OPINIíO – Conversa de Cocheira

24 de dezembro de 2012

Fausto Araújo Santos Jr.  

 

Rola nos bastidores da polí­tica de Torres, que a prefeita eleita Ní­lvia Pereira está em conversação com o PSD, o novo partido formado por dissidentes do DEM e outros dissidentes, de outras agremiaçíµes. Pode ser uma estratégia do PT local de buscar membros do PMDB para apoiar o governo atual (que se inicia daqui uns dias).

Por exemplo: o vereador Gimi dificilmente permanecerá no PMDB até o pleito de 2014. Quer concorrer í  vaga de prefeito, disse-me peremptoriamente, e não quer mais se expor em eleiçíµes internas na agremiação. Gimi perdeu para João Alberto em 2004; apoiou o prefeito em 2008, após tentativas brancas de ser o candidato í  prefeito da sigla; e perdeu em eleição interna no partido em 2012 para Pardal. Perdeu junto com outro candidato, João Oriques. Perdeu por uma decisão pragmática dos peemedebistas que achavam que Pardal seria campeão de votos. O que não o foi…ficou com os 7 mil votos do PMDB e punto e basta.

Eu, particularmente acho que tudo é saudável na polí­tica. Migrar para outro partido para tentar finalmente ser candidato de cabeça de chapa é admissí­vel, principalmente para Gimi, pelo histórico acima. Mas existe também uma forma de conquistar os partidários. Eu, particularmente,  acho que o vereador reeleito tem, sim, chance de ser o cara nas eleiçíµes de 2016. Mas para isto deveria brigar na casa legislativa por uma oposição de ideais, o que sabe fazer muito bem. Evitar posiçíµes acomodadas í  situação; evitar votar contra o brilho de companheiros do partido,  mesmo quando seu ideal não sugere isto… Esta é, na minha modesta opinião, a fórmula de conquistar uma agremiação inteira. E parar de defender a permissão dos carros de som, inadmissí­vel para um candidato í  prefeito que quer incentivar o Turismo ( e tem potencial para tal).

Lembro que Pardal, José Ivan, Tubarão, João Oriques, dentre outros nomes do PMDB, também querem ser o cara. E a briga saudável é em atuação polí­tica. Neste caso, Gimi só tem Tubarão de concorrente. E uma saudável briga entre ideais seria a forma de escolher qual será o cara. Pardal, José Ivan, dentre outros, estes sim podem adentrar no PSD, caso se confirmem as conversas de bastidor. E aí­ terí­amos outra frente em 2016, sem que parlamentares eleitos como Gimi e Tubarão percam o mandato em nome da eleição para prefeito daqui a quatro anos. E a prefeita Ní­lvia poderia chamar eles (Pardal, Ivan, Oriques) para compor com o governo, basta eles aceitarem, o que acho difí­cil.  

 

 

Golpe do Bilhete na eleição da região?

 

As diplomaçíµes que aconteceram nesta semana passada em todas as comarcas indicaram que o sistema judiciário eleitoral da região caiu em frias, tipo em golpe de bilhetes premiados. í‰ que após denunciar cassaçíµes e vontades de não diplomaçíµes durante o mês de novembro, após divulgar isto em jornais da região,  expondo nomes e estampando supostos crimes eleitorais praticados pelos polí­ticos acusados, os processos todos foram extintos, alguns na origem, antes da juí­za aceitar a denúncia encaminhada pelo MP, mas outros, inclusive, com a anuência da juí­za eleitoral local.

O prefeito de Arroio do Sal Luciano Pinto foi ameaçado de não ser diplomado. O processo foi para o Tribunal de Justiça, na Capital, e a turma de juí­zes por lá inocentou o prefeito, reeleito, portanto, por falta de conteúdo da base jurí­dica. Aqui em Torres, um vereador do PC do B, o carinhosamente chamado pela comunidade Nego, também teve sua diplomação ameaçada pelo promotor. Parece que a juí­za não aceitou o argumento do MP, desta vez aqui em Torres, antes do candidato recorrer como foi feito em Arroio do Sal. Faltou provas…

Acontece que nos dois casos as denúncias, sem provas cabais, vieram de concorrentes… Lá em Arroio do Sal, da coligação que estava no embate í  prefeitura. Aqui, por um vereador do PMDB (incrí­vel! Estava coligado com o PC do B de Nego), que concorria frontalmente com o denunciado. Ele pegou parentes, amigos, locatários de seus imóveis e pediu para que fossem no MP denunciar o adversário.

Estamos diante de três hipóteses. A primeira, a de estar havendo certo desleixo no trabalho do judiciário. Desleixo este que não se importa, inclusive, em expor nomes na mí­dia como criminosos. A segunda hipótese é a de haver uma quadrilha na região aplicando o golpe. í‰, í quele golpe do bilhete premiado, que é velho, qualquer pessoa mais esclarecida se dá conta, mas que ainda é utilizado por bandidos ate hoje, ou enquanto tiver pessoas, eu diria, cândidas no mundo. A terceira hipótese é de o judiciário estar sofrendo golpes polí­ticos e tendendo a certas correntes da região. Esta é mais séria, mas com o julgamento do Mensalão no STJ demonstrando hipóteses de ambos os lados, de que ministros estariam decidindo í  serviço de vontades polí­ticas, não posso descartar.

 

 

Xingar o juiz

 

E como no futebol, quando o juiz é enganado com simulaçíµes de pênaltis não existentes, o simulador leva cartão amarelo. Na justiça brasileira não existe isto… As pessoas vão ao MP, denunciam, após vê-se que não havia provas, í s vezes nem fundamento í  denúncia, e os denunciantes não levam nem xingão. Ou seja: é alimentado um verdadeiro mercado das denúncias vazias e nós, contribuintes, pagamos estruturas de promotores e juí­zes para atender estes verdadeiros trotes.

No futebol, quando um juiz erra, ao menos a torcida xinga ele, muitas vezes terceirizando a culpa pra sua mãe… No judiciário eleitoral e noutros não há esta possibilidade. O juiz erra, as coisas acontecem ao contrário do que se imagina, nome de pessoas e empresas são aviltados e a torcida, os contribuintes, sequer tem a chance de chamar o juiz de ladrão. Feitas em salas fechadas, com ar condicionado, por pessoas engravatadas, que ganham R$ 20 mil por mês, mais diárias e mordomias, pagos pelo dinheiro de impostos recolhidos de nós, simples viventes, os erros dos promotores e juí­zes ficam como estão, qual seja, ficam como se nada tivesse ocorrido.

No futebol existe, ainda, uma chefia que avalia os erros dos juí­zes. Uns vão parar apitando a segunda divisão como pagamentos de erros grotescos passados  ( e ganhando cachês bem menores);  outros sobem, vão ser da FIFA por acertos e atitudes firmes e serenas em suas atuaçíµes profissionais. Outros são até demitidos.

Mas no sistema judiciário e nas carreiras de promotores públicos, quem julga é colega e dificilmente as puniçíµes são coerentes, assim como as promoçíµes também não são nada coerentes… Além de todos, sem exceção, gozarem de estabilidade de emprego e da certeza de aposentadorias com salários integrais, diferente dos simples homens privados como nós, como a maioria dos senhores e das senhoras aí­ da poltrona, que recebemos dinheiro e prestí­gio conforma nossa competência e podemos, de uma hora para outra, estar desempregados caso erremos.

Ou seja, não se pode xingar o juiz. Além de não ter foro para isto, existe sempre a possibilidade de represália… Mas vamos lá.

 

Secretário da Indústria e comércio só em março

 

Ouvi de fonte segura que a secretaria da Indústria & Comércio de Torres, anunciada como certa pela nova prefeita Ní­lvia Pereira, vai passar por um processo legal, operacional e, somente após, haverá o anúncio dos nomes. Na coletiva que Ní­lvia anunciou o secretariado ela se posicionou diferente… Parece que queria ter, ali, o nome do secretário, que é do PDT, garantido publicamente pela prefeita que assume dia 1 º de janeiro. Mas parece também que o processo vai seguir o trâmite legal. Ou seja, precisa ser criada a secretaria formalmente, depois terá de ser feito ajustes no orçamento para gerar verba na pasta, e tudo isto deve ser aprovado pela Câmara Municipal. Até lá o PDT terá bastante tempo para indicar o nome do novo secretário. Provavelmente em março tudo isto já esteja formalizado. Feliz Natal.

 

Orçamento

 

Será neste dia 26 de dezembro que a peça orçamentária do ano de 2013 será aprovada pela Câmara Municipal. Uma reunião, a última do ano, será realizada somente para isto. Não se sabe se terão emendas mais substanciais ou se não terão. Informaçíµes obtidas por mim de secretários do novo governo dão conta que Ní­lvia deixará para mudar estruturalmente o orçamento somente no ano de 2014. No ano de 2013, os novos gestores irão trabalhar com a peça básica construí­das pelo governo João Alberto.

Não vai ser difí­cil, já que a margem de manobra da LOA 2013 é de 25%. A menos que existam rebeldes contra esta margem. Tudo isto será decidido na quarta-feira, dia 26. Feliz Ano Novo

 

 

 

 


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