CICLO DE VIDA DO DESTINO TORRES

30 de outubro de 2012

 

Assim como qualquer ser vivo um destino turí­stico tem iní­cio, meio e fim ou nascimento, crescimento/desenvolvimento, declí­nio/fim. Em que estágio estaria Torres? O que você acha? Vou me valer de outros autores e de alguns exemplos para responder a esta pergunta.

Butler (Lohmann, 2008) propí´s um modelo que, apesar das crí­ticas recebidas nas últimas décadas, é o que melhor reflete os estágios do ciclo de vida de um destino turí­stico. São eles: Exploração, Envolvimento, Desenvolvimento, Consolidação, Estagnação. Depois destes cinco estágios, o destino pode apresentar outros estágios que irão variar de acordo com a resposta dos planejadores e administradores do destino turí­stico. Vários cenários são possí­veis, incluindo uma estagnação continuada, o declí­nio ou o rejuvenescimento. Neste último caso, ocorre um processo de reestruturação do destino e, enquanto alguns dos lugares mais competitivos conseguem atrair investimentos para a retomada do seu desenvolvimento, outros destinos têm que alterar significativamente a infraestrutura oferecida.

Vou tentar mostrar como Torres passou pelos estágios do modelo de Butler. No momento em que Picoral resolveu colocar o Balneário Picoral como um empreendimento turí­stico que atrairia turistas para desfrutar das belezas que a cidade oferecia, iniciou-se o estágio Exploração. Seguiu-se a isso a necessidade de melhor atender essas pessoas que para cá vinham, então começaram a ser oferecidos os primeiros serviços turí­sticos como: Alimentação, lazer e transporte. Este era o segundo estágio: Envolvimento.

Nos dois primeiros estágios predominava o Balneário Picoral e seu proprietário como agentes do turismo local e isso perdurou por quase 20 anos. A partir daí­ os amigos de Torres, através da Sociedade fundada para auxiliar o desenvolvimento da cidade, promoveram o balneário a uma praia elitizada e sofisticada. Este estágio é o de Desenvolvimento.

Os anos seguintes e a chegada maciça dos argentinos solidificaram o destino Torres como um dos mais procurados e o projetaram para o paí­s e para os paí­ses vizinhos: Chegando ao quarto estágio, o da Consolidação.

Os anos se passaram, a cidade cresceu e sua infraestrutura acompanhou mais lentamente este crescimento. O glamour de outrora foi substituí­do por praticidade e economia. Casas de veraneio e os poucos espaços vazios foram substituí­dos por altos edifí­cios. Veranismo e Turismo se confundem ou se fundem em uma nova atividade econí´mica. Nosso público mudou, nosso turista mudou, o veranista não passa mais temporadas em nossa cidade. A forma de fazer turismo ou veraneio também mudou, só a forma da cidade encarar tudo isso é que não mudou.

As gestíµes se sucedem e o tratamento para com o turismo continua da mesma forma que se fazia há 50 ou 60 anos atrás, ou seja, de um ano para o outro. O planejamento mais longo não ultrapassa um ano.

Está mais que na hora de projetar a cidade para um novo futuro. Projetá-la para os próximos 20 ou 30 anos (novo ciclo) esse é o papel do gestor de hoje, e nessa projeção revitalizar (Rejuvenescer) o turismo, tirando-o da Estagnação em que se encontra dando-lhe uma nova chance de crescer.

 

Roni Dalpiaz

Site: www.ronidalpiaz.com.br                             e-mail: ronidalpiaz@gmail.com

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Referências

Lohmann, Guilherme; Panosso Netto, Alexandre. Teoria do turismo: conceitos, modelos e sistemas. São Paulo: Aleph, 2008.


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