PUNTA DEL ESTE DE Lí E DE Cíâ€

2 de outubro de 2012

 

Punta Del Este comporta certo paralelismo geográfico com nossa cidade. Como Torres, a cidade-irmã uruguaia se assenta sobre duas estruturas rochosas í  beira mar. A do norte “ a Punta Del Este propriamente dita “ é onde se desenvolveu o núcleo urbano mais tradicional; na sua extremidade está o farol. Corresponde í  nossa Torre do Norte, em que está a cidade-alta e em cujo ponto mais elevado e avançado existe também um farol. A outra estrutura rochosa uruguaia chama-se PuntaBallena e está ao sul da primeira. í‰ como se fora o nosso conjunto Torre do meio-Guarita-Torre do Sul. A PuntaBallena, que avançamar adentro como a Torre do Meio, é sobretudo parecida com esta: constitui-se de uma chapada alta (menos impressionante do que a nossa), com várias furnas, que lá denominam grutas (Grutas del Tigre, de losMurcielagos, de Salamanca, etc).

Ruschel descreveu brilhantemente em 1988 o paralelismo entre as duas cidades: Torres e Punta Del Este. O mais interessante de sua descrição é que ela não se deteve apenas ao aspecto geográfico, passou também pelo aspecto histórico. Ele poderia ter ido um pouco mais e analisado

o aspecto turí­stico. Tenho certeza que se sua análise tivesse se estendido ao turismo o paralelismo seria mais difí­cil.

Assim como Gramado, a comparação entre Torres e Punta Del Este é inviável, porém podemos ver o que eles fizeram com o que a natureza lhes deu e comparar com o que nós fizemos a este respeito.

Vamos lá, seguiremos o paralelismo acima iniciando por PuntaBallena. Carlos Vilaróajudou a melhorar o que já era belo, criou a Casapueblo em uma das encostas do morro. Esta edificação funciona como hotel, restaurante, museu, galeria de arte e ateliê do artista. O acesso é bem sinalizado e bem conservado, diferente do que vimos aqui. Embora a torre similar daqui esteja em um parque estadual e não seja possí­vel algo parecido com o que foi construí­do por Vilaró, ao menos poderí­amos melhor prepará-lo para o turismo. Há tempos abandonado, sem banheiros, com sinalização precária, acesso bastante danificado, enfim, um dos cartíµes postais da cidade está em péssimo estado.

Entre essas duas puntas fica a PlayaLas Delí­cias – Pinares, tal qual nossa Praia da Cal, só mais comprida que aquela. Para cúmulo da semelhança, existe lá uma lagoa “ a Laguna del Diário “ que corresponde í  Lagoa do Violãodaqui embora aquela esteja mais perto da estrutura rochosa do sul, esta do norte.

O mais impressionante é que em boa parte da orla (de lá), pode-se observar o mar com a ajuda de deques de madeira estrategicamente colocados acima das dunas, valorizando o passeio sem descuidar do quesito meio ambiente. Aqui foram colocadas passarelas e esteiras de madeira para acesso a beira mar. Nada impede que sejam projetados alguns deques de madeira ao longo da orla para que o acesso í  paisagem marinha seja facilitado.

De fato, pelo lado do norte o rio Maldonado equivale ao nosso Mampituba; La Barra (del Maldonado) e a Barra (do Mampituba) são igualmente freqí¼entadas por turistas. A diferença é que o Maldonado tem uma bela ponte rodoviária, única em seu estilo, ao passo que nós só possuí­mos, por enquanto, uma ponte pênsil para pedestres.

Aqui tivemos uma bela melhoria de 1988 para 2012. A ponte entre os dois estados se tornou realidade, muito mais pela vontade do Passo de Torres do que da nossa, mas está lá. A ponte sobre o rio Maldonado faz parte do cartão postal, ou seja, valoriza ainda mais a paisagem do rio. Diferente daqui, que embora útil, a nossa ponte não tem nenhuma beleza arquitetí´nica. Porém, o entorno está melhor do que era, o que valorizou turí­stica e economicamente esta zona da cidade.

Finalizando (porque o espaço é curto e já me estendi demais), um dos problemas sérios da cidade como um todo é a sinalização turí­stica, ela é muito deficiente (falamos de uma cidade turí­stica por excelência).O que não ocorre em Punta Del Este. Lá podemos andar por toda a cidade e região sem nos perdermos ou deixarmos de localizar algum lugar que procuramos. Ela é bem sinalizada e os principais produtos/atrativos turí­sticos estão em perfeito estado de conservação e comexcelentes e bem cuidados acessos.Nada tão difí­cil que não possamos repetir aqui.

Gostaria de falar sobre o que não se vê, mas está lá. A visão das gestíµes pública e privada em relação ao turismo e como isso reflete na vida e na economia local, mas deixo para uma próxima coluna.

 

Roni Dalpiaz

Site: www.ronidalpiaz.com.br                               e-mail: ronidalpiaz@gmail.com

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Referências

RUSCHEL, Rui Ruben. Torres tem história. Porto Alegre:EST, 2004.

http://www.puntadeleste.com/pt/informacao/punta_del_este/punta-del-este


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