A IMPORTí‚NCIA DOS PAPí‰IS NO RELACIONAMENTO FAMILIAR

10 de dezembro de 2012

 

Paula Borowsky

 

 Os problemas familiares podem ser compreendidos em função da reciprocidade e interdependências e na adaptação aos papéis familiares respectivos. A dinâmica das relaçíµes inclui complementaridade, reciprocidade e companheirismo na vida social, sexual e afetiva. A participação conjunta na autoridade e divisão de responsabilidades, sendo essas funçíµes essenciais para a relação, favorece o desenvolvimento saudável do sistema familiar.

Os problemas da vida familiar não podem ser estudados em profundidade sem que se leve em conta os problemas fundamentais de toda vida humana. í‰ impossí­vel deixar de lado a organização das relaçíµes sociais, as reflexíµes contemporâneas psicossociais e, de modo particular, as transformaçíµes das relaçíµes entre das relaçíµes entre o homem e a mulher no marco das relaçíµes familiares. As diferenças são crescentes de um lugar a outro, de um meio a outro, de uma famí­lia í s outras.  Estes fatos nos levam a um constante questionamento a respeito das crises familiares. Por que a famí­lia hoje em dia estaria em crise?

As determinaçíµes desta crise têm a ver com as redefiniçíµes culturais e sociais dos papéis de homem e mulher. A saúde emocional na famí­lia é determinada no desempenho e no cumprimento das funçíµes familiares essenciais, relacionadas a estes papéis de pai, mãe, filho, filha, irmão, irmã. A famí­lia é facilitadora de saúde emocional na medida em que cada membro conhece e desempenha sua função especí­fica. Assim, ela é um sistema em que todos os elementos são importantes e influenciam neste equilí­brio. Estes papéis e as funçíµes de cada um não podem ser rí­gidos, estereotipados, competitivos, omissos, pois isto poderá quebrar a união e equilí­brio familiar. Quando isto acontece, a famí­lia pode estar doente.

A famí­lia da sociedade urbana industrial e capitalista exige que os pais se ausentem por questíµes de trabalho e sustento. Os cuidados e educação das crianças acabam sendo terceirizados por escolinhas, creches, babás, avós. Na maioria das vezes, a mulher acaba sendo sobrecarregada aos cuidados, pelo fato de tomar a frente assumindo tarefas que seriam do homem. Desta maneira, pode obstruir a participação dele caso não questione esta situação. Hoje há uma preocupação excessiva com bom relacionamento, que é entendido como ausência de conflitos, o que é um grande equivoco, pois o resultado disso pode ser a inibição da espontaneidade, da inibição de manter relaçíµes verdadeiras que implicam muitos sentimentos.

Nem sempre famí­lias que não brigam estão saudáveis do ponto de vista emocional. Muito pelo contrário, observa-se que o diálogo e o espaço para resolver conflitos estão bloqueados pelo temor ao atrito. Desta maneira, acumulam-se mágoas, ressentimentos, dores, angústias que não podem ser verbalizadas e expressadas. Sentimentos são sufocados na tentativa de evitar desagrado e conflito, quando, ao contrário, esta conduta só faz crescer a distância afetiva entre os membros desta famí­lia.

Por isso, o melhor é conversar e abrir o jogo, sem medo de decepcionar, porque ao longo da vida, nas relaçíµes entre pais e filhos, ou seja, em todas relaçíµes humanas verdadeiras, cabem sentimentos diversos, não só de amor e carinho. Alias,  o verdadeiro amor é aquele que suporta e sobrevive aos dissabores e incí´modos das relaçíµes humanas.


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