dieta. Sal iodado pode ser usado para aumentar a ingestão de iodo total.

í‰ fundamental que todo paciente com hipo ou hipertireoidismo seja acompanhado pelo seu médico e seu nutricionista, que irão avaliá-lo e orientá-lo quanto aos alimentos que devem ser evitados ou ingeridos. Jamais faça uma dieta ou tome suplementos sem orientação, você pode prejudicar seu organismo.

 


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