Massacre do Carandiru: 20 anos da chacina que marcou de sangue o paí­s

5 de outubro de 2012

 

Detentos foram sumariamente assassinados pela polí­cia no Carandiru / Foto: Uol Noticias

 

No dia 02 de outubro, quando se completam 20 anos da maior chacina da história do sistema penitenciário brasileiro, os movimentos sociais Rede Dois de Outubro e Levante Popular da Juventude fizeram um esculacho “ um ato de denúncia “ em frente í  casa do ex- governador de São Paulo, Luiz Antí´nio Fleury Filho. Na época, Fleury autorizou a Polí­cia Militar a invadir o Pavilhão 9 do presí­dio. No total, ao menos 111 detentos foram mortos (dados oficiais).

Poesias, cançíµes e uma demonstração simbólica de 111 velas acesas em frente í  residência do ex-governador, no bairro do Pacaembu (SP), integraram a ação em memória dos presos, que durou cerca de 30 minutos. Aproximadamente 60 pessoas participaram do ato. O objetivo da manifestação é denunciar a polí­tica de extermí­nio que segue dentro e fora dos presí­dios.

 

                Abuso de poder, covardia e chacina : relembre o caso

 

No dia 2 de outubro de 1992, policiais invadiram o presí­dio do Carandiru durante uma rebelião e mataram, com uso de metralhadoras, fuzis e pistolas, ao menos 111 presidiários.

O então governador de SP, Luiz Antí´nio Fleury Filho, concedeu poder de decisão ao coronel Ubiratan Guimarães sobre a invasão do pavilhão 9 do presí­dio pelos cerca de 340 homens dos batalhíµes de elite da Polí­cia Militar. O objetivo era conter um motim iniciado com uma discussão entre os presos Barba e Coelho, mas a ação resultou em 3,5 mil disparos de grosso calibre.

Sobreviventes afirmam que o número de mortos é superior aos 111 divulgados, e que a Polí­cia estava atirando em detentos que já haviam se rendido ou que estavam se escondendo em suas celas. Nenhum dos sessenta e oito policiais envolvidos no massacre foi morto..

A Comissão que investigou os excessos cometidos naquele fatí­dico 2 de outubro conclui que não houve negociação e os PMs dispararam contra os presos com metralhadoras, fuzis e pistolas automáticas, visando principalmente a cabeça e o tórax.

Coincidentemente, o massacre ocorreu um dia antes de a população escolher prefeito e vereadores para o próximo mandato.   Por isso número oficial de mortos no massacre do Carandiru só foi revelado uma hora antes do encerramento das votaçíµes. As eleiçíµes estavam salvas e a ordem mantida.

 

A vida e morte do carrasco Ubiratan

 

Entre os envolvidos na operação, apenas o coronel Ubiratan foi a julgamento pelo massacre, sendo responsabilizado por 111 mortes e cinco tentativas de homicí­dio. Foi condenado a 632 anos de prisão em regime fechado. Por ser réu primário e ter endereço fixo, o coronel conseguiu recorrer da sentença em liberdade. Ironicamente, o pavilhão 9 era especí­fico para réus primários. Cerca de 80% das ví­timas do massacre esperavam por uma sentença definitiva, ainda não haviam sido condenadas pela Justiça.

Mais tarde, a sentença contra o coronel foi anulada. Transformado num nome conhecido do grande público após o massacre, Ubiratan entrou na polí­tica. Em 2002, elegeu-se deputado estadual, utilizando o mórbido número 14.111 (sendo que 111 era uma referência ao número de assassinados na chacina do Carandiru). Ubiratan se vangloriava das mortes no presí­dio para conquistar o voto de pessoas ignorantes e sádicas.

Em setembro de 2006 foi encontrado morto em seu apartamento, com um tiro no abdí´men. Ciumenta, a namorada teria matado por amor™. No muro do prédio onde morava foi pichado "aqui se faz, aqui se paga", com referência ao Massacre do Carandiru que o Coronel foi o comandante da operação.

 

O suposto surgimento do PCC

 

O massacre causou indignação em detentos de outras penitenciárias em São Paulo, os quais supostamente decidiram formar o Primeiro Comando da Capital (PCC) no ano seguinte ao do evento. Uma das afirmaçíµes iniciais do grupo era a de que pretendiam "combater a opressão dentro do sistema prisional paulista" e "vingar a morte dos cento e onze presos".

Entretanto, esta suposta origem do PCC, um dos principais grupos do crime organizado no Brasil, é muito questionada, não havendo provas claras  e reaisde que haja qualquer ligação entre a facção criminosa e o massacre dos detentos.

 

O Massacre do Carandiru na cultura popular

 

"Diário de um Detento" é uma canção de rap do grupo Racionais MC’s, escrita pelo ex-detento Jocenir. A letra da música aborda a rebelião do presí­dio do Carandiru, do qual Jocenir foi um dos sobreviventes. O nome também é titulo de um livro do mesmo autor. A música foi classificada em 52 º lugar na lista das 100 maiores músicas brasileiras publicada pela revista Rolling Stone, e até hoje é considerada uma das cançíµes mais influentes do grsnde grupo de rap brasileiro.

Outra figura que ganhou notoriedade ao contar as histórias do Carandiru foi o médico Dráuzio Varella, autor em 1999 do livro Estação Carandiru. No best-seller, o autor conta sua experiência como médico voluntário, a partir de 1989, na Casa de Detenção de São Paulo, onde realiza atendimento em saúde, especialmente na prevenção da AIDS. Conta o que ouviu dos presos ou o que presenciou e termina com um relato do massacre de 1992, quando foram assassinados cento e onze detentos no "Pavilhão 9". O autor registra que, segundo os presos, foram mais de "…250 mortos, contados os que sairam feridos e nunca retornaram".

Baseado no livro de Dráuzio Varella, foi produzido em 2002 o filme Carandiru, dirigido por Hector Babenco. O filme foi uma verdadeira superprodução nacional, orçado em 12 milhoes de reais, e reproduziu nas telas para o grande público uma versão sobre o dia-a-dia no maior presidio brasileiro até o fatí­dico dia em que o governador e a polí­cia de São Paulo decidiram realizar a maior chacina da história do sistema prisional brasileiro.

 

Nus e humilhados, os próprios detentos eram obrigados a carregar os mortos /

Foto: Anarcopunk.org

 

 

Com informaçíµes de Wikipedia, UOL e Brasil de Fato


Publicado em:







Veja Também





Links Patrocinados