Paula Borowsky
O termo dom-juan tem origem no personagem Don Juan, ou Don Giovanni, grande sedutor que conquista as mulheres e em seguida as abandona. Para o psicólogo suíço CarlGustav Jung (1875-1961), dom-juan tem um complexo materno, isto não se libertou da mãe e procura sua imagem em todas as mulheres, nunca encontrando. A origem do comportamento estaria na adolescência. Nesta fase é natural e esperadoque o filho se torne agressivo e crítico com a mãe, pois precisa se separar dela, para poder seguir na construção de sua própria identidade masculina. Mas se ela tenta mantê-lo calmo e fraco, realizando todos os seus desejos, acaba por dificultar a necessária separação, que o tornaria mais forte e capaz de amar outras mulheres. Impossibilitado de se libertar, o rapaz pode se tornar um dom-juan. Aquele que envereda por esse caminho em geral é arrogante e se julga melhor que os demais, que encobre um sentimento de inferioridade. Sempre tem uma desculpa para não se comprometer, julga que uma mulher é controladora, outra é egoísta e por isso vai trocando, trocando. Ele tende a terminar sozinho ou em um relacionamento desigual, aonde um é dominado e o outro é o dominador.
O conquistador inveterado passa a vida procurando nas mulheres a perfeição que vê na própria mãe, de quem nunca conseguiu se libertar. Só obtém prazer na sedução e depois parte para novas conquistas. Na verdade ele não consegue amar, e sente um enorme vazioe solidão. Acredita ser um grande amante, mas só consegue amar a si mesmo, ou na verdade, o que tem consigo mesmo não é amor próprio no sentido saudável, mas uma extrema vaidade e narcisismo, pois em geral, não leva em consideração os sentimentos e necessidades do outro e gosta de desafios, porque quanto mais difícil a conquista, maior seu interesse. Desta maneira, se torna uma pessoa volúvel e inconstante, não tolera a durabilidade e estabilidade das relaçíµes, seja de amizade, afetiva e de trabalho.
Alguns se casam, porém projetam na mulher a imagem da mãe e perder todo interesse sexual por ela. Acabamarrumando amantes para não se sentirem presos ou dominados por nenhuma. O medo de se tornarem dependentes e nas mãos de uma mulher, como foram com a mãe , faz com que agridam suas mulheres de forma cruel, traindo ou abandonando. Como uma repetição de um padrão de comportamento, ele acaba fazendo de tudo para que ela o abandone e assuma a responsabilidade pelo fim da relação, para confirmar sua teoria de que nenhuma mulher é boa suficiente para ele. Na verdade, ele sente muito medo de se ligar, se entregar, como se isto representasse um compromisso aprisionante, a ponto de perder sua individualidade, como fora na relação simbiótica com sua mãe (onde um e outro se misturam num só)


