Custo Brasil: 5 vilões que impedem o crescimento econí´mico do paí­s

13 de dezembro de 2012

Presidenta Dilma anunciou, em agosto, pacote de R$ 133 bilhíµes para melhorar infraestrutura precária do Brasil, e recentemente disse que  vai destinar uma fatia bilionária dos royalties do petróleo para a educação

 

 

Embora já tenha conquistado o posto de sexta maior economia do mundo em 2011, o Brasil ainda se vê í s voltas com dificuldades estruturais, burocráticas e econí´micas que destoam do papel assumido pelo paí­s na cena internacional nos últimos anos. Tal conjunto de entraves, o chamado "Custo Brasil", impede um crescimento mais robusto da economia, sendo um empecilho para a eficiência da indústria nacional e a competitividade dos produtos brasileiros. E no final das contas, acaba sobrando para o consumidor, que paga mais caro pelos produtos, muitas vezes sem ter exceto garantia de qualidade.

Segundo especialistas, o recente cenário da queda dos juros deixou estes falhas brasileiras ainda mais evidentes. "Por muito tempo, as empresas aproveitaram-se dos juros altos para ganhar dinheiro, aplicando seus lucros no mercado financeiro em busca de um bom retorno. Porém esse cenário está mudando", afirmou í  BBC Brasil André Perfeito, economista-chefe da  Gradual Investimentos, de São Paulo.

Na prática, com as aplicaçíµes agora menos rentáveis no mercado financeiro, as empresas começam a deslocar o excedente de capital do setor financeiro para o setor produtivo, investindo na expansão dos próprios negócios. Nessa transição, o ‘Custo Brasil’ acaba ficando mais transparente, apontam os analistas.

Em agosto, o governo anunciou um pacote de R$ 133 bilhíµes em concessíµes ao setor privado de rodovias e ferrovias brasileiras, que deverá se prolongar pelos próximos 25 anos, na tentativa de contornar alguns dos graves gargalos da infraestrutura no paí­s. A decisão foi comemorada, porém ainda há um longo caminho a percorrer. Confira os cinco dos principais vilíµes do crescimento da economia brasileira.

 

1) Infraestrutura precária

 

Segundo um estudo do Departamento de Competitividade de Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, as empresas têm uma despesa anual extra de R$ 17 bilhíµes devido í  precariedade da infraestrutura do paí­s, incluindo principalmente as péssimas condiçíµes das rodovias brasileiras e sucateamento dos portos.

Como resultado, os custos com a logí­stica acabam encarecendo o produto final. De acordo com um levantamento do instituto ILOS, cerca de 30% do preço da tonelada soja produzida em Mato Grosso e exportada para a do porto de Santos, por exemplo, referem-se apenas aos gastos com o transporte do grão.

"O Brasil também fez uma opção pelo transporte rodoviário, mais caro do que outros meios, como ferrovias ou hidrovias", afirmou Márcio Salvato, coordenador do curso de Economia do Ibmec.

Além da infraestrutura, o paí­s também sofre com as altas tarifas de energia elétrica, apesar de cerca de 70% da matriz energética brasileira ser proveniente de hidrelétricas, consideradas mais limpas e baratas.

Uma pesquisa da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Fierj), publicada no ano passado, mostrou que o custo médio de energia no Brasil é 50% superior í  média global, e mais do que o dobro de outras economias emergentes como

 

2) Déficit de mão de obra especializada

 

Em alguns setores da indústria, o Brasil já vive "um apagão de mão de obra", com falta de profissionais qualificados capazes de executar tarefas essenciais ao crescimento do paí­s.

Segundo o mais recente levantamento feito pela consultoria Manpower com 41 paí­ses ao redor do mundo, o Brasil ocupa a 2 ª posição entre as naçíµes com maior dificuldade em encontrar profissionais qualificados, ficando atrás apenas do Japão.

Entre os empresários brasileiros entrevistados para a pesquisa, 71% afirmaram não ter conseguido achar no mercado pessoas adequadas para o trabalho. Para efeitos de comparação, na Argentina o í­ndice é de 45%, no México, de 43% e na China, de apenas 23%.

Se no Japão o maior entrave é o envelhecimento da população, o problema no Brasil é a falta de qualificação profissional. De acordo com uma pesquisa divulgada neste ano pelo Ipea, o governo direcionou apenas 5% do PIB em 2010 para a educação, contra 7% do padrão internacional. Alem disso, segundo pesquisa (também deste ano) da consultoria McKinsey, apenas 7% dos trabalhadores brasileiros têm diploma universitário, o que nos deixa atrás da ífrica do Sul (9%) e da Rússia (23%), e bem atrás de Finlândia (76%) e Coréia do Sul (81%).

                      Recentemente, a presidenta Dilma Rousseff garantiu que uma bela fatia das bilionárias verbas dos royalties do petróleo serão destinadas para investimentos na educação. Assim, esperamos que logo seja possí­vel vislumbrar uma educação pública mais valorizada desde a base, com melhores salários para professores e condiçíµes de ensino cada vez melhores para os alunos. Isso representaria um importante passo para poderemos ter, efetivamente, mão de obra qualificada no Brasil.

 

3) Sistema tributário complexo

 

Se todos os brasileiro reclamam dos impostos altos, as empresas tem ainda mais razíµes para Segundo o relatório ‘Doing Business’, do Banco Mundial, as empresas de médio-porte brasileiras gastam, somente para pagar seus  impostos, o equivalente a 2.600 horas de trabalho por ano, contra 415 na Argentina, 398 na China e 254 na índia.

Até o fechamendo desta edição de A FOLHA, os brasileiros já haviam pago, segundo o site Impostí´metro,   quase 1,4 trilhíµes de impostos aos cofres públicos. Muita grana para pouco resultado, é o que o leitor vai dizer. E esse pouco resultado, apesar de sermos campeíµes mundiais em pagamento de impostos, se deve ao fato do sistema tributário brasileiro ser demasidado complexo.

Um dos exemplos da alta complexidade tributária no Brasil pode ser verificado no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Como está presente em todos as etapas da cadeia produtiva, seu recolhimento ocorre diversas vezes, o que leva í  cobrança de impostos sobre impostos, também conhecido de "imposto em cascata".

"São 27 legislaçíµes, uma para cada estado, além de alí­quotas diferentes para cada produto. Isso sem falar na alí­quota interestadual", afirmou Felipe Salto, economista da Tendências Consultoria e professor da FGV-SP, ao jornal Valor Econí´mico. "Isso dificulta a vida do empresariado brasileiro".O resultado são produtos menos competitivos, que chegam mais caros í s gí´ndolas e sofrem maior concorrência dos estrangeiros.

 

4) Baixa capacidade de investimentos público e privado

 

Historicamente, a taxa de investimentos tanto pública quanto privada é baixa no Brasil, em torno de 18% do PIB. Especialistas consideram que seria necessário elevar esse patamar para, pelo menos, 25% do PIB, de forma a permitir um crescimento sustentável da economia.

Isso porque, sem investimentos, para a compra de novos maquinários ou para a construção de novas rotas de escoamento, por exemplo, há uma menor eficiência produtiva, o que encarece e diminui a competitividade dos produtos brasileiros. Por isso o governo precisa fazer os ajustes necessários para aumentar a confiança do empresariado e, assim, incentivar o investimento.  

 

5) Burocracia excessiva

 

Segundo o Banco Mundial, entre 183 paí­ses o Brasil ocupa o 126 º lugar quando se analisa a facilidade de se fazer negócios, abaixo da média da América Latina (95 º) e atrás de paí­ses como Argentina (115 º), México (53 º), Chile (39 º) e Japão (22 º).

Até obter retorno sobre seus investimentos, cabe aos empresários brasileiros vencer uma via-crúcis. Segundo a BBC Brasil, para apenas abrir uma empresa no paí­s, o empreendedor terá de passar por 13 procedimentos, o equivalente a 119 dias. Para termos comparativos: Na Argentina, são necessários em média 26 dias para abrir uma empresa, e na China, 14. Já no Chile, os procedimentos burocráticos podem durar menos que 7 dias.

Entre tais procedimentos estão, por exemplo, a homologação da empresa em diferentes órgãos de supervisão, o registro dos funcionários e as licenças ambientais. Consequentemente, o custo das empresas acaba sendo extremamente alto antes mesmo que elas comecem a produzam qualquer centavo.

 

 

*com informaçíµes de BBC Brasil, Wikipedia, Estadão e Valor Econí´mico

 


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