Cartas Abertas í  Prefeita Eleita de Torres 4. SOS Torres Mais Verde

4 de dezembro de 2012

 

MARIA HELENA TOMí‰ GONí‡ALVES (mhtome@hotmail.com)]

 

                      Quando viajo para outras cidades e observo a vegetação, a arborização das ruas, o ajardinamento dos canteiros das vias públicas e das residências e prédios em geral, as praças e bosques e gosto do que vejo, faço comparaçíµes com a nossa cidade e fico cada vez mais frustrada por ver o descaso com que tratamos tudo isso em Torres. Cada vez temos menos verde e mais descaso.

                      Entre os ambientalistas a moda é a preservação das espécies nativas. Tudo bem que se faça isso. Mas para fazê-lo é preciso plantar, plantar e plantar. Tomar a decisão de plantar uma cidade é uma decisão polí­tica, é uma decisão administrativa, mas é também uma decisão que precisa estar calcada num certo ponto de vista estético, paisagí­stico, urbaní­stico. Mas, o primeiro e primordial passo é a decisão polí­tica de plantar.

                      Quando mudamos para Torres, a cidade era divulgada através do Parque da Guarita e seu projeto paisagí­stico elaborado por Burle Marx, o grande papa da época em matéria de paisagismo. Ter um parque maravilhoso como a Guarita já é um grande atributo para uma cidade cuja vocação é o Turismo, mas ter um parque redesenhado por um Burle Marx deveria ser o máximo. E o foi durante certo tempo, até cair no esquecimento geral. Hoje o Parque não é mais a marca do grande mestre e deixamos de lado um grande elemento de mí­dia. O Parque caiu no esquecimento geral, a sua vegetação também, como de sorte toda a vegetação da cidade.

                      Prezada Prefeita, seja a Prefeita do Projeto Torres, eu te quero Verde, contrate bons biólogos, bons paisagistas, bons jardineiros, convoque a população para participar e vamos, finalmente, plantar, plantar e plantar. A flora brasileira nativa é riquí­ssima, podem ser escolhidas belas espécies para embelezar a cidade toda, mas não podemos deixar de lado a flora universal, a flora europeia, cujos primeiros exemplares chegaram ao Brasil nos poríµes dos navios exploradores das nossas riquezas, nos poríµes dos navios negreiros, nos poríµes dos navios colonizadores que traziam os alemães, os italianos, os poloneses, os japoneses e todos os outros que vieram para cá trazendo consigo mudas e sementes preciosas que enriqueceram nossa flora com árvores e arbustos magní­ficos que aqui se aclimataram muito bem e embelezaram as ruas das cidades que foram nascendo junto com aqueles povos que vieram fazer aqui seu mundo novo. Minha nona italiana preservava como ninguém qualquer mudinha verde, qualquer sementinha, qualquer brotinho, tudo era motivo de alegria na sua pequena horta e no seu pomar no fundo do quintal. Vovó, apesar da sua simplicidade, da sua parcial incapacidade de ler em Português e de falar misturando palavras da sua lí­ngua nativa, era uma guerreira e uma sábia mulher do povo, com a maravilhosa virtude de amar a terra com profunda consciência de que dela vem tudo de que precisamos para viver bem nesse planeta.

                      Esqueçamos esse passado de descaso e vamos fazer da nossa cidade um verdadeiro paraí­so verdejante, viçoso, bem cuidado. Plantas fazem parte e são elementos essenciais da vida e da maquiagem urbana. Imagino nossa orla toda plantada por palmeiras porque em matéria de palmáceas o Brasil é riquí­ssimo, além, é claro, das palmáceas importadas ao longo do tempo de outras regiíµes do planeta. Imagino a Prainha novamente plantada de hortênsias em suas variadas nuances de azul, imagino nossas praças arborizadas com frondosos jacarandás e sua floração a tingir de roxo todo o solo ao seu redor, imagino a paisagem pintada aqui e ali pela gama de tons alaranjados do já internacional flamboyant, imagino uma cidade dominada pelos verdes de todas as gamas a fornecer-lhe pulmíµes extras exalando ar cada vez mais puro mareado pela brisa do Atlântico.

                      A cartela de variedades vegetais é imensa, mas somente deixará de ser uma cartela de ofertas a partir da decisão polí­tica e administrativa de plantar, de elaborar um projeto exequí­vel, viável e urgente, que chame o povo a participar, que trabalhe a criançada nas escolas e a população nas associaçíµes de bairros e em todas as associaçíµes existentes na cidade, que use a mí­dia local e a mí­dia regional, que alardeie aos quatro ventos que Torres será cada vez mais verde. Pode crer, prezada Prefeita, o sucesso será gratificante. E inesquecí­vel. Venha ser conosco a Prefeita que mudou a cara da cidade! Coragem, faça a diferença, vamos arrumar a casa a partir do jardim.


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