O primeiro projeto de autoria da nova prefeita de Torres que foi discutido e aprovado na Câmara, em sessão extraordinária realizada na quarta-feira (9), foi para aprovar contrataçíµes, sem concurso, para servidores da Saúde Pública local. í‰ isto mesmo. O projeto que o vice-prefeito atual Idelfonso Brocca demonizou durante os últimos quatro anos, dizendo que o sistema deveria ser por concurso público, acusando o ex-vice-prefeito Pardal de contratar somente amigos do rei para a secretaria, seguiu todos os ritos anteriores, como se nada tivesse acontecido.
O agora oposicionista, vereador Alessandro (PMDB), tentou, ainda, dar uma chance para que a base da situação da casa legislativa ao menos mantivesse os nomes já contratados. Seria uma forma de dizer que vai mudar adiante, mas que não quer tirar proveitos de colocar companheiros, chamados por Brocca de amigos do Rei, nos cargos disponíveis. Denunciou Alessandro, inclusive, que pessoas com mais de 5 anos de experiência estariam sendo substituídas por nomes sem experiência, o que colocaria em risco, conforme Alexandro, a qualidade deste atendimento essencial. Tudo em nome de cargos políticos. Mas a base aliada sequer corou. E os vereadores do PMDB, fora Alexandro, votaram todos a favor do governo Nílvia. O veterano Gimi chegou a dizer na sessão, durante sua discussão e negativa da emenda feita por Alessandro, que colocar pessoas partidária faz parte do processo político. Pergunto: mesmo sendo na Saúde Pública?
Na minha modesta opinião, o atual vice-prefeito Brocca, de preferência acompanhado pela prefeita Nílvia, deveria abrir a sessão explicando a dissonância entre o discurso quando na oposição e a prática, agora, cabalmente provada neste primeiro projeto. Deveriam mostrar o porquê desta incongruência. Mas não, afinal, a votação foi de 11 a 1, e seria de 12 a 1 caso o presidente, vereador Machado, se obrigasse a votar. Ou seja: PMDB, PC do B e PTB concordaram com tudo. Nem explicaçíµes deram… Só Alessandro chiou e ficou falando com as paredes… e com A FOLHA. Estamos atentos!
Onde está o dinheiro?
A nova prefeita Nílvia emitiu uma nota para a imprensa no dia 3 de janeiro na qual afirmou que não havia dinheiro em caixa sequer para pagar a folha de pagamento de dezembro. Só que a Folha foi paga, no dia 8 (não o jornal A FOLHA, a de Pagamento!).
Tratam-se de sustos normais que as novas administraçíµes são levadas a passar. í‰ claro que deve ter tido certa mãozinha do ex-prefeito João Alberto, que deve de ter deixado o fluxo de caixa eu diria desarrumado. Mas fazer matéria afirmando que não tem dinheiro para pagar a Folha de Pagamento, mas pagar poucos dias após, não se trata de equilíbrio… Os cidadãos que leram a matéria podem achar que até hoje os servidores públicos não receberam.
E falando em não receber, quem não havia recebido até a quinta-feira passada (10) foram CCs de confiança do governo anterior, que receberam suas rescisíµes em cheque da prefeitura. A prefeita Nílvia mandou sustar os cheques, pagou a Folha, e o pessoal… neca de ptitibiriba… Acho que empatou, então, mais uma vez… Uma implicância de João Alberto atrasou o pagamento dos servidores, com intenção clara de confundir a nova prefeita nos primeiros dias (se isto foi verdade, pois só o estrato da prefeitura no dia 1 º prova). E a nova prefeita tratou de dar o troco, mas em cima dos ex-CCs, que nada têm í ver com a coisa toda.
Onde está o dinheiro 2
Em coletiva para a imprensa na quinta-feira (10), a prefeita Nílvia colocou, como se diz na gíria o bode na sala. Disse que a prefeitura está um caos; que não tem dinheiro pra nada, que não tem fiscal, etc., etc. e etc. Normal. Não conheço nenhum prefeito que entra em uma administração a elogiando, nem em Portugal… principalmente quando a campanha afirma durante todo o tempo que existe um caos… O que teria havido, então, não seria uma pura constatação do anunciado anteriormente?
Mas, ao mesmo tempo, a prefeita promete várias coisas, como se elas pudessem ser feitas sem dinheiro. Vamos ver… Pra mim, mais uma incoerência… í‰ que todas as prefeituras trabalharam, trabalham e trabalharão APERTADAS financeiramente. As obrigaçíµes com os servidores, com a Saúde, com a Educação e com as demandas do judiciário acabam deixando TODOS os prefeitos apertados… sempre. Talvez agora com o alinhamento das estrelas, marqueteado na campanha de Nílvia, mais recursos entrem em Torres. Já houve empréstimo de máquinas, mas máquina sozinha não faz nada: tem de ter gente para dirigir, diesel para andar e material para trabalhar… A deputada Maria do Rosário prometeu uma nova viatura para a secretaria da Ação Social e Direitos Humanos. Idem com fritas… precisa de ação, gente e dinheiro, o carro só faz o frete…
Como sempre, a única economia adicional que uma prefeitura tem acesso no início de governo é a não contratação de CCs. Talvez trabalhar só com o quadro atual possa dar fí´lego no caixa.
Onde estão (avam) os banheiros?
Outra brincadeirinha de final de mandato que nós, torrenses, tivemos de engolir a seco (ou expelir molhado) foi a questão dos banheiros químicos na virada de ano. Foram meio milhão de pessoas que fizeram festas na beira da praia sem ter onde fazer suas necessidades, a não ser no mar e nas dunas (com medo de serem multadas pela Fepam…). João Alberto poderia ter feito uma licitação para colocar banheiros por um mês. Não fez porque o PT estava questionando os banheiros químicos de tal forma que fedia mais contratar que deixar como estava, sua opção.
Mas a nova prefeita e sua equipe, mesmo antes de assumir, já haviam planejado a contratação dos banheiros. Tanto é verídica esta afirmação que no dia 4 foram colocados 100 banheiros químicos na orla. Ou seja: a nova prefeita poderia colocar os banheiros antes, caso quisesse. Bastava negociar com a prefeitura anterior e com a empresa contratada. Nada de outro mundo. Na política é assim. O consumidor final sempre paga a conta, mesmo de empreitadas de rugas políticas entre coligaçíµes adversárias.
No final da ópera temos banheiros… e QUIMICOS, graças a Deus. Tomara que não inventem substituir os atuais por fixos, conforme correntes internas da atual administração. Mas agora é necessário que saibamos qual foram os preços finais e unitários da contratação, assim como se estão incluídos no contrato a manutenção e o recolhimento dos excrementos, como estavam no contrato anterior. O documento do contrato anterior, do ex-prefeito, foi colocado na campanha como superfaturado… Veremos… Transparência é o novo discurso.


