MARIA HELENA TOMí‰ GONí‡ALVES (mhtome@hotmail.com)
Uma boa cidade para seus moradores é uma cidade que a todos acolhe e a todos oportuniza uma vida saudável e feliz. Isso parece uma utopia em tempos de um Brasil que vive verdadeira guerra civil em suas maiores cidades com a matança indiscriminada de policiais e civis por grupos de bandidos armados. Isso é uma calamidade pública que mancha nossa reputação de povo pacífico e alegre. Fica uma pergunta cuja resposta recai sobre anos e anos de exploração da mão de obra desde a escravidão ao operariado de hoje, da má distribuição de renda, do acúmulo de grandes fortunas que nada produzem, da falta de emprego para todos, da falta de moradia digna e toda uma gama de consequências que geram a violência e a bandidagem. Enquanto políticos poderosos se locupletam com o abuso do poder que a posse de seus cargos eletivos lhes oportuniza, o povo em geral sofre as sérias consequências do descaso e do desgoverno.
Não há cidade hoje que não enfrente o problema do maior abandonado, do sem teto, sem casa, sem moradia, sem emprego, sem salário, sem preparo, gente que rola pelas ruas, sozinhos ou em grupos, que dormem ao relento nas praças ou debaixo de pontes e viadutos, que catam alimentos nas latas de lixo ou batendo í porta das casas, pedindo nas ruas e perturbando o sossego de muitos, sem perspectivas e sem esperanças. Nesse contexto só podem surgir homens violentos e amorais, cujo maior mérito é conseguir continuar vivendo í margem de tudo. Torres, como outras cidades do nosso mapa, não foi vacinada contra essa verdadeira praga urbana e esse é um problema que precisa, Senhora Prefeita, com urgência urgentíssima (o pleonasmo e o negrito são propositais) ser enfrentado.
A cada nova temporada de verão, mais pessoas chegam í cidade e vão ficando. As praças viram suas residências, marginalizados vão ocupando os espaços sem alarde e sem controle algum. A partir do entardecer até o amanhecer é impossível passar pela Praça Getúlio Vargas. Alguns passaram a dormir no Coreto da Praça XV, outros, mais discretos, no lado sul da Praça, sob as árvores, outros dormem nas calçadas… Cada vez mais os maiores abandonados estão fixando residência nas nossas ruas. Há que se fazer alguma coisa, isso é trabalho para a Assistência Social em cima de um Projeto bem elaborado que tente apoiar e recuperar essas pessoas e se não houver nenhuma forma de solução, se aqueles que não querem ou não conseguem aceitar as responsabilidades que uma vida útil impíµe aos indivíduos, encaminhá-los de volta í s comunidades de onde vieram é uma decisão árdua, dura, mas que precisará ser tomada. í‰ essencial elaborar e executar um Projeto que dê a mão, que dê apoio, que ofereça formas de recuperação, mas que cobre a participação e busque a integração de cada indivíduo hoje segregado na falsa liberdade das ruas.
Prefeita, sabemos perfeitamente que esse é um desafio quase fadado ao insucesso, mas que urge ser enfrentado com clareza de ideias, com criatividade e com seriedade, que possa contar com a indispensável disponibilidade de recursos, recursos próprios ou conquistados junto aos governos estadual e federal, afinal, agora Torres está alinhada verticalmente ao poder partidário em exercício e será mais fácil correr atrás e buscar recursos. Um Projeto que tire o maior abandonado das ruas e lhe proponha formas de recuperação para uma vida melhor.
Se em Torres, felizmente, não encontramos menores abandonados nas ruas, apenas adultos, um caso a parte é o povo da aldeia indígena cujas mulheres carregadas de filhos, desde bebês a sugarem os seios maternos até meninos maiores, alojadas durante o dia em algumas esquinas da cidade a venderem pequenas esculturas e plantas e a mendigarem dinheiro. Esse é um capítulo especial a ser enfrentado, porque será preciso lidar com a FUNAI e todas as regras, normas e leis que protegem o povo indígena. Inadmissível é a continuidade desse hábito funesto, tanto para os indígenas quanto para a cidade.
Certamente, para sermos uma boa cidade turística é preciso enfrentar o problema com decisão firme e estratégias eficazes. O problema está aí, quase a tornar-se crí´nico e cada vez de mais difícil solução. í‰ preciso ser duro sem perder a sensibilidade, ser claro no estabelecimento de metas e lutar para alcançá-las, mas ser lúcido para as soluçíµes drásticas em relação í queles que não quiserem ou não puderem se integrar. Eis aí, Cara Prefeita, mais uma prioridade, digamos que também prioritária.
Obrigada pela sua atenção.
Até a semana que vem!


