EDITORIAL – Que soberania éesta?

22 de outubro de 2012

 

A presidente  Dilma Rousseff vetou parte do Código Florestal  nesta quarta-feira (17). Para o ex-secretário executivo do Meio Ambiente João Paulo Capobianco, o potencial do Brasil precisa ser defendido.

Não podemos pegar um paí­s continental como o nosso, preservar uma área remota e deixar a população em uma área totalmente degradada, afirma. O biólogo acredita que um meio termo entre conservação e produção é necessário.

Segundo o deputado Homero Alves Pereira (PSD-MT), presidente da Frente Parlamentar do Agronegócio, o novo Código Florestal não é perfeito, mas é importante. A lei anterior jogava mais de 90% das pessoas que ocupam o território brasileiro í  margem. Quando a lei não reconhece a realidade do paí­s, a própria realidade se volta contra a lei, argumenta. De acordo com o parlamentar, 63% dos 851 milhíµes de hectares do paí­s estão preservados. O  Brasil  é um paí­s exemplar em termos de ocupação territorial sustentável, avalia.

João Paulo Capobianco, que é presidente do Conselho do Instituto Democracia e Sustentabilidade, discorda. Estamos em um processo equivocado do ponto de vista cientí­fico e ético. Resolvemos o problema de quem está ilegal não levando para a legalidade, mas mudando o conceito do que é ilegal. í‰ como se eu deixasse de ser uma pessoa que age ilegalmente porque a lei muda e me favorece, diz. Para ele, o que prevalece é a tentativa de isentar de responsabilidade quem descumpriu a lei.

O que está por trás de tudo isto é a ganância do poder do Estado brasileiro perante seu povo. Mais uma vez, a sociedade, principalmente as famí­lias pobres, que buscam a sobrevivência em uma saudável vida no campo e querem somente paz no seu dia-a-dia ficam na mão dos fiscais. Como é admissí­vel um pequeno produtor rural, inculto, muitas vezes analfabeto, receber a visita de um fiscal da FEPAM do RS, do IBAMA, ou seja lá qual for o instituto fiscalizador das leis, ameaçando-a de multá-la com valores que chegam a um ano de produção? Os fiscais em princí­pio não têm culpa, cumprem o que está na lei. Mas sabe-se que, na prática, não é bem assim… Muitos querem se locupletar da lei para exercitar o poder sobre os mais fracos, í s vezes em nome de interesses ocultos, polí­ticos, egoí­stas, até de grandes produtores inescrupulosos.

Um paí­s que presa a soberania de seu povo não pode acuar pequenos sobreviventes desta forma.   E sobreviventes honestos, que plantam para comer e vender o pouco que sobra. Muitos, ainda, atualmente optam saudavelmente por produzir sem agrotóxicos ou adubos artificiais, ajudando o paí­s a fugir da degradação ambiental. Mas não chega… O Estado quer ter poder sobre ele, pequeno produtor. O Estado quer ter o pequeno na mão… Sabendo que ele (produtor) não está cumprindo a lei, os defensores do imperialismo colocam-no na lista dos manipuláveis, na lista dos votos contabilizados em nome de favores dados pela fiscalização em não multar…

O Brasil quer (com razão) preservar o meio ambiente dos exageros dos agricultores tubaríµes e egoí­stas. Os ambientalistas defendem também com razão o meio ambiente, afinal é para isto que a causa existe. Mas os legisladores, em um ambiente que se diz democrático e defensor do direito í  propriedade e dos direitos individuais, não deveriam deixar que leis de difí­cil cumprimento fossem aprovadas no congresso nacional. í‰ muito fácil, em um ambiente climatizado, em salas acarpetadas, atrás de um lap top, ou em um gabinete burocrático em Brasí­lia, arrotar leis que sirvam para todos, mesmo que se saiba que são impossí­veis de ser cumpridas. Mas ai, com o tempo e com o aumento destas leis absurdas, a população vai se tornando cúmplice dos poderosos, dos governantes, dos que possuem o poder de punição. E aí­ a soberania passa longe.

Soberania não é ser dono de banco ou de companhia de petróleo, muito menos de empresas de energia. Soberania de uma nação é dar soberania de liberdade para o povo. E soberania de liberdade é diretamente proporcional í  diminuição de regras, principalmente das regras absurdas, burocráticas, que só servem para confundir e entristecer ainda mais o povo simples e amoroso do Brasil. Que soberania é esta?


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