3.SOS Mobilidade Urbana
MARIA HELENA TOMí‰ GONí‡ALVES(mhtome@hotmail.com)
As cidades do litoral gaúcho tem sofrido um verdadeiro boom populacional. Num mundo com grandes centros urbanos cada vez mais poluídos e violentos, as pessoas buscam áreas mais pacíficas e saudáveis aonde viver. Torres tem recebido um grande número de novos moradores, o número de automóveis aumenta constantemente, a necessidade de transporte coletivo também, mas a cidade não se preparou para isso e começamos a ter um verdadeiro caos nas nossas ruas durante o ano todo. í‰ preciso pensar a cidade com urgência, suas ruas, passeios, acessos, sistema de trânsito, mãos e contramãos, fluxos, estacionamentos, cargas e descargas…
A cidade ainda pode ser planejada e modificada com sucesso, não são obras de grande porte, mas é preciso urgência na busca de soluçíµes. Temos uma única via de acesso í cidade, a Castelo Branco, mas temos possibilidades de criar outras duas com facilidade pelo Faxinal. Outra via de acesso que seria interessante sob muitos pontos de vista é pelas praias do sul, o que depende de tratativas e decisíµes sobre o Parque da Itapeva. Esse parque não pode continuar a enforcar o crescimento urbano para o sul, mas pode perfeitamente ser respeitado e valorizado se não houver intransigências e excessos de pudores quanto í preservação ambiental deixando nascer e se criar a Estrada do Parque rumo ao sul.
Nossas ruas estão estreitas para o fluxo de carros. Algumas poderiam ter reduzidas as larguras das calçadas (bom exemplo é a Coronel Pacheco, na qual os carros estacionam em ambos os lados e a via fica quase impedida para o trânsito, sendo que há quadras de mão única e outras de mão dupla e as calçadas são muito largas para o fluxo de pedestres), em outras os canteiros centrais são largos, permanentemente sujos, sem atrativo algum, sem boas árvores nem ajardinamento, esses poderiam ser estreitados e tratados esteticamente, possibilitando espaços para estacionamentos e alargamentos das vias.
As calçadas e passeios públicos são horríveis, desniveladas tanto em larguras quanto em alturas, (aliás, se continuar sendo posto asfalto sobre os leitos das ruas, em camadas e mais camadas, muitas calçadas ficarão no mesmo nível dos leitos), cada um faz a calçada do jeito que quer ou pode, não há unidade, é tudo muito feio e muito perigoso. Pode muito bem ser criado um sistema padronizado de calçadas, pelo menos na área central, priorizando o pedestre, o cadeirante, o idoso.
Prefeita, esse é um capítulo incí´modo, porém de essencial enfrentamento. Para acompanhar o crescimento da construção civil que acordou a cidade do marasmo em que fomos mergulhados durante anos, mas possibilitará o crescimento populacional cada vez mais intenso, é essencial retraçar a cidade, rever o fluxo do trânsito motorizado e de pedestres, criar ciclovias incentivando o uso de bicicletas, criar vagas de estacionamento, adequar os espaços físicos í necessidade cada vez maior de mobilidade e acessibilidade atuais e futuras.
Aliado a tudo isso há o verdadeiro descaso pela sinalização eficiente, uma necessidade urbana e turística que em cidades inteligentes se torna motivo de atração e beleza, aqui nunca se criou com vocação durável e estética ou teve continuidade de um governo para outro. As tentativas feitas em algumas administraçíµes foram logo depredadas e abandonadas e nós não temos até hoje bons indicadores nem identidade visual capaz de orientar e impressionar positivamente o visitante que chega e nem atender as necessidades dos próprios moradores. Sequer os nomes das ruas estão afixados em todos os inícios de quadras como historicamente acontece com qualquer centro urbano. A própria numeração dos prédios não segue uma lógica como em outros lugares. Há em tudo isso um descaso administrativo ilimitado, como se essas necessidades não fossem importantes nem lógicas. Vivemos numa pequena selva urbana, sem indicaçíµes de rumos a seguir. Verdadeiras testemunhas desse caos são os taxistas, os transportadores e entregadores de cargas e mercadorias e os carteiros, esses conhecem a realidade e os transtornos que a falta se sinalização causa.
Cidade que se preza como tal busca oferecer orientação e identidade visual, cidade turística como a nossa Torres não pode continuar í margem de necessidades tão básicas quanto essas. Prezada Prefeita, SOS para a mobilidade urbana com urgência. Mais uma prioridade prioritária.


