NUTRIGENí”MICA

17 de dezembro de 2012

 

 Antoniela Vieira

 

Nutrigení´mica é a ciência que tem como foco elucidar a interação gene-nutriente que ocorre de duas formas complementares: nutrientes e compostos bioativos dos alimentos modulam o funcionamento do genoma e, da mesma forma, caracterí­sticas do genoma influenciam a resposta í  alimentação, necessidade de nutrientes e risco para doenças crí´nicas não transmissí­veis (DCNT).

Alteraçíµes na expressão gênica estão envolvidas no desenvolvimento das diferentes DCNT. Nutrientes e compostos bioativos apresentam diferentes alvos moleculares e podem apresentar açíµes benéficas ou deletérias, dependendo de quais genes têm a expressão alterada.

 

A partir do Projeto Genoma Humano, constatou-se que, apesar de apresentarem fenótipos bastante distintos, humanos apresentam identidade de 99,9% entre seus genomas. Assim, a diferença de 0,1% na sequência genética está relacionada não apenas a caracterí­sticas como peso, altura e cor do cabelo, mas também a necessidades de nutrientes, resposta í  alimentação e risco para DCNT.

 

Nutrigení´mica baseia-se nos seguintes princí­pios:

 

– Dietas inadequadas em determinados indiví­duos e em determinadas situaçíµes representam fatores de risco para DCNT;

– Nutrientes e compostos bioativos normalmente presentes nos alimentos alteram a expressão gênica e/ou estrutura do genoma;

– A influência da dieta na saúde depende da estrutura genética do indiví­duo;

– Determinados genes e suas variantes comuns são regulados pela dieta e podem participar de DCNT;

– Intervençíµes dietéticas baseadas na necessidade e estado nutricional, bem como no genótipo, podem ser utilizadas para desenvolver uma nutrição personalizada que otimize a saúde e previna ou mitigue DCNT.

Uma aplicação promissora da Nutrigení´mica refere-se í  modulação da inflamação, que tem papel importante na obesidade, já que esta doença produz, em baixo grau, um quadro de elevação de substâncias inflamatórias na circulação. Assim, através desta ciência, foi possí­vel descobrir alguns alimentos que reduzem o quadro inflamatório. Cabe destacar que a inflamação crí´nica, induzida pelo excesso de gordura corporal, particularmente a obesidade visceral, é um dos fatores desencadeantes da resistência periférica í  ação da insulina ” que precede o diabetes tipo 2, bem como a Sí­ndrome Metabólica.

Diferentes alimentos contêm compostos bioativos com ação anti-inflamatória. Dentre estes compostos bioativos, incluem-se o ácido caféico (erva-mate), a quercetina (frutas e hortaliças), o tirosol (azeite de oliva extra virgem) e o licopeno (tomate, goiaba, melancia), que inibem a expressão de genes envolvidos no processo da inflamação. Açíµes similares foram descritas para o ácido elágico (abacate, morango), resveratrol (vinho tinto), indol-3-carbinol (cebola e repolho) e o gingerol (gengibre). Porém, a curmumina (cúrcuma) e o chá verde apresentam os compostos bioativos mais potentes na redução da inflamação.

Os lipí­dios da dieta também exercem efeito relevante na modulação da resposta inflamatória. ícidos graxos saturados ativam a via de sinalização para a inflamação, enquanto os poliinsaturados da série í´mega-3, presentes em quantidades significativas em peixes e óleos de peixe, apresentam efeito oposto, ou seja, inibem a atividade inflamatória.

Além da obesidade e DCNT, a nutrigení´mica esta sendo aplicada na terapia e estudo da gênese de diversas outras doenças. Dentre elas podemos citar o câncer de intestino. Recentemente, em um estudo realizado na Universidade de Newcastle, no Reino Unido, foi evidenciado que ní­veis elevados de vitaminas do complexo B estão associadas ao desenvolvimento de câncer de intestino, e, paralelamente, a vitamina D e o mineral selênio em doses adequadas estão relacionados í  prevenção deste mal, que acomete principalmente homens com mais de 50 anos. Vale ressaltar aqui que a obesidade também é fator de risco para este tipo de câncer.

Uma alimentação personalizada, baseada no DNA, representa alternativa promissora para estabelecimento de recomendaçíµes nutricionais mais direcionadas e efetivas para promoção da saúde. Para que isso se torne realidade é necessário que diferentes desafios sejam superados. Mais pesquisas na área e acessibilidade da população aos exames necessários para avaliação genética são exemplos.

 

 

 


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