A bola da vez da sociedade brasileira é tratar de condenar antecipadamente o ex-presidente Lula por envolvimento no Mensalão. A mídia e a sociedade se comportam como investigadores de polícia. Buscam novas denúncias e tratam de elaborar hipóteses para condenar o presidente, que governou o Brasil por oito anos e surfou na fama que levou do grande crescimento da sociedade brasileira nestes anos, mesmo não sendo dele a maioria dos méritos. Mas era ele o presidente. A mídia e a sociedade elaboram hipóteses criminais tentando envolver Lula no Mensalão como se não tivesse límpido, desde o início da descoberta da fraude, o necessário envolvimento do presidente. Mas como não havia provas, como não deve aparecer (pelo menos de forma límpida), nós, brasileiros, tratamos de queimar a imagem do ex-presidente condenando-o até por adultério. Tudo isto lembra o ex-presidente americano Bill Clinton em suas aventuras sexuais no salão oval da Casa Branca…
Qualquer pessoa com a cabeça no lugar e um pouco de leitura sobre a política nacional sabe que todos os presidentes do Brasil nas últimas décadas desviaram dinheiro público para financiar as milionárias campanhas eleitorais que exibiram, exibem, e ainda exibirão nas TVs em épocas de pleito. Presidentes, Senadores, Deputados Federais e alguns deputados estaduais. Até nas campanhas municipais as misturas de financiamento lícito de campanha com superfaturamentos e favores insistem em confundir o eleitor em todas as ediçíµes. E continuarão confundindo… Portanto, é claro que esquemas similares ao Mensalão existiram na época das eleiçíµes de Fernando Henrique Cardoso, de Fernando Collor de Melo, até do falecido e querido Tancredo Neves, substituído pelo demonizado atualmente pela sociedade José Sarney. As diferenças ficaram, ficam e perece que continuarão ficando nos métodos. Parlamentares foram, são e serão comprados, sim, no Congresso Nacional, como ficou provado no Mensalão. Agências de publicidade foram, são e serão uma forma de financiar campanhas de políticos. í‰ que a lei da Direito que as agências recebam 20% sobre a mídia e 15% sobre a produção de material publicitário. E daí para chamar os donos das agências e exigir uma beira deste verdadeiro paraíso financeiro é um passo. E as agências aceitam isto festejando, pois em troca recebem, além dos benefícios financeiros exigidos na lei que regulamenta a remuneração da publicidade no Brasil, surfam com políticos corrompidos ou corruptores (não se sabe quem é quem nesta suruba) e podem fazer seu trabalho mal feito e com economias maiores, como a maioria da mídia oficial mostra no dia-a-dia dos brasileiros. E as TVs do Brasil não contratam ˜Giovanes Grizotes para investigar agencias de publicidade. Tratam tão somente de divulgar os poucos escândalos envolvendo o setor após o assunto já estar nas delegacias, no Ministério Público. Como as TVs irão mexer em orçamentos que representam para algumas emissoras menores até metade de seu faturamento? Nem em Portugal!
E esta é a corrupção ilegal, como se pudesse haver corrupção legal. E há! O que dizer das corporaçíµes de servidores públicos que envolvem políticos com mandato ou nomeaçíµes para não mexer em seus belos planos de carreira? O que dizer da grande possibilidade dos juízes fazerem vista grossa para julgar quem paga seus salários, como foram e estão sendo acusados até os Ministros do STF que votaram contra a condenação de políticos julgados no caso do Mensalão? E será que a sociedade tem razão em desconfiar que ministros estejam corrompidos? Eles vivem das influências e decisíµes dos políticos que estão julgando, seus partidos, suas corporaçíµes públicas… O que dizer da aberta compra de votos que os programas de transferências diretas de renda, como, por exemplo, o Bolsa Família e similares o são? Será que a sociedade acredita que um ser pobre vai votar em quem diz que vai parar de dar dinheiro para ele todos os meses, para fazer o que quiser dele? Estas são as corrupçíµes legais. Portanto,existe, sim, a corrupção legal.
Tudo é corrupção! As burocracias criadas para descobrir o que já se sabe para não punir a seguir por falta de provas o sistema político no Brasil servem tão somente para criar emprego para os tribunais de contas e as auditorias da união e dos estados investigarem o que sabem para não punir com a mesma força as descobertas, pois se trata de punir a si próprio, o sistema político no Brasil, que abocanha 40% do que o brasileiro comum, í quele que também corrompe o guarda para não pagar multa (diga-se de passagem) produz no seu dia-a-dia, sem estabilidade de emprego e sem salário de marajá, muito menos com direito a entrar no jogo da corrupção na política, que espalha dinheiro para vários bolsos encherem e outros viverem das migalhas que caem no chão do processo corrupto.
Tudo é corrupção, foi e será. Diminuição do prejuízo social desta mazela só acontecerá após a diminuição radical do tamanho do Estado. E está para nascer o líder social no Brasil que terá coragem de levar para o palanque de campanha eleitoral o ideal de diminuir o tamanho do Estado, de diminuir o tamanho justamente daquele lugar para o qual pede voto para ocupar. Talvez, após o fim do mundo.


